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Quotidianos

Há que ser com todosPor Joaquim Escoval

Não é difícil encontrar em alguns lugares de destaque de diversos organismos ex-presidentes , ex vereadores e outros que tais que tendo perdido as eleições não regressaram aos seus antigos locais de trabalho mas transitaram para os sítios onde podem aumentar bastante mais as carteiras, aumentar as alcavalas, carros potentes, motorista, despesas de representação, rendas de casa, telemóvel, cartão de crédito e garantir a velhice com reformas bem precoces e valiosas.

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Há que ser com todos Por Joaquim Escoval

Por Jornal Rostos

Poucos dias se passam sem que nos entrem nas nossas casas pela caixa de correio electrónico as mais variadas denúncias, sobre escândalos , pelo menos assim os julgam quem os envia, que se vão detectando em Portugal.
Desde a factura abusiva da EDP que até debita a taxa da audiovisuais nos vãos de escada, aos empregos logo arranjados aos filhos do ex presidente, ás reformas sumptuosos de alguns políticos, banqueiros e juízes, aos salários milionários auferidos por alguns gestores, a última referia-se á EDP renováveis, á s demissões de secretárias seguidas de nomeações com salários chorudos da mesma pessoa, aos ditos e não ditos de políticos sem coerência alguma, tudo nos vem parar com a maior das facilidades á nossa caixa de correio.
E muitos outros poderíamos acrescentar quase todos nós, já estes fenómenos também se verificam quer a nível regional quer ao nível local .
Não é difícil encontrar em alguns lugares de destaque de diversos organismos ex-presidentes , ex vereadores e outros que tais que tendo perdido as eleições não regressaram aos seus antigos locais de trabalho mas transitaram para os sítios onde podem aumentar bastante mais as carteiras, aumentar as alcavalas, carros potentes, motorista, despesas de representação, rendas de casa, telemóvel, cartão de crédito e garantir a velhice com reformas bem precoces e valiosas.
Com as novas tecnologias tudo se vai sabendo, cada vez mais depressa, e é minha convicção e esperança que com os computadores cada vez mais acessíveis (olha os e-escola e os Magalhães) a camadas juvenis que trocam de informações a uma velocidade que nunca sonhámos, e que possuem um sentimento de justiça muito vincado e muito puro, cada vez mais saibamos mais e cada vez vejamos mais afincadamente combatidas estas praticas duvidosas que a todos nos deviam envergonhar.
È certo que algumas altas vozes nacionais se tem vindo a fazer ouvir para denunciar a imoralidade de algumas destas situações mas se essas mesmas vozes até reservam para si o espaço aéreo por cima de si quando estão de férias na praia e já recebem três pensões de reforma poderemos nós acreditar que as suas palavras prenunciam uma real intenção de repor a ética e a moral neste país?
Interrogo-me contudo se os que me enviam estas mensagens estão também eles próprios imbuídos dum genuíno espírito de justiça já que só falam de algumas classes: políticos, juízes e gestores.
Nenhum fala dos chorudos salários que os clubes pagam a alguns atletas geralmente estrangeiros, que por vezes nem sujam o fato de treino no banco de suplentes, que não investem em Portugal, que nos levam divisas e permitem a realização de jogadas com off shores ,etc.
Nenhum deles fala das dividas que o clube tem, da gestão ruinosa que efectuam algumas das direcções por eles eleitas, e do endeusamento que efectuam a alguns atletas de que nunca ouviram falar mas que passa a ser o maior do mundo só porque o seu presidente o contratou.
Até perdem dias de trabalho e de sono para irem ao aeroporto espetar o cachecol no pescoço da ilustre vedeta até então desconhecida.
E se no final do campeonato feitas as contas um golo ou um ponto custou uns largos milhares, senão milhões de euros, não se denuncia o escândalo, a má gestão, a transferência de capitais para o estrangeiro sem qualquer contrapartida ou mais valia . Só se volta a exigir outro, talvez atleta, que devolva a esperança, que mantenha o sonho de ser campeão, custe o que custar, que nesta área não há denuncias só há vitórias alcançar.
Temos uma posição lamentável na industria, na agricultura, nas pescas, na educação, e na justiça e em outros tantos vectores da vida nacional. A nossa aproximação aos níveis médios europeus está cada vez mais distante mas em contra vapor no desporto, principalmente no futebol, exigimos ser sempre os primeiros, mesmo que as estatísticas digam que se passam anos a fio sem ganharmos nada. E as estatísticas só confirmam a realidade.
Todos , mas mesmo todos os bem intencionados devíamos alargar as nossas denuncias, as nossas exigências de reposição da moralidade , da ética, da competência, da aproximação verdadeira entre os níveis de vida dos portugueses e destes com os europeus, mas devemos faze-lo em todos os campos e vertentes da sociedade .
Portugal tem obrigação e merece, ser melhor visto de que lado for, e será se os seus cidadãos forem mais exigentes e mais responsáveis e actuantes em todos os capítulos da vida nacional.

Joaquim Escoval

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