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O Presidente e o debate democráticoPor Humberto Candeias

O Sr. Presidente da Câmara, perante as questões e os argumentos da oposição, em vez de procurar responder e rebater os dados expostos e quiçá comprometer-se a corrigir alguma coisa, considerou-os no campo dos ataques pessoais e ofensivos da sua dignidade. Essa estratégia teve como consequência o fim do debate sobre os temas políticos apresentados.

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O Presidente e o debate democrático Por Humberto Candeias

Por Jornal Rostos

Temos vindo assistir em várias sessões da Assembleia Municipal, nomeadamente na última, a propósito do debate sobre a moção de censura, a algumas intervenções do Sr. Presidente da Câmara que importam analisar para reflexão sobre o futuro do debate político no Barreiro.

O Sr. Presidente da Câmara, perante as questões e os argumentos da oposição, em vez de procurar responder e rebater os dados expostos e quiçá comprometer-se a corrigir alguma coisa, considerou-os no campo dos ataques pessoais e ofensivos da sua dignidade. Essa estratégia teve como consequência o fim do debate sobre os temas políticos apresentados.

O Bloco de Esquerda discorda desta abordagem do Sr. Presidente da Câmara que conduz necessariamente ao afunilamento, ou mesmo ao termo do debate democrático, contribuindo para a opacidade política, favorecendo uma lógica de discussão baseada no critério do “és por mim ou contra mim”.

O que está em causa na oposição e crítica no regime democrático são as opções políticas e as suas prioridades, nunca as pessoas. Em todo o debate na A.M. não surgiu qualquer intervenção dos partidos aí representados que pudesse configurar críticas de natureza pessoal, o que teria sido, naturalmente, inaceitável.

Ao se enveredar por este caminho comete-se um erro político grave, fomenta-se o maniqueísmo, abrindo-se as portas aos que apreciam a insultocracia, mais do que a democracia.

Na mesma sessão da A.M. assistimos a uma outra intervenção do Sr. Presidente, de um género a que já tem recorrido, que é completamente intolerável no debate político. É a chamada intervenção tipo-“revelação”. Consiste em ameaçar revelar uma informação explosiva para inflectir o debate a seu favor. Desta forma suscita os pedidos de esclarecimentos das forças políticas, acabando por não indicar quaisquer factos que possam ser objecto do escrutínio dos deputados na Assembleia ou fora dela. Estou a referir-me à afirmação que o Presidente fez sobre o que lhe teria dito um dirigente do PS relativamente à candidatura atrasada ao QREN.

A argumentação género “Ouvi dizer...”, “ Há quem diga...”, não é admissível no debate franco e rigoroso que sempre deve existir. Estas abordagens fazem parte de estilos de comunicação manipulativa, impróprias de um presidente com os pergaminhos democráticos de Carlos Humberto.

O património de que o Barreiro e o Sr. Presidente são detentores, em matéria de luta pelas liberdades, exige de Carlos Humberto uma abordagem mais cuidadosa na discussão política, para que o Barreiro, em toda a plenitude, possa vir a ser a cidade da Democracia.

Humberto Candeias
Bloco de Esquerda-Barreiro

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