A crise económica e as festas popularesPor José Bastos

Por Jornal Rostos
Para mim, não é novidade nenhuma o elevado preço que as autarquias pagam aos artistas, mas, isso só pode ser feito se a economia estiver em crescimento e as receitas disponíveis forem elevadas.
Aliás, fui sempre de parecer que a quase totalidade dos artistas que actuam nas festas populares se actuassem em recinto fechado, a cobrar bilhetes, nem 20% conseguiam dos preços que cobram.
Acontece que desde 30 de Julho, a lei obriga, que os contratos feitos por ajuste directo, tenham que ser publicados na Internet, para conhecimento da concorrência e da população em geral.
Um jornal nacional de referência publicou no dia 12 de Outubro, o nome de alguns artistas e o preço pago por algumas Câmaras Municipais. Assim: a Câmara Municipal de Elvas pagou 28.600 € ao Rui Veloso, a Câmara de Lagos pagou 28.400 € aos Da Weasel e 20.400 € ao Marco Paulo, a Câmara de Gondomar pagou 23.815 € ao David Fonseca, o Quim Barreiros cobra 6.250 €, Ana Moura 9.750 € e os Wraygnm 8.400 €.
O que se passa com estas Câmaras passa-se com quase todas pelo país fora e também com muitas freguesias.
A crise que se avizinha, do meu ponto de vista, não vai permitir estes luxos às autarquias e às comissões de festas. O dinheiro disponível é para fazer face às despesas correntes obrigatórias e pouco sobra para investimentos quanto mais para pagar contratos elevadíssimos a artistas que todos temos oportunidade de ver nas televisões.
As Câmaras pagam centenas de milhares de euros por espectáculos que duram cerca de uma hora e meia, a que as populações assistem de pé sem qualquer comodidade e muitas vezes com um grande ruído.
Foi bom o Governo obrigar as entidades públicas a publicarem na Internet os preços que as Câmaras pagam dos nossos impostos aos artistas que actuam para a população. Assim toda a gente fica a saber onde é gasto o nosso dinheiro e se é justo que se paguem “pequenas fortunas” a artistas para actuarem hora e meia ao ar livre e em locais sem qualquer comodidade.
O ano de 2009 é ano de eleições e de estagnação económica, com grande diminuição nas receitas das Câmaras pela grave crise que já se nota na área de construção.
Espera-se dos Partidos Políticos que concorrem às eleições autárquicas responsabilidade e ética política, para ultrapassarmos este difícil período que atravessamos.
José Bastos














