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Um pouco mais de estado, mas muito melhor estadoPor José Bastos

O Partido Comunista Português cujas políticas se centraram na defesa de um capitalismo de estado, nestes trinta anos tudo tem feito para enfraquecer o sector público do estado.

Nos últimos anos as greves promovidas pelos sindicatos da C.G.T.P. assentam quase exclusivamente no sector público. Não é com greves e manifestações que fortalecemos o sector público do Estado.

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Um pouco mais de estado, mas muito melhor estado Por José Bastos

Por Jornal Rostos

O sistema financeiro mundial só sobreviveu à crise actual com a intervenção dos Estados, acabando com a teoria daqueles que defendiam que a economia funcionava muito melhor com menos estado e melhor estado.

Já tinha assistido à queda da U.R.S.S. e dos países do bloco de Leste, que constituiu durante dezenas anos o modelo do Partido Comunista Português. O sonho de muita gente acabou com implosão do regime soviético.

Pela minha experiência vivida e pelo interesse que tenho pela actividade política, que considero nobre e absolutamente necessária à vida em sociedade, parece-me que a solução em Portugal passa por um pouco mais de estado e muito melhor estado.

Além daquilo que é função do estado: Saúde (S.N.S.), Educação (Escola Pública), Caixa Geral de Depósitos e a área dos seguros a ela ligados e as pensões de segurança social. O estado devia comprar os terrenos para construção das cidades para que os planos urbanísticos fossem feitos em função da qualidade de vida das pessoas e não no interesse das receitas dos proprietários dos terrenos. Foi o crescimento desmesurado do preço dos andares que originou a crise. Os trabalhadores que necessitam de comprar casa não ganham para um andar de € 150.000.

As bolsas não podem funcionar como casinos e os terrenos nas áreas urbanas e urbanizáveis não devem ficar à disposição da ganância desenfreada de muitos especuladores imobiliários sem qualquer regulação. Nos anos noventa sempre que os juros baixavam aumentavam os andares.

Para que o estado funcione muito melhor é necessário que a ética política seja aquela que era defendida pelos republicanos antes da implantação da República.

O Partido Comunista Português cujas políticas se centraram na defesa de um capitalismo de estado, nestes trinta anos tudo tem feito para enfraquecer o sector público do estado.

Nos últimos anos as greves promovidas pelos sindicatos da C.G.T.P. assentam quase exclusivamente no sector público. Não é com greves e manifestações que fortalecemos o sector público do Estado.

Os professores fazem greve nas escolas públicas, mas nas escolas privadas não o fazem.
Os médicos e os enfermeiros só fazem greve nos hospitais públicos e nos privados trabalham sempre.

Muitos médicos e enfermeiros trabalham no sector público e no sector privado ao mesmo tempo. Isto serve para minar o sector público por dentro. Muitos médicos angariam doentes para operar nas clínicas privadas.

Era impensável noutra profissão, um trabalhador por conta de outrem, exercer noutro local e por conta própria a mesma profissão.

Para que exista mais estado e muito melhor estado é necessário que todos aqueles que defendem o estado não façam demagogia e se interessem pela forma como os serviços funcionam.

Só com funcionários públicos prestigiados e responsáveis os serviços do Estado poderão funcionar bem a contendo de todos. Se os serviços públicos funcionarem bem, a quase totalidade das pessoas acaba por defender os serviços de Estado.

José Bastos

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