A abertura do Fórum Barreiro, as acessibilidades que faltam e a “Lei de Murphy”Por António José Ferreira

Por Jornal Rostos
Começo com um nota prévia em que esclareço de antemão, (claro que numa “nota prévia” se diz algo de “antemão”, mas é para reforçar a penetração nalguns entendimentos), que este texto constitui uma genuína preocupação de cidadania e não um ataque político-partidário e muito menos pessoal, ou está eivado de qualquer má-fé.
Quem me conhece sabe muito bem que esse não é, nem nunca foi, o meu modus operandi, a quem não me conhece, deixo o compromisso e peço que avalie a mensagem e não o mensageiro (demais a mais tendo uma opinião preconcebida acerca dele e do seu posicionamento que em nada corresponde à realidade, que para mim, juntamente com a verdade, são categorias efectivas: mais do que pensáveis, experienciáveis, e estou-me nas tintas para a moda reinante do absoluto relativismo).
Vai abrir ao público no próximo dia 4 de Novembro o Fórum Barreiro, um empreendimento contra o qual nada me move, antes pelo contrário, como, aliás, tive oportunidade de declarar em reuniões públicas como as da Assembleia Municipal do Barreiro de que sou membro eleito e noutras intervenções, havendo de todas elas nota ou registo.
Nessas intervenções sempre me pronunciei favoravelmente ao empreendimento, pelo seu potencial de revitalização do centro da nossa cidade, mas sempre com uma ressalva: as acessibilidades existentes não comportam o excesso de tráfego que o referido equipamento e, sobretudo o seu carácter de novidade, irão seguramente provocar, e disse-o em tempos “normais”, sem obras a decorrer como se passa neste momento. Por maioria de razão o direi agora, em que o tráfego automóvel “normal” já constitui um autêntico “purgatório” para quem se desloca ou vive nessa zona.
Para que conste essa questão foi posta ao então Presidente da Câmara, engº. Emídio Xavier, em sessão pública em que também esteve presente como representante da empresa promotora o engº. Matias Lopes.
Ora toda a gente conhecedora do Projecto que pouco depois, foi tornado público, me tranquilizou e aos meus receios, declarando que iria ser aberta uma via de acesso público pelo interior do Quimiparque. Acontece que essa via ainda não saiu do papel e é com espanto que leio algumas declarações optimistas quer do actual Vice-Presidente da CMB, vereador Joaquim Matias dizendo que o centro da cidade, mesmo condicionado pelas obras em curso tem “capacidade de absorver” o excesso de trânsito automóvel que certamente se gerará, reforçado pela natural curiosidade de munícipes e forasteiros e ainda pela proximidade do Natal. O engº. Matias Lopes ainda parece reforçar este estado de alma, declarando que sendo o Fórum Barreiro, um centro comercial urbano e de centro de cidade, está à espera que as pessoas para lá se desloquem “a pé”(!!!).
É caso para perguntar “are you joking”?
Então se o empreendimento se situa numa das freguesias menos populosas e mais envelhecidas do concelho, como é a Freguesia do Barreiro, já de si historicamente cercada por barreiras arquitectónicas conhecidas, como as vias-férreas, agora parcialmente superadas pelo túnel da Miguel Bombarda cujo atravessamento pedonal é desconfortável, insalubre e, sobretudo, inseguro e pelo viaduto “cardiovascular” da Recosta cujo atravessamento pedonal exige uma “forma” física assinalável, e todas as outras origens de visitantes possíveis se situam a Sul do local, como se poderão fazer tais afirmação?
Não pretendendo ter o grau de infalibilidade de Santo Padre, nem sequer o do actual Presidente da República, quando noutros avatares declarou que “nuca se engana e raramente tem dúvidas”, eu que sou um espírito dado a algum, razoável cepticismo, estou portanto, cheio de dúvidas, mas desta vez, espero sinceramente enganar-me em infelizmente, mais uma, verificação prática da Lei de Murphy que enuncia, simplificadamente, que “quando algo pode ser mal feito, certamente alguém o fará”. Lamento não partilhar da beatitude dum certo wishfull thinking e sendo uma habitual “vox clamantis in deserto”, lamento também, prognosticar que, com ou sem plano de contingência, enquanto as novas acessibilidades não estiverem disponíveis, irá certamente produzir-se uma grandessíssima barafunda e o nosso quotidiano de mobilidade passará, pelo menos até ao Natal, e com especial destaque para os
fins-de-semana, do tal “purgatório” a um autêntico “inferno”!
Agora uma nota final: espero que a publicação deste texto não desencadeie os costumeiros processos de intenção, penso que a nota introdutória é suficientemente clara; mas se ainda assim, houver alguém com a “candura” (oh santa inocência!!!) suficiente para o fazer, desde já declaro que não está nos meus hábitos “gastar latim com ruins defuntos”, nem abdicar dos meus direitos e sobretudo, dos meus deveres de cidadão só para não ferir susceptibilidades, sejam elas de que natureza forem.
Profissionalmente sou, há mais de trinta anos, professor de Psicologia, mas não sou psiquiatra, pelo que poderei, apenas, dar conselhos verbais a quem deles necessitar, mas ainda tenho formação e experiência suficientes para distinguir um episódio agudo de patologia esquizofrénica de manifestações recorrentes de paranóia crónica.
Barreiro, 30 de Outubro de 2008
António José Carvalho Ferreira














