A invasão dos espaços comerciaisPor Henrique Ferreira

Por Jornal Rostos
Após tantos anos em que tínhamos apenas o hipermercado Feira Nova localizado no nosso Concelho, parece que agora iremos assistir a uma reviravolta completa no paradigma da visão pública/empresarial do Barreiro.
O Barreiro está a crescer urbanisticamente (pelo número de urbanizações que se verificam: Palhais, Sto. António, Qta da Lomba, ...) e de espaços comerciais, mas este tipo de crescimento é insuficiente! Torna-se também necessário que o Barreiro cresça em termos de população e em poder compra! Quais são as medidas concretas que a CMB ou os partidos Políticos com representação estão a fomentar/sugerir para que aconteça o enriquecimento do Concelho em termos de população? O CDS-PP propõe, por exemplo, promover o Concelho nas feiras de âmbito nacional/internacional: "Salão Imobiliário de Lisboa" tal como fizeram os concelhos vizinhos Seixal, Montijo e Alcochete na última feira realizada.
No próximo dia 4 de Novembro será inaugurado no Barreiro o "Fórum Barreiro"que inclui um supermercado Pingo Doce, 100 lojas, 15 restaurantes, 4 salas de cinema e 700 lugares de estacionamento. Em Coina está previsto o "Barreiro Retail Park" que inclui um hipermercado Jumbo além de 53 lojas (Aki, Decathlon, ...) e 1.750 lugares de estacionamento. No Lavradio será efectuado a remodelação do hipermercado Feira Nova que incluirá 42 lojas, 4 cinemas e 1.850 lugares de estacionamento. Na Verderena (junto às novas instalações do Barreirense) localizar-se-á um hipermercado Continente que incluirá ainda um número não definido de lojas e de lugares de estacionamento.
Também estão previstos outros espaços de menor dimensão em Santo António da Charneca (Stationmarché e Vetimarché) e no Lavradio (Stationmarché).
Quais são as contrapartidas da CMB em aprovar todos estes empreendimentos? Convirá que este seja um processo transparente, de forma a evitar equívocos, como aconteceu, a titulo de exemplo, com o "Fórum Barreiro", nomeadamente à supressão do 3 Piso de estacionamento subterrâneo, a obra da Av. Alfredo da Silva e da Praça 1ª de Maio.
O CDS-PP apoia e fomenta este dinamismo económico/empresarial que estas superfícies irão trazer ao Concelho, mas o que será das micro e pequenas empresas existentes? O que será do comércio tradicional?
Torna-se necessário conhecer o impacto preciso destes projectos aprovados ou em desenvolvimento que estarão abertos ao público daqui a 5 anos, de forma que não possamos depois lamentar a sua implementação.
E sobre isto o que tem sido feito? Tem havido debate em praça pública?
Não! Mas deve haver!
O debate já existe, mas em círculos internos. Por isso transcrevo abaixo excertos de um e-mail enviado por um amigo, Pedro Graça Lopes, onde me manifesta a sua preocupação e o quanto este assunto o transtorna e o entristece como, certamente, a muito mais gente).
"Como mo anunciou estes novos empreendimentos vão reprogramar o entendimento que os barreirenses têm das suas infra-estruturas e facilidades. Repare como o Continente, antes situado (sem sucesso, aliás) no recinto do terminal fluvial-ferroviário (onde seria de esperar alguma afluência na facilidade que proporcionava aos munícipes que se deslocavam e regressavam de Lisboa, num mecanismo de utilidade "sugerida" com base numa lógica Barreiro-cidade de conveniência conveniente... microcosmos) para junto de um (ou Do) recinto desportivo de eleição, apelando ao desprendimento no lazer, que inclui, como sabemos e de alguma forma, o consumo ou o passeio também numa larga superfície comercial. Este projecto terá igualmente a vantagem de aproximar os barreirenses aos seus locais de residência (ainda para mais com a revitalização social dessas áreas) e entre as diferentes freguesias, deslocando, quem sabe e em alguma medida, o centro do comércio do Centro da cidade onde serão brevemente inaugurados o novo Fórum e o restaurado Mercado 1º de Maio. Esperemos apenas que não o seja de uma forma muito extensa. O desprendimento do Centro e do comércio esperado e programado para actuar no novo Fórum (principalmente) não poderá acarretar por si a anulação da perspectiva de um Barreiro como um todo e em que, de facto, todos os cidadãos contam e podem/devem ter uma palavra a dizer... na comunidade, politicamente e socialmente. Um novo pólo social a "construir" à semelhança da zona velha do Barreiro, ainda sem o novo Fórum digo.
Perto e Distante, Feio e Nosso, agora numa nova versão.
A respeito do Retail Park, penso ser, afinal ou finalmente, uma iniciativa concorrencial aos parques quer da Macro, quer de um recinto semelhante ainda em construção na Moita (outro ainda em Palmela). O impacto espera-se, será verificado a nível do comércio de rua, sua legitimação, e não conheço, nem provavelmente o Henrique conhecerá, os estudos de viabilidade que o sustentam. Apenas que, quer para as grandes marcas no novo Fórum, quer para os hipermercados (existentes e em plano) não terá efectivamente utilidade prática. As indústrias do concelho (principalmente as situadas na Quimiparque e em Palhais) que queiram escoar directamente os seus produtos constituirão, porventura, a sua segunda e mais importante (senão determinante) interacção/funcionalidade. Depende dos estudos feitos e das estimativas tomadas (e, como sabemos, não são porventura válidas as de há 6 meses no cenário actual).
Se reparou, há um factor que trespassa na transversal ambos os projectos e os enquadra até na requalificação do centro do Barreiro. A interacção com a industria e com o comércio. Finalmente a aceitação de que são, na nossa sociedade, verdadeiros vectores de desenvolvimento económico e social numa lógica de "o que está feito, feito está" e "mais vale surfar a onda". Conjugam-se os elementos urbanísticos de modernidade com a grave suspeita de que, afinal e como alguém dizia, os fundos camarários terão de provir de outras fontes que não o Governo Central. Todos os erros de gestão verificados nesta legislatura autárquica, que são anunciados e apregoados junto às sedes dos variados partidos e na imprensa (que, como sabemos, nem toda é gratuita e de obtenção directa) não chega tão rápida e eficazmente como todas as suspeitas de progresso em odores de alfazema... a divulgação e ensinamento que se destila verticalmente em todos os cafés e associações, os rumores e suores de uma administração que espera e constrói o futuro, na condução atribulada da politica. É, a meu ver, mais preocupante do que parece... o dito por não dito das administrações do projecto do novo Fórum (sobre as quais falamos e com evidente intervenção política... alguém se escuta? mais alguém reparou nisso?), o silêncio de alguns partidos sobre, note-se, a salubridade e legalidade do equipamento onde se pratica provisoriamente o comércio do Mercado 1º de Maio (ouviu mais alguma coisa? foi tornada numa questão de saúde pública, quando divulgada), o standby literal e colectivo sobre as instalações e arranque da Loja do Cidadão (tanto espaço em questão... discutem-se os serviços? discute-se o custo de transferência de localizações? as alternativas para as freguesias mais afastadas, como deveria preceder a uma integração de serviços em rede no concelho? ainda para mais com floresta e instalações militares no concelho... já foram estendidos contactos com todas as entidades?
fontes ou formas de co-financiamento para essa iniciativa?), a ponte no novo enquadramento económico, a reestruturação do circuito de caminhos-de-ferro tendo em conta a sua construção e, pelos vistos, atendendo à revitalização das empresas do concelho e dos espaços de escoamento de produtos (não excluindo a estação metropolitana de Coina)... Planos? Projectos? É caso para perguntar, terá o município recursos humano para tais estudos (o pior é que, pelo menos a nível da folha de pagamentos e de pessoal, acredito que eles lá estejam incluídos)... Henrique... o Henrique não sabe onde moro, frequentei a Escola Primária do Barreiro nº1 (na Av. D. Afonso Henriques) onde eu estudei em barracões pré-fabricados que ainda servem de sala de aula actualmente (20 anos depois... alguém alguma vez reclamou, algum progenitor?)... faz parte da paisagem, como fazem parte da memória colectiva todos os aspectos que ditam a estagnação social em prol de um ideal qualquer que ainda ninguém quer esquecer, nem proclamar em viva voz. Espera-se, apenas e por nossa conta, que algum dia caiam finalmente as consentidas jogadas de bastidores para que se discuta, enfim, com verdade e com seriedade, o que realmente se pretende e o impacto futuro do que se está a tentar construir do Barreiro. "
O Fórum Barreiro será inaugurado no próximo dia 4 de Novembro, para o bem e para o mal a obra está feita! Pois a obra está feita! Muitos falam de obra, mas poucos a concretizam. Deste modo quero dar os parabéns aos seus principais obreiros: Emídio Xavier, Carlos Humberto Carvalho e ao Matias Lopes. "
Henrique Ferreira
Presidente da Comissão Politica do CDS-PP do Barreiro














