O Comboio Eléctrico e o DesertoPor Frederico Tavares

Por Jornal Rostos
No passado dia 14 começou a circular na Linha do Sado automotoras de tracção eléctrica (UQEs 2300/2400), desde há muito prometidas aos utentes desta linha urbana e a única a tracção Diesel na Área Metropolitana de Lisboa até ao referido dia.
Como não podia deixar de ser o 1º Ministro Sócrates acompanhado pela sua comitiva, Ministro das Obras Públicas Transportes e Comunicações, Eng. Mário Lino e da Secretaria de Estado dos Transportes, Eng. Ana Paula Vitorino entre outros, vieram ao “Deserto” inaugurar os “Cabos da Catenária” porque as estações e apeadeiros continuam as obras de modernização que devem estar concluídas lá para Março/Abril de 2009.
Nesta fase de transição e como é inevitável viver sem as obras de modernização podia e devia ter-se minimizado as condições de espera nos abrigos improvisados entre Barreiro e Penteado aos utentes os quais esperam e desesperam à chuva, vento e frio pelos comboios.
É certo que se deu um salto qualitativo em termos de comodidade, rapidez, segurança e acima de tudo um transporte não poluente, mas as coisas não caem dos céus, foi preciso muita luta para se atingir estes objectivos, e aí estão de parabéns os utentes em conjunto com a sua comissão, os munícipes com as autarquias da CDU do Distrito de Setúbal e a força política que sempre esteve na vanguarda da luta, o Partido Comunista Português.
Nesta etapa inicial e numa primeira abordagem aos horários é notório que salta á vista que é necessário desde já um reajustamento ao mesmo, senão vejamos: no horário antigo os utentes tinham 2 comboios depois da meia-noite às 00.02 e às 01.02h, hoje tem apenas o da 00.29h, durante a parte da manhã das 05.02 às 06.10h de 2ª a 6ª feira não existe comboios a partir de Praias do Sado-A, portanto falta aqui também um comboio.
Mas como a Comissão de Utentes e os utentes estão com atenção penso que em breve esta lacuna possa ser colmatada.
Por vezes atribuísse culpas à CP pelo serviço não prestado, mas as dificuldades muitas das vezes parte de terceiros como no caso da Refer que sempre tem dado prioridade aos comboios da empresa privada Fertagus em detrimento dos comboios da CP, empresa que presta um serviço público e social há mais de 150 anos.
Ainda referente á inauguração o Povo do Barreiro soube dar a resposta ao 1º ministro com uma concentração no terminal Rodo-Ferroviário-Fluvial para o fazer lembrar que nosso Distrito existe desemprego, fome e pessoas a viver no limiar da pobreza.
Ainda que alguns convidados tenham disfarçado, mas notou-se um apertar do “nó da gravata”, por nada terem contribuído para que a electrificação da Linha do Sado fosse uma realidade, mas só para se mostrarem que estão ali à espera de algumas migalhas que a politica de direita do PS/Sócrates lhes possa mandar para debaixo da mesa.
Para terminar, como em Março/Abril de 2009 é antes das eleições para o Parlamento Europeu e das Autárquicas, esperamos pela 2ª inauguração da Linha do Sado e ai mais uma vez o “Deserto” saberá dar a resposta a esta politica de favorecimento do grande capital e altamente penalizante das PMEs e principalmente dos trabalhadores deste País. Esperemos que este investimento público continue nas mãos da CP e não como tem acontecido noutros casos a entrega de bandeja nas mãos dos privados para explorar a seu belo prazer.
Frederico Tavares
Membro da Sub-Comissão de Trabalhadores da Linha do Sado














