A Crise e as suas consequências para o PovoPor Joaquim Gonçalves

Por Jornal Rostos
O sistema capitalista está em crise. A especulação no sector financeiro, onde o lucro especulativo e imediato sobrepõe-se ao financiamento do sector produtivo e desequilibra o sector económico. A vida veio novamente a confirmar que é sobre os trabalhadores e o povo que recaem os efeitos mais violentos da actual crise, o desemprego sobe de forma exponencial.
O sector económico especulativo que foi e é a “nata” do capitalismo, não se regenera por si próprio e aí está o Estado por intermédio do Governo a ajudar o sector financeiro, procurando debelar tal doença social, “socializando” os prejuízos, ou seja, praticando um “socialismo” de sinal contrário.
Uma socialização da banca só servirá o interesse nacional se esta for uma alavanca para a economia, isto é, se estiver ao serviço do sector produtivo, das pequenas e médias empresas, numa estratégia de distribuição da riqueza pelos trabalhadores e pelas famílias.
O Governo PS em conluio com o Conselho Europeu continua a “cavalgar na crise” e, em benefício do grande capital e das grandes potências, insistem em impor o chamado Tratado de Lisboa cujo conteúdo é neoliberal, federalista e militarista. O Governo PS sendo a face da mesma moeda, tenta tirar proveito político da crise, não se responsabilizando por mais de três anos e meio de políticas desastrosas, procurando transferir as suas responsabilidades para a situação internacional.
Mas a contradição do sistema capitalista aí está em todo o seu esplendor!
Enquanto os Governos e os seus comissários políticos procuram numa ofensiva sem precedentes ao serviço do grande capital acabar com a conquista histórica da fixação do limite de trabalho, não excedendo este as 48 horas semanais, o Parlamento Europeu acossado pela luta dos trabalhadores nos vários países da União Europeia e com medo das consequências das eleições europeias previstas para Junho, chumbou as 65 horas semanais que a Comissão Europeia queria impor. Até quando?
Mas para se perceber a contradição e a mistificação destas políticas transcrevo algumas afirmações do “famoso” secretário-geral da Confederação Europeia de Sindicatos (CES), John Monks:
“ A aprovação da proposta de revisão da directiva sobre o tempo de trabalho provocaria a primeira regressão social legislativa na história da política social da União Europeia”;
“ A seis meses das eleições europeias, é essencial indicar a todos os cidadãos europeus que a União Europeia não é apenas o mercado livre que dá prioridade às grandes empresas e aos banqueiros, mas que também responde, antes de mais, às preocupações sociais dos europeus”;
“Estamos a bater no fundo. Com a loucura da desregulamentação financeira atingiu-se a economia, com a desregulamentação social iam destruir a sociedade”.
Amigos leitores, eu que pensava que a sociedade estava doente com as políticas anti-sociais e neoliberais do capitalismo, afinal o que os move não é debelar a doença, mas sim, alem de matar o doente, destruir a sociedade tal como agora a conhecemos, aniquilando a estrutura social cimentada por muitos anos de luta dos trabalhadores e dos povos.
Joaquim Gonçalves
Militante do PCP














