Bendita Crise…Por Pedro Miguel da Graça Lopes

Por Jornal Rostos
“Boa Noite”… Quem poderá dizê-lo no final deste ano? Numa pré- Tomada-de-Posse talvez… se Deus quiser. Benditas eleições, que se avizinham. Talvez nessa altura saibamos todos com um pouco mais de clareza o que realmente se está a passar para além do Adeus…
Cada pessoa é única e inimitável, hoje, com todo este alarido e confusão percebemos isso muito melhor e com maior detalhe do que até aqui julgámos possível acontecer. A nossa percepção do “outro”, do que “ali está”, ficará para sempre e irremediavelmente abalada, em termos sociais, após este particular momento da nossa História… A nossa Unidade, o nosso Patriotismo, o nosso reconhecimento do “Ser um Português Como Eu” encontram-se, finalmente e após 900 anos de convívio, ameaçados.
Devia haver uma Lei igual para todos, que sirva cada um e pela qual cada um responda, na sua pessoa. Devia haver condição mínima, abaixo da qual ninguém se situasse, e que a todos assegurasse os mais elementares princípios sociais de existência e projecção. E que cada um dos abrangidos mantivesse as suas opções em aberto e devidamente esclarecidas, estruturadas. Sim. Estas são as fundações de uma acção legislativa e governativa em qualquer dos tempos, perante seja qual for a situação, seja qual for o enquadramento político do momento. Essa ilusão acabou…
Vamos presenciar situações em que, pela diferença de 6 ou 8 meses e independentemente da sua localização ou número de funcionários, uma empresa é salvaguardada pelo Estado, outra não. Neste caso, ri melhor quem primeiro chora. Vamos assistir a empresas com espírito empreendedor sejam trucidadas pelo circunstancial e estático estrangulamento das exportações enquanto outras, com emblema forte mas sem massa crítica, sejam viabilizadas quer por forma de benefícios fiscais quase à medida, quer por realinhamento do seu mercado alvo e da sua influência num “rating” muito à nossa moda, como sempre. O Futuro… É já Hoje… Vamos suportar, sem dúvida já, a um futuro próximo com alguém, por nós eleito, a nos dizer que a tanga que nos restava já caiu afinal. Temos a parra… E que Deus nos acuda, pois somos cada vez mais gente. As reformas do aparelho de Estado que deveriam prevenir estes incidentes, estas reviravoltas, centraram-se, com a cumplicidade de quase todas as estruturas políticas, na redução do número de funcionários ao invés de serem focadas na reestruturação e reorientação dos imensos serviços que suportamos, começando de baixo para cima, a ver o que se esconde dentro de cada gabinete, de cada cabeça. Com os olhos postos no rio e o pensamento no mar… Vamos assistir, devido ao que anteriormente se chamou fanatismo do deficit e agora lhe chamam crise, ao amontoar de desempregados sem razão e sem sentido, sem ter havido uma reorganização dos serviços da Segurança Social. Num país onde o ensino é gratuito até aos 70 anos, sobram professores e faltam formadores, e onde os há, ninguém com essa idade aparece. Falta de oportunidade. Falta de oportunidade, falta de técnicos, falta de operários especializados, falta de competências e agilidade, falta de instrução acompanhada… Falta de tempo… E que Deus nos acuda, pois somos cada vez menos… Vamos ter de aturar alguém com uma tesoura na mão e um novo contrato noutra, muitas vezes, mas isso será mais tarde. Entretanto são só os contratos e a pré-campanha . As promessas de uma cidade melhor, de um mundo mais próximo, de um direito à prosperidade tipo “Decreto”, nosso, secreto e para mais ninguém. Caem os comboios da ferrovia, chocam os camiões em contra-mão, deslizam os carros na neve. Foi só um e não levava ninguém, nem ninguém sabe para onde ia ou o que transportava, lá naquela estrada… Lamento…
Pedro Miguel da Graça Lopes














