SE HÁ DÚVIDAS DE PATERNIDADE, EXAMINE-SE O ADN!Por Manuel Fernandes
A esses que, logo a seguir ao 25 de Abril se organizaram, sonharam e trabalharam por este Barreiro que já não podem fruir.

Por Jornal Rostos
Hesitei bastante em escrever e publicar este artigo de opinião.
Mas, por razões de consciência, de verdade e justiça, tenho de o fazer. E não posso adiar.
Há uns tempos atrás foi publicado no Rostos on Line um artigo escrito por um jovem que apresentava muitas dúvidas quanto à paternidade das obras em curso nesta nossa cidade do Barreiro, dúvidas essas que não consegui esclarecer ali porque os meus comentários ao artigo não passaram.
E, mesmo com todas essas dúvidas e incertezas decidiu o jovem atribuir a sua paternidade a pais alheios sem se preocupar com a verdade dos factos e da história.
A consciência imatura ou mesmo a sua falta, deu-lhe para o atribuir a terceiros, pretendendo assim apropriar-se do trabalho dos outros.
Do sonho e da utopia daqueles que, há muitos anos, se empenharam e trabalharam para que as obras se comecem a tornar realidade.
Não sendo possível lembrar e registar o nome de todos, quero ajudar esse jovem a esclarecer as suas dúvidas, deixando aqui registado o nome dalguns que, por já não estarem na nossa companhia, não podem repor a verdade dos factos.
A esses que, logo a seguir ao 25 de Abril se organizaram, sonharam e trabalharam por este Barreiro que já não podem fruir.
Quando o jovem em questão ainda andaria de cueiros, ou brincando nalguma das creches que o sonho desses homens começava a transformar em realidade.
Quero assim lembrar e homenagear a memória desses homens com quem tive o grato prazer de conviver e trabalhar.
De sonhar e aprender.
Começo pelo Fernando Andrade que foi o primeiro a partir. O Samuel Maruta e o tio Alcácer que, não suportando as saudades, a ele se quiseram juntar.
O Armando, o Zé dos Santos, o Zé Baptista e o tio Barradas. E tantos outros.
Lembram-se companheiros? Parecíamos os putos do Huambo. A sonhar com uma Marginal desde a escola Alfredo da Silva até Coina, com uma piscina na Caldeira do Alemão, transformando a zona da Copacabana numa linda praia, limpa e arborizada.
E os fins-de-semana que roubámos à família para, voluntariamente, erguer a creche dos Reguilas, construir a casa para a tia Balbina e arranjar a casa do Tio João libertando assim o espaço necessário para a construção do primeiro mercado da Quinta da Lomba.
Os parques infantis que semeámos por todo o lado.
As árvores que plantámos!
Lindos tempos esses.
Com as Comissões de Moradores e com a gente amiga à frente das autarquias.
Ainda bem que não conseguimos concretizar todos os nossos sonhos. Teríamos cometido alguns erros ambientais.
Mas os sonhos deram frutos e começam a transformar-se em realidade. A Avenida da Liberdade começa a ganhar a forma que idealizámos. A zona da Caldeira do Alemão está linda.
Os nossos filhos, especializados em Engenharia, Arquitectura, Urbanismo e Paisagismo, mas agora munidos de uma forte consciência ambiental, estão a dar-lhes continuidade.
Sabem companheiros, ainda por cá andamos muitos! O Raio é agora o nosso Presidente da Junta de Freguesia. A Eugénia continua na luta.
Espero ter esclarecido as dúvidas do rapazola. Se assim não tiver acontecido estamos prontos para o teste do ADN.
Pronto amigos, a vossa memória está resgatada. Descansem em paz camaradas. Até sempre!
Manuel Fernandes
– Palhais














