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A INDÚSTRIA DE PREPARAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DE CORTIÇA EM ALDEIA GALEGA / MONTIJOPor José Bastos

A actividade de exportação de cortiça com a deslocação ao estrangeiro de vários técnicos e empresários e os contacto diários com clientes, num tempo em que quase não existia turismo, trouxe para o Montijo muita informação do que se passava na vida dos outros países.

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A INDÚSTRIA DE PREPARAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO DE CORTIÇA EM ALDEIA GALEGA / MONTIJO Por José Bastos

Por Jornal Rostos

Portugal é o maior produtor e exportador de cortiça do mundo. A maior parte dos produtos de cortiça que produzimos é para exportar

Quando existe uma crise económica a nível mundial o nosso sector corticeiro entra também em crise. Foi assim na grande depressão dos anos trinta do século passado e também nas crises cíclicas que têm acontecido

A indústria da cortiça só se desenvolveu no princípio do século XIX, com a utilização das rolhas de cortiça como vedante das garrafas de vinho. A transformação de cortiça em rolhas em quantidades industriais teve o seu início na Catalunha, em Espanha e só depois apareceu em Portugal, no Algarve e no Alentejo.

Para beneficiar do comboio para transporte da cortiça das herdades para as fábricas e do bom acesso ao porto de Lisboa por via fluvial utilizando o transporte em fragatas até aos navios, a indústria transferiu-se do Algarve e doAlentejo,para a margem sul do Tejo,concelhos de Aldeia Galega/Montijo, Almada, Barreiro e Seixal.

Em 1923, a firma L. Mundet & Sons. Instalou-se em Aldeia Galega, era a fábrica mais antiga de cortiça de Montijo. José Mundet, o principal sócio desta firma, tem nome de rua no Montijo.

A firma Mundet & Cia,Lda. Era uma poderosa organização corticeira a nível mundial e já estava a laborar no Seixal, desde 1905.

A firma tinha onze fábricas por todo o mundo, era originária dos E.U.A., mas os seus sócios eram filhos de um catalão.

Por volta do fim da primeira metade do século XX, no Montijo a indústria corticeira empregava milhares de trabalhadores em muitas dezenas de fábricas. A transformação empregava muita mão de obra feminina, o que permitia um maior rendimento das famílias, já que normalmente trabalhava o casal.

Ainda tenho na memória o nome de muitas empresas que operavam na indústria corticeira: Francisco Beatriz & Filhos (Beatriz da Calçada), Pablos & Tavares,Lda., José Pecs (Herdeiros), (a população dizia a fábrica do Peixe), M. F. Afonso, Lda., Beatrizes Corticeiros,Lda.,José Beatriz, Virgílio Beatriz, Eusébio & Alves,Lda., Fábrica do Shultz, (a população dizia fábrica do Choça), Carvalho, Lourenço & Braz, Lda., Manuel Pires Douradinha, Mendonça, Caiado & Douradinha, José Miguel Carrusca, Barreiras & Sancho, Sancho & Horta, José de Sousa Horta, Manuel José Afonso Júnior, Lda.,Barreiras & Gelpi, João da Silva Sancho Barreira, Sopac, Lda, Infal, Lda., Soberana Corticeira,Lda, e outras pequenas empresas.

A maior parte dos empresários da indústria corticeira (preparação de prancha) veio de São Braz de Alportel.

No período correspondente à grande depressão nos E.U.A. de 1929 a 1933 a Mundet encerrou as portas por um longo tempo.

Durante as várias crises nas décadas quarenta e cinquenta do século passado, as fábricas de Montijo de mão de obra intensiva, passavam a funcionar três dias por semana.

A Firma Mundet & Cia, Lda nos anos cinquenta esteve um ano e meio a três dias( trabalhavam e ganhavam só três dias por semana).

A indústria corticeira trouxe ao Montijo muito emprego e um grande desenvolvimento económico.

Hoje, a indústria de cortiça já não tem nenhuma expressão no Montijo.

A actividade de exportação de cortiça com a deslocação ao estrangeiro de vários técnicos e empresários e os contacto diários com clientes, num tempo em que quase não existia turismo, trouxe para o Montijo muita informação do que se passava na vida dos outros países.

Uma população informada tem uma sensibilidade mais inovadora por saber o que passa noutros locais. A população de Montijo à época tinha um grande conhecimento do que se passava no resto do país e no estrangeiro, pois existiam aqui centenas de empresários e técnicos que viajavam muito para vender ou comprar produtos.

José Bastos

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