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O Vitória de Setúbal e a Pluripar/SLN/BPNPor José Bastos

As forças políticas da cidade (todas), sabem da grande relação afectiva que existe entre o Vitória e a cidade e com medo de perderem votos aprovam tudo aquilo que lhes apresentam como solução para salvar o Vitória, sem pensarem no que vem a seguir e como tudo isto vai acabar.

Todos os partidos políticos têm medo de perder votos por causa do Vitória.

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O Vitória de Setúbal e a Pluripar/SLN/BPN Por José Bastos

Por Jornal Rostos

O Vitória de Setúbal, foi fundado em 1910, tem tantos anos como a República Portuguesa e faz um século no próximo ano.

Se o poder político e a sociedade civil de Setúbal, não se preocuparem com a grave crise financeira e directiva que o Vitória atravessa, o clube corre o risco de não chegar ao centenário. O Vitória já passou muitas crises mas lá foi sobrevivendo, com a esperança no cumprimento de um acordo com uma empresa imobiliária, a Pluripar, em que esta empresa se comprometia a construir um novo estádio para o Vitória, numa urbanização com 125 hectares e ficava com o estádio do Bonfim, a troco de uma renda anual, para ali construir um hotel de luxo, comércio e habitação.

A aprovação da urbanização no Vale das Rosas, à saída de Setúbal, a caminho do Alentejo, por causa da existência de cerca de 1500 sobreiros, tem sido muito polémica e de difícil concretização.

Entretanto, aconteceu o inesperado, o Banco Português de Negócios (BPN) foi nacionalizado, por ter um deficie de 1.800 milhões de euros e o seu ex-presidente do Conselho de Administração José Oliveira e Costa está preso.

E isto não é estranho aos problemas do Vitória, porque a SLN era a principal accionista do BPN e o grupo SLN detem 50% da Pluripar.

Está criada uma situação muito difícil para encontrar uma direcção, sem que tudo isto esteja devidamente esclarecido. A questão é de tal maneira complicada que nem mesmo os aventureiros tem coragem de avançar para a direcção.

A cidade de Setúbal tem uma paixão pelo seu Vitória e a população sempre teve um grande entusiasmo com os êxitos do clube. Em 2005 quando o Vitória, já estava há muito tempo em crise, venceu a taça de Portugal, a população saiu à rua em massa, para festejar o êxito com os jogadores, equipa técnica e dirigentes.

A inauguração do estádio do Bonfim em 1962, foi um dos momentos mais altos da história do Vitória e da cidade de Setúbal. O estádio está situado num local de excelência da cidade, junto ao parque municipal, num terreno cedido em direito de superfície pela Câmara para actividades desportivas.

O estádio do Bonfim faz parte da memória colectiva e da história da cidade de Setúbal e contribuiu decididamente para os êxitos e o prestígio que o Vitória atingiu nas décadas de sessenta e setenta do século passado.

Há anos que o Vitória vive com grandes dificuldades financeiras e com dívidas enormes, só possíveis quando se gasta mais do que aquilo que se recebe.

Perante o descalabro financeiro as direcções à época em vez de tentarem equilibrar as contas do clube, optaram por ir vendendo terrenos dos campos de treinos, junto ao estádio,para ir mantendo o clube a funcionar.

Venderam todos os terrenos junto ao estádio, mas nunca sanearam as contas e continuaram com receitas inferiores às despesas.

A situação deficitária continuou e o único património que existia era o estádio do Bonfim.

Há cerca de 12 anos uma empresa imobiliária a Pluripar, com a Câmara e a direcção do Vitória, acordaram salvar o clube, adquirindo a imobiliária o estádio do Bonfim por um longo prazo, para ali construir um hotel de luxo,habitação e comércio, pagando anualmente uma renda.

Entretanto, a empresa construía um novo estádio para o Vitória aUrbanização do Vale das Rosas à saída da cidade para quem vai para o Alentejo.

Segundo consta, a Pluripar foi avançando dinheiro das rendas, para aguentar o clube, mas tudo tem sido demorado e as despesas continuam a ser superiores às receitas.

As forças políticas da cidade (todas), sabem da grande relação afectiva que existe entre o Vitória e a cidade e com medo de perderem votos aprovam tudo aquilo que lhes apresentam como solução para salvar o Vitória, sem pensarem no que vem a seguir e como tudo isto vai acabar.

Todos os partidos políticos têm medo de perder votos por causa do Vitória.

Em relação ao futuro é um erro histórico destruir o estádio do Bonfim, um dos mais emblemáticos do país, situado num local de excelência, para ir jogar no Vale das Rosas a caminho do Alentejo. Assim as receitas ainda diminuem mais.

O objectivo do promotor imobiliário não é salvar o Vitória, mas sim obter lucro com o negócio e facilidades na aprovação na urbanização do Vale das Rosas. A salvação do Vitória passa sempre por equilibrar as receitas com as despesas.

Hoje, com a crise financeira da SLN que tem 50% da Pluripar e com a Nacionalização do BPN, tudo se complicou, é difícil encontrar um grupo de sócios para tomarem conta do clube, sem que a situação esteja esclarecida no grupo SLN.

Penso que o presidente da Assembleia Geral ainda em exercício deveria procurar uma reunião urgente com a administração da Pluripar, da Governadora civil e da Câmara, para tentarem encontrar uma solução a curto prazo para superar as dificuldades com os custos com os ordenados dos jogadores e outras despesas de funcionamento até ao final da época.

É difícil imaginar a cidade de Setúbal sem o Vitória, mas isso pode acontecer se o clube continuar em auto gestão e sem dinheiro para pagar aos jogadores profissionais.

O clube desportivo de Montijo, não tinha nem de perto nem de longe, o prestígio e a grandeza do Vitória, mas era um clube que militou muitos anos na segunda divisão nacional e por duas vezes chegou à primeira divisão. O processo foi igual ao do Vitória vendeu todo o património para ir equilibrando as contas, por fim cederam o campo de futebol para construção, por acordo com o proprietário do campo recebendo 50% do valor da venda.

Depois de terem vendido tudo, continuaram a gastar mais do que recebiam e acabaram cheio de dívidas e sem nenhum património.

Se não aparecerem gestores nos clubes, com mentalidade de equilibrarem as contas não é possível que os clubes com futebol profissional sobrevivam.

José Bastos
Montijo

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