A renovação do CDS-PP no distrito de Setúbal. Onde está?Por Paulo Soares
Desses quinze nomes, pelo menos cinco são já presidentes de comissões políticas concelhias do distrito – José Andrade (Sesimbra), Filomena Pinela (S. do Cacém), Henrique Ferreira (Barreiro), João Noronha (Seixal) e João Neves (Moita).
O CDS-PP no distrito de Setúbal não existe. Não tem capacidade para atrair caras novas nem para se desdobrar com outros militantes.

Por Jornal Rostos
Um ano após o termo do mandato da última Comissão Politica Distrital estatutariamente eleita, os poucos militantes do distrito vão eleger novos órgãos distritais no próximo dia 21 de Março. (v. composição da lista A em anexo, colocada no sitio do partido).
Para os que se esqueceram, tempos houve neste distrito quem defendesse que o CDS-PP fosse um partido da Direita de Valores bem definidos e públicos e de gentes de Carácter. Um partido que se regesse pela máxima de “nós por nós próprios”.
Um partido com uma agenda definida, com quadros qualificados e com militância activa. Um partido que pudesse ser o futuro da Direita.
Os dirigentes que vão ser eleitos, até agora, no que concerne a objectivos, ideias e valores a apresentar aos militantes, não disseram uma palavra.
Hoje como ontem, são os mesmos…exactamente os mesmos…
Suspeitamos, porque o Dr. Paulo Portas e aqueles que o rodeiam pelas mais diversas razões, já não têm capacidade para nos surpreender, que os temas que introduzirão serão os mesmos de sempre: internamente, a formação política e a captação de novos militantes e, externamente, a segurança, a família, a fiscalidade.
Quanto à lista! Ela é bem o reflexo das práticas do Dr. Paulo Portas, as quais têm vindo a minguar o CDS-PP, quer a nível do envolvimento dos seus militantes quer a nível da sua expressão eleitoral:
1. Os quinze membros a eleger nos três órgãos desempenham, já, na sua quase totalidade, para não dizer mesmo na sua totalidade, funções dirigentes nas estruturas locais e nacionais do CDS-PP.
2. O Dr. Nuno Magalhães, que encabeça a lista à Comissão Política Distrital de Setúbal é deputado na Assembleia da República. Licenciado em Direito, foi assessor do Grupo Parlamentar do CDS-PP, Secretário de Estado da Administração Interna e Presidente do Conselho Nacional de Jurisdição.
Foi também, Presidente da Comissão Política Distrital de Setúbal, sendo uma figura amplamente conhecida, tendo registado nas últimas eleições autárquicas, em 2005, nas quais foi cabeça de lista à Câmara Municipal de Setúbal, um resultado eleitoral muito expressivo.
Para o bem e para o mal, ele será o máximo responsável pela elaboração desta lista e pelo trabalho que a mesma realizar.
3. Desses quinze nomes, pelo menos cinco são já presidentes de comissões políticas concelhias do distrito – José Andrade (Sesimbra), Filomena Pinela (S. do Cacém), Henrique Ferreira (Barreiro), João Noronha (Seixal) e João Neves (Moita).
4. Dos quinze nomes, pelo menos sete desempenham funções em órgãos nacionais – Manuel Machado (Senado), Nuno Magalhães (Vice-Presidente da Mesa do Conselho Nacional), Miguel Roquette (Comissão Política Nacional), Filomena Pinela (Secretária da Mesa do Congresso), Henrique Ferreira (Conselheiro Nacional), Joaquim Gonçalves (Vogal do Conselho Nacional de Fiscalização) e Abel Pedroso (Senado).
5. Por outro lado, desses quinze nomes, seis (isto é, mais de um terço!) estão ligados à estrutura concelhia de Setúbal – Ana Birrento Silva, Nuno Magalhães, Miguel Roquette, Joaquim Gonçalves, Abel Pedroso e Eduardo Pinto.
Este é o resultado final de quase um ano para eleger estruturas locais como as que foram eleitas por todo o distrito. Seria curioso verificar a composição das mesmas e o trabalho político que elas têm realizado.
Internamente, e se tivermos em consideração os resultados das últimas directas, nas quais apenas votaram 83 militantes (no caderno eleitoral constam cerca de um milhar), o trabalho é nulo.
Aos distraídos, comparem com o número de militantes que votaram em anteriores Directas, quando era presidente da Comissão Política Distrital de Setúbal do CDS-PP o Dr. Carlos Dantas.
Externamente, o trabalho está à vista de todos.
Esta breve análise da composição dos órgãos distritais que o CDS-PP irá eleger no próximo dia 21 de Março, evidencia à sociedade uma realidade indesmentível: o CDS-PP no distrito de Setúbal não existe. Não tem capacidade para atrair caras novas nem para se desdobrar com outros militantes.
Sintomático do que digo é, por um lado, se verificar, pela primeira vez, em muitos anos, que o Conselho Distrital de Jurisdição integra elementos que não são licenciados em Direito e, por outro lado, pelo exemplo destas listas, prevermos que o CDS-PP não irá dar cumprimento à lei da paridade no que concerne à participação das mulheres em listas eleitorais… com efeito, duas em quinze elementos é manifestamente muito pouco.
No próximo dia 21 de Março, o que vai ser dado aos militantes do CDS-PP e, subsequentemente, ao eleitorado do distrito de Setúbal, é uma lista de reduzida expressão eleitoral e de duvidosas capacidades de trabalho, se atendermos apenas e tão só às responsabilidades que têm os seus membros em tantos órgãos do partido.
O próximo dia 21 de Março é a confirmação da política do “Bunker” por parte do Dr. Paulo Portas, o qual tem reduzido sistematicamente o CDS-PP a um instrumento dos seus interesses, rodeando-se de um punhado de “fidelíssimos”, que a tudo se sujeitam.
Paulo Soares
Ex- Presidente da Concelhia do Barreiro do CDS/PP
Ex – Conselheiro Nacional do CDS/PP
Ex – Vogal do Conselho Nacional de Jurisdição do CDS/PP
Ex – militante do CDS/PP
Nota da Redacção - O artigo só agora foi editado porque estivemos a aguardar a fotografia do autor.














