Saltar para o conteúdo
Quotidianos

A vida de um pobrePor Pedro Graça Lopes

Soube pelas notícias que existe uma forte possibilidade de Portugal declarar insolvência (falir, portanto) daqui a 5 anos. Esperança das esperanças… já falta pouco, para aquilo que alguns têm vindo a aguentar. Acaba-se o Estado tal qual o conhecemos, acabam-se as maiores empresas por via de nacionalizações pouco transparentes mas menos eficazes, acabam-se as pequenas porque as grandes não compram, acaba-se a Crise. Cada um por si, como Deus nos pôs no mundo.

3 min de leitura
A vida de um pobre Por Pedro Graça Lopes

Por Jornal Rostos

Começo por perguntar… Quanto vale a vida de um pobre? Pelo que faz, pouco, não tem ideias produtivas, não cria bom ambiente nas empresas, excepto, talvez, junto de um grupo de outros amigos de mesma condição, tem tendência a aproveitar, sem grande proveito, todas as proporcionadas escapatórias de distracção e regalo. Pelo que cria, pouco, tendências e desvarios egocêntricos, deficit de instrução e participação familiar, despreocupação quase completa para com o seu legado. Pelo que gera, menos ainda, discussões quase exclusivamente sobre desporto (que agora, pelos vistos, é tema também dos governantes), desinteresse pelo bem-estar de quem com ele se cruza, cansaço social e algumas atitudes bem anti-sociais, fortes pitadas de maledicência e de insinuações pouco recomendáveis.
Vale um voto. Não interessa mais e termina como começou. O trabalho, o seu, está ao serviço de uma empresa que, se não procurar e for bem sucedida na obtenção de algum extraordinário tipo de favorecimento estatal ou político, será efectiva e inevitavelmente tragada no mercado dos compadrios. A sua família, que toda a gente conhece e ninguém mais aprecia, terá de se sujeitar, ocasionalmente e sem fim, a filas para a educação, a cupões de cuidados médicos descaracterizados, a candidaturas recusadas e reformuladas nos centros de emprego. Os seus amigos não serão perseguidos por o serem, mas reúnem todas ou quase todas as condições anteriormente descritas, é um afogo. Poucas visitas, alguma conversa e muita mágoa. Ele, o pobre, tem de suportar tudo, mais ainda, provavelmente, e não se preocupar com nada mais para além da sua não valia.
É difícil obter para ele um pequeno quinhão de felicidade? De o tornar social? Sim, pelo voto. Que o apazigua, principalmente quando a ele se recusa mas procura influenciar quem sabe que o pratica. Psicologia inversa. O último reduto de um ser que recusa a intolerância… Vale uma vida de sacrifício.
Soube pelas notícias que existe uma forte possibilidade de Portugal declarar insolvência (falir, portanto) daqui a 5 anos. Esperança das esperanças… já falta pouco, para aquilo que alguns têm vindo a aguentar. Acaba-se o Estado tal qual o conhecemos, acabam-se as maiores empresas por via de nacionalizações pouco transparentes mas menos eficazes, acabam-se as pequenas porque as grandes não compram, acaba-se a Crise. Cada um por si, como Deus nos pôs no mundo. Vamos todos aprender uma língua estrangeira e migrar por esse Mundo fora, para algum lado onde não soprem ventos de cá, que o interesse também não vai ser muito. Recusa… a última fronteira. Já muitos a transpuseram e todos se deram bem. Vejam-se os políticos da Maioria… Alguns, ainda assim, decidir-se-ão a ficar por cá e continuar a governar-se a eles mesmos. Os restantes, pobres, não sei o que será deles.

Pedro Graça Lopes

Publicidade

Notícias relacionadas

Publicidade

Notícias por secção