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A Pergunta de FidelPor José Assis

Cidade geoestratégica, central face à plataforma Atlântica-Mediterrânica, virada para outros continentes e aberta ao mundo, a meio caminho entre os pólos, num país que não se esquece e tem orgulho na sua história, Setúbal daria, dará esperamos, o seu contributo singelo para a reestruturação da OTAN.

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A Pergunta de Fidel Por José Assis

Por Jornal Rostos

No seu primeiro teste à sua capacidade de influenciar os seus colegas governantes, Obama saiu com nota positiva da sua primeira visita à Europa, evidenciando a sua dimensão de um bom diplomata e bom comunicador.A reunião do G 20 acabou por dominar a actualidade, com a resposta imediata de cariz financeiro concluindo-se pelo total, até ao presente momento, da injecção de 6 biliões de dólares no sistema financeiro mundial, repartidos entre a UE e os EUA, sendo uma medida de transmissão de confiança e,porventura, decisiva na terapia da crise, à qual deverá acrescer outras medidas de cariz económico e social. Mas mais do que a sua capacidade em aglutinar energias, os impactos laterais da sua primeira deslocação externa, nos locais que não visitou, já se sentem.

É já visível o posicionamento dos cubanos face aos sinais de abertura dos norte americanos, quanto a um relacionamento futuro, tão futuro quanto possível, entre os dois Estados. No El País, Armando Hart garantiu que se Obama aliviar a tensão entre os dois países o combate ideológico começará uma nova etapa. É sintomático que, perante a possibilidade de um passo para o entendimento expurgador do embargo que, aliás a ninguém aproveita, um dos ideólogos de serviço do regime cubano, avance com a ideia de reforçar o combate ideológico,como se de último reduto se tratasse, resistindo a uma possível e desejável mudança. De que terá receio o ideólogo? Que o contágio do capitalismo à ilha aconteça naturalmente? Ou, pelo contrario, estará Armando à espera que, com a sua nova etapa, os cubanos conquistem os EUA que, deslumbrados pelo socialismo, adeririam à sua causa? Quem quer embargar quem? O que não deixou dúvidas foi o "ponto de ordem à mesa" realizado por Fidel Castro que, em encontro com Congressistas Democratas, do Congressional Black Caucus, porventura a preparar o trabalho de Obama para o tal alivio, que ocorrerá ainda neste mês de Abril, lhes terá perguntado o que é preciso fazer para ajudar Obama a executar a transformação da politica externa norte americana, nomeadamente nas relações bilaterais entre os EUA e Cuba.

De volta à discussão sobre a necessidade de não romper com a institucionalização das relações internacionais, antes pelo contrário de adequar as instituições à ordem internacional, que reconhecidamente já é diferente do após queda do muro de Berlim e muitíssimo diferente do após segunda Guerra mundial, a reforma da defesa comum prepara-se, justamente, para tomar conta da agenda politica. O aniversário do Tratado Atlântico Norte, e a notícia de que a OTAN quer repensar o seu funcionamento e, porventura, a sua área de influência e acção, com um encontro dos países membros a realizar em Portugal em 2010/2011, colocou Portugal no roteiro do que, espera-se, seja o retomar, da discussão sobre o papel da OTAN.

A OTAN foi criada depois da segunda Guerra Mundial e é bom ter presente que a exposição de motivos que levou à sua origem tem o enfoque principal na defesa da paz , nos princípios da liberdade, da democracia e da acção militar defensiva, que legitima as acções hostis, somente em reacção directa a um perigo iminente. Bem sabemos o que resultou do conceito de guerra preventiva, interpretado à maneira unilateral da administração Bush e para o qual a OTAN não foi "tida nem achada" e da aplicação prática desse conceito. Resultou a guerra permanente, a desestabilização que afectou a economia global e o recuo no desenvolvimento dos planos de paz. A OTAN é, por definição, uma organização internacional virada para a paz e só faz sentido num quadro de intervenção de força na defesa da paz. Não concorre já com o Pacto de Varsóvia mas deve concorrer para o entendimento pacífico dos povos.

Estranho a extrema esquerda querer que Portugal abandone a OTAN. Ao contrário do que desejam os esquerdistas, é muito importante que Portugal se mantenha na OTAN e que seja um dos principais protagonista nessa organização militar. A afirmação de Portugal na OTAN é um sinal claro, mais um, de afirmação como país incontornável na globalização de meios e recursos e, no caso da segurança mundial, uma afirmação como ponto estratégico na defesa comum global, contribuindo para um mundo para a paz. 2010/2011 UM MUNDO PARA A PAZ deve ser o tom da cimeira da OTAN, desejavelmente uma cimeira que alargue a OTAN, não só como uma organização entre europeus e norte americanos mas também que desenvolva uma agenda para a paz integrando países de outros quadrantes do globo.

O alargamento da OTAN, a redefinição de "ataque armado" constante no artigo 6º do Tratado- definição essa só entendivel à luz do desenvolvimento da paz e da defesa dos valores civilizacionais comuns - o reforço da obediência devida pela acção da OTAN à Carta das Nações Unidas, em cooperação com a ONU mas em autonomia e independência total, podiam ser alguns dos pontos de discussão da cimeira, que, realizando-se em Portugal, poderia muito bem ter Setúbal como anfitriã. Cidade geoestratégica, central face à plataforma Atlântica-Mediterrânica, virada para outros continentes e aberta ao mundo, a meio caminho entre os pólos, num país que não se esquece e tem orgulho na sua história, Setúbal daria, dará esperamos, o seu contributo singelo para a reestruturação da OTAN.
Entre muros da UE, Setúbal assume um papel importante para a projecção da Europa e a construção do projecto europeu. As próximas eleições para o Parlamento Europeu também colocaram Setúbal na rota da representação da Europa das regiões,por direito próprio. O PS na sua lista concorrente a uma eleição da maior importância como as Europeias,não pode deixar de renovar a confiança em Joel Hasse Ferreira, como candidato efectivo. Conhecedor profundo da Europa e das questões Europeias continuará a fazer o seu muito bom trabalho no Parlamento Europeu e continuará a ser, sobretudo, um óptimo portador dos valores da esquerda progressista e moderna na Europa.

José Assis

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