Os processos muito mediáticos conduzem a absolvições ou penas levesPor José Bastos
E o que falhou? Falhou a prevenção e as punições. Há cada vez mais crimes de colarinho branco e pessoas sem vergonha apesar do mediatismo dos casos que aparecem e do alarido que faz a comunicação social.

Por Jornal Rostos
Os magistrados, os polícias e os jornalistas, estão convencidos que prestam um bom serviço à comunidade e que previnem melhor o crime se fizerem saltar para a comunicação social tudo o que está em segredo de justiça , referente a processos de políticos e empresários conhecidos no país.
Quando os casos aparecem, todos os jornais, televisões, rádios e blogues falam do assunto semanas e às vezes meses e repetem notícias que já deram com intenção de não deixar o assunto cair em esquecimento.
Estou certo que esta estratégia é bem intencionada e tinha por fim informar a sociedade portuguesa dos políticos corruptos e dos empresários desonestos que têm enriquecido por métodos ilícitos à custa dos que são sérios e pagam os seus impostos. E prevenir, pelo medo de entrar no “circo mediático”, que outros façam o mesmo.
A dose mediática é tão grande que os arguidos já não ligam nenhuma e gozam com aqueles que os querem julgar na praça pública. Os tribunais acabam por dar razão aos arguidos. As pessoas desonestas gostam de correr riscos e até se sentem bem a falar todos os dias para os jornais, rádios e televisões. Tornam-se tão mediáticos que a seguir ganham eleições.
Sou de opinião que quando aquilo que parece uma boa ideia falha, não devemos continuar, como se nada tivesse acontecido. É assim a vida, quer seja na política, no jornalismo, nas magistraturas, na polícias ou na nossa vida.
E o que falhou? Falhou a prevenção e as punições. Há cada vez mais crimes de colarinho branco e pessoas sem vergonha apesar do mediatismo dos casos que aparecem e do alarido que faz a comunicação social.
O caso do BPN é o mais grave que até hoje aconteceu no país, homens a caminho da terceira idade dirigidos por ex- membros de governos do Professor Cavaco Silva construíram em pouco tempo um império financeiro que faliu e vai custar aos contribuintes portugueses muitos milhões (biliões) de euros e percebe-se agora que tinham contactos secretos, pois não foi por acaso que souberam antecipadamente que a polícia ia às suas instalações e também que o aeroporto ia ser construído no Campo de Tiro de Alcochete antes do governo o anunciar. Trata-se de uma rede organizada vinda do governo ao serviço do crime, uma associação de malfeitores Toda esta gente que se servia do BPN tem alguns escrúpulos ou medos que a comunicação social os julgue na praça pública?Eles querem é enriquecer a qualquer preço, mesmo que esse preço seja a prisão. São uns gananciosos sem carácter. E mesmo quando são ricos e vão presos vivem muito melhor nas cadeias do que aqueles que são pobres. Não lhes falta nada. A sociedade no seu conjunto é tolerante com o crime de colarinho branco. É subserviente ao dinheiro!
Os banqueiros do BCP e do BPP, pessoas até há bem pouco tempo muito consideradas como pessoas de bem, fizeram o que fizeram e nunca tiveram medo da comunicação social.
Os tribunais também não ajudaram e absolveram Avelino Ferreira Torres e Pinto da Costa, que tinham sido julgados na praça pública pela comunicação social.
Fátima Felgueiras, centenas de horas na comunicação social, fugiu para o Brasil, foi entrevistada quando quis naquele país, voltou para se recandidatar à Câmara de Felgueiras e ganhou as eleições. Julgada foi condenada a uma pequena pena da qual recorreu. A senhora domina com perfeição as técnicas mediáticas. É uma verdadeira artista!
Domingos Névoa quis subornar José Sá Fernandes com 200.000€. Foi julgado e condenado a pagar uma pequena multa de 5.000€. O que se diz por aí é que a justiça está a brincar connosco.
Os eleitorados dos concelhos de Felgueiras, Gondomar e Oeiras também não ajudaram, pois voltaram a eleger os presidentes de Câmara, que não se candidataram pelos partidos que representavam, mas como independentes. Então são só os políticos que são desonestos? Os partidos políticos estão desacreditados? E o que dizer do eleitorado? Será que o povo tem sempre razão?
Isaltino Morais está a ser julgado no tribunal de Sintra. O “circo mediático” montado à entrada e saída do tribunal e o que o ainda presidente da Câmara de Oeiras diz é uma ofensa às pessoas honestas e cumpridoras deste país.
Foram milhares de horas na comunicação social durante anos para estes casos para quê? Para denegrir a imagem da justiça e da comunicação social.
A ideia que fica na opinião pública é que ninguém é condenado e que os suspeitos ou arguidos até gostam de andar todos na comunicação social, o que não é verdade, pois houve casos com muito menos ruído, em que os presidentes de câmara foram condenados a prisão efectiva e não se voltaram a recandidatar.
Todos sabem quem são Avelino Ferreira Torres, Fátima Felgueiras, Isaltino Morais e Valentim Loureiro que continuam a ter possibilidade de se recandidatar aos seus concelhos, como independentes, aqui não se pode culpar os partidos, depois de terem andado anos no “circo mediático” que montaram em volta deles.
Poucos ouviram falar, embora fossem noticiados os casos de António Lobo, António Cerqueira, Luís Gabriel Rodrigues, Mário Pedra e César da Costa Santos que foram julgados nos últimos anos e condenados a prisão efectiva e não se voltaram a recandidatar porque a lei não o permite.
A estratégia tem que mudar. A justiça tem que investigar e julgar, a comunicação social tem que informar, mas sem grandes exageros, porque os casos que andaram nas bocas do mundo durante anos acabaram em nada.
A informação nestes casos de justiça é como o tempero na comida, quando é de mais em vez de ajudar prejudica.
José Bastos














