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Quotidianos

A defesa da mumificaçãoPor José Assis

Para além de absolutamente deslocada das necessidades do país e das acções a tomar para o combate persistente da crise, a Drª Manuela Ferreira Leite, na entrevista que deu à SIC,não conseguiu esconder o modelo de sociedade que defende, saudosista de um passado, que pensei já afastado dos espíritos, mesmo os ultra conservadores, do tipo de meter o dinheiro debaixo do colchão e ficar parado à espera que a tempestade passe.

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A defesa da mumificação Por José Assis

Por Jornal Rostos

Não me surpreendeu, em nada, o que a Presidente do PSD e candidata a Chefe de Governo, defendeu quanto ao futuro do país. Para mim foi evidente que defende um país mumificado, sem investimento, triste, só e isolado da Europa e do Mundo. Sobre a construção do projecto Europeu, nada acrescentou, porque nada disse. Sobre a visão que tem para o país, se é que tem alguma, só conseguiu afirmar que os investimentos públicos decididos pelo Governo são um "luxo", que serão pagos nas próximas décadas e que não precisamos deles para nada, incluindo o TGV que foi decidido no seu governo mas que fez questão de dizer que não assinou, porque podemos perfeitamente ficar isolados dos países da UE.

Se ganhar as eleições, coisa que para a Drª Ferreira Leite é indiferente já que disse " se não ganhar não ganho", todos os investimentos já decididos e em andamento,desde o aeroporto à terceira travessia sobre o Tejo, serão cancelados, o país ficará, portanto, parado, e esses "luxos", como ela o afirmou, ficarão para as calendas. Sobre o modelo social do país e o que pensa quanto às funções sociais do Estado aos costumes continuou sem nada dizer e daí não passou: cancelo tudo, viro as costas ao mundo e um dia... havemos todos de morrer.

A determinado momento, a conversa pareceu-me muito semelhante a umas daquelas que ouço relatar e que os mais velhos do que eu se lembram perfeitamente, marca, aliás, de um passado ainda recente e do tempo da velha senhora, em que o presidente do Conselho se dirigia aos portugueses também para defender que nada se fizesse, que guardassem o dinheiro no colchão, que se não há dinheiro para isto ou para aquilo então... o que se há-de fazer, que se resignassem a ter opinião e a lutar pela vida, que continuassem no escuro de uma vida sem futuro e votada à aceitação da miséria. O triste resultado dessa mentalidade encafuada foi o obscurantismo. Francamente não consigo ver nada mais nas palavras da Drª Manuela Ferreira Leite que não a perspectiva obscurantista do futuro. Um futuro que quer, inequivocamente, constituído por resignados, que nada ambicionam e que não querem que se dê um salto qualitativo num país que muito tem para dar às gerações futuras e que não pode ficar resignado.

É nos momentos de crise que se vê a massa dos que governam. Podem tudo dizer do Primeiro Ministro, aliás pouco já falta dizer, mas não podem dizer que ele se resignou, que parou, que não quer investir ,que encolhe os ombros, porque se o dissermos estamos a ser injustos e a faltar à verdade. E veja-se que o Primeiro Ministro tem sido atacado nos mais diversos aspectos, políticos e não só. Todavia, mantém a sua determinação e a sua energia. Não desiste, não se resigna .

O tom encafuado, triste,escuro como o fundo do seu outdoor, resignado e cheio de bolor, com que a Drª Manuela Ferreira Leite se dirigiu ao país não inspira crédito nem confiança para o futuro, em especial em tempos dificílimos como os que se vivem.

Nos EUA a administração, até Bush que tomou ainda medidas nesse sentido, usou o investimento público para o combate à crise e há sinais que os frutos positivos vêm aí. Na Europa as medidas de intervenção pública, ao nível económico e financeiro foram tomadas.No Japão o dinheiro público está a servir para aliviar a crise, numa recessão que atingiu uma profundidade relevante, na Islândia a vontade popular foi a de conferir à esquerda o mandato para a execução de politicas com a intervenção preponderante do Estado, em Portugal a Drª Manuela Ferreira Leite defende que se feche o país, orgulhosamente isolado, até que algo aconteça. Pior: manipula a conversa com a demagogia do proteccionismo,sem investimento estruturante.

Onde pára a Social Democracia do PSD?

Agora temos a certeza que o regresso às conversas em família e ao Portugal da triste sina,não é só um ideal do Dr Paulo Rangel, a sua Presidente de partido também o acompanha.Um regresso ao passado, que nem Abril os demove.

José Assis

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