A Manifestação delesPor António Chora

Por Jornal Rostos
“Eles” ao longo dos anos não esqueceram nada nem ninguém, mas também não aprenderam coisa nenhuma. A manifestação, que devia ser também festa, a festa dos trabalhadores, a festa que também é luta, mas luta de protesto contra as politicas selvaticamente capitalistas que a nível mundial que desprezam as pessoas e também contra as politicas liberais levadas a cabo pelos Governos da Direita e do Partido Socialista, que em conjunto ou separados governam Portugal há mais de 30 anos.
Infelizmente, em vez de festa, assistimos a um grupo de pessoas que da Democracia tem a mesma noção que Hitler e Estaline e por isso não entendem que em Democracia não há inimigos, mas apenas adversários e que em Democracia, o protesto e a festa se faz com todos e não só com “eles”. Esta gente, não gosta dos que por questões ideológicas os abandonam, não entendem os adversários como alguém que faz parte da Democracia, a Democracia que temos, graças a muitos que lutaram antes e depois do 25 de Abril para a consagrar como regime. O direito à indignação, é um direito de todos, eu pessoalmente discordo de muitas das políticas do Partido Socialista, contesto-as, verbalmente em comícios em Plenários de Trabalhadores e por escrito onde me deixam.
Sempre tenho assistido a delegações do PS, encabeçadas nomeadamente por Vitor Ramalho, a aparecerem nas manifestações do 1º de Maio e a cumprimentarem a direcção da CGTP e sempre assisti aos que de política só vem o seu umbigo e lançam uns assobios, mas nunca esperei que 35 anos depois de Abril, haja ainda quem não saiba quem é o seu adversário. Podemos dizer que entendemos a revolta das pessoas, a situação é grave, o desemprego é enorme e que em tudo isto o capitalismo e os que o apoiam tem culpas, mas isso desculpa alguma coisa?
No ataque a Vital Moreira, as palavras mais ouvidas eram “traidor” “tem vergonha”, ouve mesmo alguém ideologicamente hibernado, que tem uma concepção saudosista da democracia popular, que num breve diálogo, entendia que Vital Moreira devia ter vergonha, não devia estar por ali, aquilo era dele ou “deles”.
E é isso eu próprio já fui impedido de entrar em manifestações supostamente “deles”, como aconteceu em Guimarães, na manifestação contra a cimeira europeia, só porque estava identificado com roupa do partido de que sou militante, quando alguns “deles”, até as suas bandeiras levavam, na grande manifestação de Lisboa aquando do Tratado de Lisboa, vi pessoas serem retiradas à força por “eles” quando cumprimentavam a delegação em que me encontrava.
Felizmente, esta não é a atitude da maioria dos trabalhadores e cidadãos que participam nas manifestações da CGTP, é apenas a atitude “deles”.
Podem “eles” alegar que Vital Moreira não devia incorporar a delegação do PS, mas afinal, se eu convido uma família a vir a uma festa, das duas uma, ou faço convites unipessoais, ou tenho o dever e a obrigação de receber quem vem e de lhe garantir todo o bem-estar e segurança possível.
Pessoalmente fiz chegar ao dirigente da CGTP Carlos Trindade e a Vitor Ramalho a minha solidariedade extensível a toda a delegação, contra as agressões e pela coragem que mostraram.
Não concordo, com os que atribuem a responsabilidade e exigem pedidos de desculpas do que aconteceu ao PCP e à CGTP enquanto organizações politico sindicais, e pessoalmente, do PCP não espero nada, pois a manifestação não era deles, mas há CGTP, é exigido que leve a cabo rapidamente um Plenário Geral de Sindicatos, onde, a par de ideias e respostas para sair da crise e da continua condenação das politicas que agravam a vida das populações, condene veementemente os acontecimentos e faça circular essa condenação, como orientação para os sindicatos lerem em Plenários de trabalhadores.
Em 2009, 35 anos depois do primeiro 1º. de Maio festejado em Liberdade, o que ficou para memória futura, para os historiadores que um dia sobre estas comemorações se debrucem, não são os milhares de trabalhadores que se manifestaram contra as medidas capitalistas nacionais e internacionais, contra o grande colapso do capitalismo, tampouco ficará na memória os discursos dos sindicalistas colaborando, ou melhor, exigindo outras politicas e mais justiça social.
Porque eles não esquecem nada, mas não aprendem coisa nenhuma o que ficará em todos os documentos escritos, será a verborreia dos ideologicamente hibernados, bem como a atitude caceteira, aguadeira e cuspideira daqueles que apareceram em todos os jornais e telejornais ofuscando a manifestação.
Antonio Chora
Delegado sindical do STIMMS
Coordenador da Comissão de Trbalhadores da VW Autoeuropa














