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Quotidianos

Mais Europa.Por José Assis

Só a esquerda democrática, solidária e social poderá conduzir a uma Europa Unida. A esquerda conservadora é um obstáculo. A direita descolorida, que maioritariamente integra a família do PPE, é uma desilusão.
Eu sei o que o PS quer e sei que Vital Moreira acompanha os ideais socialistas, partilhados por todos os socialistas que se candidatam ao Parlamento Europeu. E sei que os socialistas que vão para o Parlamento Europeu não deixarão de dialogar com todos os democratas.

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Mais Europa. Por José Assis

Por Jornal Rostos

Com o convencimento da importância do orçamento europeu, para o investimento público na Europa livre e para a recuperação económica alavancada nesse investimento, a União Europeia não deve perder esta oportunidade para se reorganizar e passar, definitivamente, a uma entidade que, mais do que unida por um conjunto de tratados e normas comunitárias, seja efectivamente portadora de uma governação económica comum, eficaz e assumidamente europeísta, com os valores plurais e da pluralidade democrática, representativa dos povos, bem marcados na sua acção.
Apesar de nunca ter sido um adepto convencido do federalismo, por questões de natureza óbvia de acreditar que é possível concretizar a Europa Unida sem o modelo clássico do federalismo,e face o comprometimento desse modelo por força dos sucessivos alargamentos, sendo a entrada em vigor do Tratado de Lisboa o culminar do "Europeísmo não Federal" na medida em que, quanto mais for considerado o Tratado Constitutivo da União Politica mais afasta o sistema federal puro, o que é certo é que hoje não se pode deixar para trás o debate, aberto,alargado e franco sobre a Europa comum, em especial em época de decisões importantíssimas para a Europa como as eleições do próximo dia 7 de Junho.

Com a Alemanha a contrair 5,4% em 2009, a Espanha com 20% de desemprego em 2009, a Irlanda a contrair 9% em 2009 , Portugal e a França abaixo da contracção da Filândia que ficará pelos 4,7% e os déficites públicos europeus a disparar acima dos 5%,com as previsões para 2010-porventura revistas em baixa em tempo oportuno-que evidenciam uma recuperação mas quase sempre na casa do crescimento negativo, é tempo de se reflectir sobre o futuro económico da Europa, avaliar a "experiência euro", sem a qual aliás não teria sido possível resistir à crise global, e partir para o patamar seguinte de concretização do modelo social europeu, com especial incidência em politicas comuns de emprego.
A Europa não está numa encruzilhada, está sim num desafio. E os povos da Europa devem responder positivamente a esse desafio, participando o mais possível e, deste modo, comprometendo as famílias políticas representadas no Parlamento Europeu. Mais do que uma entidade que distribuí fundos ou que acaba com fronteiras, a União só conseguirá sobreviver se assumidamente consolidar o seu processo politico.Para isso é preciso que Lisboa não seja apagada, nem da estratégia, nem do Tratado, definidos por Presidências Portuguesas, primeiro sob a égide de Guterres, depois com Sócrates.
Tanto mais que economias como a Norte Americana e a Brasileira dão sinais de recuperação e no Médio Oriente o Irão quererá ocupar o vazio deixado pela retirada dos Americanos, ocupação essa que se poderá transformar numa cruzada de índole económica, na base do mercado do petróleo e no nuclear energético, agora que o ministro dos estrangeiros deste recente governo de Israel já redefiniu e apontou o "eixo do mal".
Face a tudo isto, com a Europa a não se definir, os EUA a recuperar e a concentrar a sua recuperação numa cooperação de interesses com a América Latina- nem que para isso Obama tenha de, mesmo que parcialmente, desembargar Cuba- uma solução de governação europeia que melhore este estado de coisas e que permita fazer as pontes para o resto do mundo só pode ser uma solução que integre uma participação reforçada da esquerda democrática e dos seus ideais na Europa. E, nesse campo, é preciso saber qual o papel que a esquerda democrática quer desempenhar na Europa, em conjunto com todos os democratas humanistas europeus.

Alguns governantes de democracias Sul Americanas, à sua maneira, como Lula da Silva, claramente vão querer abalançar-se como referência para uma alternativa e uma nova ordem e vão tentar conversar melhor com Obama do que com Barroso ou Sarkozy. Novos blocos económicos informais poderão constituir-se e nós europeus não podemos ficar a falar para dentro.
É preciso mais Europa, com uma articulação mais eficaz na economia comum e sem complexos do social europeu comum.

Em Portugal, lamentávelmente, os partidos que se sentam à esquerda do PS, no hemiciclo parlamentar, representam o conservadorismo face à Europa. Não querem a Europa política e económica, como nunca quiseram. Matérias como o ambiente, as energias renováveis, as liberdades, o personalismo, não são defendidas nem por comunistas, nem pelos verdes e são mesmo abafadas pela sua postura euro-céptica ou anti-europeísta. Anti-sistémica como muito bem sintetizou Vital Moreira. Estão radicalizados e já demonstraram a sua intolerância face à Europa, escolhendo a Alameda em Lisboa para essa manifestação de intolerância e deixaram claro que estão predispostos à intolerância.

Só a esquerda democrática, solidária e social poderá conduzir a uma Europa Unida. A esquerda conservadora é um obstáculo. A direita descolorida, que maioritariamente integra a família do PPE, é uma desilusão.
Eu sei o que o PS quer e sei que Vital Moreira acompanha os ideais socialistas, partilhados por todos os socialistas que se candidatam ao Parlamento Europeu. E sei que os socialistas que vão para o Parlamento Europeu não deixarão de dialogar com todos os democratas.

José Assis

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