Os conflitos no bairro da Bela Vista em SetúbalPor José Bastos
Aceito que se cometam erros em política, só não erra quem não decide, mas depois de ter errado e continuar no erro é para mim motivo de grande indignação.

Por Jornal Rostos
O Bairro da Bela Vista em Setúbal, tem 7.000 habitantes é um guetto, onde vivem pessoas carenciadas , das mais variadas raças e origens.
Este Bairro viveu nestes últimos dias uma situação explosiva muito grave e o que se passou não tem nada a ver com a crise e com o aumento do desemprego. Segundo as estatísticas oficiais o desemprego aumentou em Setúbal de Dezembro 2007 para Dezembro de 2008, 2%. No Bairro existe é um desemprego crónico.
Os guettos são exclusivos e toda a cidade deveria ser inclusiva. Afirmei isso ainda a semana passada antes de rebentar a revolta no bairro.
Há muitos anos que defendo a cidade inclusiva, discordando sempre da construção de condomínios privados e que atirem com os carenciados para guettos na periferia das cidades.
As crianças crescem nestes bairros segregadas, não têm nenhuma auto-estima e os seus ídolos são muitas vezes os ladrões e os criminosos lá do bairro. Vivem numa cidade que os excluiu e os estigmatizou desde tenra idade.
O que se passa hoje no Bairro da Bela Vista é um caso de polícia e esta tem que actuar com determinação para defender a segurança das pessoas e o estado de direito, até porque estamos em presença de perigosos cadastrados, dispostos a tudo.
Penso, no entanto, que este problema não se resolve sempre com mais polícias como pretende o Dr. Paulo Portas e os seus seguidores. Já existe uma esquadra dentro do Bairro e qualquer dia temos um polícia à porta de cada família.
Temos que ir à raiz do problema. Existem soluções difíceis de aplicar, mas com uma estratégia inclusiva de médio/longo prazo de políticas de ocupação do território da cidade se conseguem melhorar as condições de vida de todos numa percentagem muito elevada.
É uma questão de cidadania, que só se resolve com políticas acertadas, com tempo e com a participação de todos os cidadãos. Os radicalismos populistas não resolvem nada, muitas vezes ainda agrava as dificuldades que já existem. O Dr. Paulo Portas sabe se um dia a polícia se volta contra ele?
A nossa sociedade no seu conjunto sem se aperceber, criou as condições ideais para o nascimento de crianças destinadas ao crime para serem metidas em cadeias ou abatidas a tiro num assalto qualquer.
Aceito que se cometam erros em política, só não erra quem não decide, mas depois de ter errado e continuar no erro é para mim motivo de grande indignação.
Andam muitos “betinhos” na política, por vezes inteligentes e com bom discurso, mas sem terem nenhum conhecimento da vida. Falam do Serviço Nacional de Saúde, sem nunca terem ido a um hospital público ou a um centro de saúde. Falam por vezes a favor dos carenciados mas têm medo de se deslocar a um bairro periférico.
Existe de facto preconceito na sociedade portuguesa, mas eu sei de experiência vivida que as relações humanas melhoram se as pessoas de todas as classes conviverem, melhora a auto-estima dos carenciados e a convivência entre vizinhos. Os jovens contrariamente aos adultos não têm preconceitos.
José Bastos














