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Quotidianos

O Futebol no distrito de SetúbalPor José Bastos

O modelo dos nossos clubes está de facto esgotado, mas o futebol não, por isso é absolutamente necessário que as autarquias e a sociedade civil em cada concelho, encontrem um novo modelo de gestão/organização, a partir da formação e das camadas jovens que traga novamente o interesse local por este popular desporto de massas.

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O Futebol no distrito de Setúbal Por José Bastos

Por Jornal Rostos

Durante o século XX o futebol teve grande influência na vida das populações da zona Norte do distrito de Setúbal.

As populações, especialmente homens, iam muito ao futebol na sua Terra e acompanhavam as equipas quando se deslocavam ao campo dos adversários,

Participavam sempre na primeira divisão o Vitória de Setúbal, Barreirense e CUF do Barreiro. O Montijo, Amora e Seixal, participavam normalmente na segunda divisão nacional, mas também passaram pela primeira divisão.

Da segunda divisão eram também o Sesimbra, Cova da Piedade e Almada.

Muitos jogadores destes clubes foram transferidos para clubes grandes de Lisboa e Porto e foram internacionais.

Era à época o grande entretenimento das populações locais (homens). Eram raras as mulheres que iam ao futebol.

Hoje, tudo se transformou e o futebol nesta região está numa situação de insolvência, da qual é impossível sair, se não for encontrada outra forma organizativa de gerir os clubes. O modelo actual está esgotado.

Apesar deste desastre total, o futebol continua a ser o maior desporto de massas e o mais popular, com um grande interesse na juventude e que se transformou numa indústria que envolve muitos biliões de euros. O dinheiro que se paga na Europa pela transferência de um futebolista de qualidade 20 a 30 milhões de euros é dinheiro que não facturam a quase totalidade das pequenas e médias empresas portuguesas individualmente. As verbas são tão grandes que até parece que um milhão de euros não tem valor.

Então, se isto é assim ,porque é que os clubes do distrito não conseguem receitas para equilibrar com as despesas? Porque as receitas dos grandes clubes são conseguidas com publicidade, imagem,venda dos direitos televisivos, quotas dos sócios, receitas dos jogos e venda de jogadores para o estrangeiro, tudo verbas que os clubes pequenos não têm, porque as pessoas não se interessam pelo futebol a nível local.

Quando do cinquentenário do Clube Desportivo de Montijo, clube que nasceu da fusão de três clubes existentes na Terra há muitos anos, em 1998, num debate sobre as questões do futebol, com a presença de representantes da Federação Portuguesa de Futebol, Associação de Futebol de Setúbal e jogadores de futebol, eu disse que os clubes pequenos não tinham nenhuma possibilidade de sobreviver por falta de receitas, enquanto, os grandes clubes se fossem bem administrados, tinham uma situação financeira desafogada. Embora não acredite numa situação financeira equilibrada, porque a cultura dos dirigentes do futebol é sempre gastarem mais do que aquilo que recebem.

Disse também que quanto melhor fosse o futebol transmitido nas televisões, menos receitas tinham os clubes pequenos. As pessoas passaram a interessar-se só pelos clubes grandes do país e até estrangeiros. Noto que muitos portugueses apoiam este ou aquele clube estrangeiros por simpatia com os jogadores ou treinadores portugueses que lá actuam.

Ninguém quis discutir o assunto. Tive até a sensação que consideraram a minha intervenção ridícula.

Passados onze anos, o que vemos? O Montijo faliu, o Barreirense desceu este ano à distrital e o Vitória de Setúbal deve salários aos jogadores, impostos ao Estado e os descontos para a Segurança Social e está a tentar tudo para sobreviver na primeira divisão.

Mas, para que serve o Vitória de Setúbal ficar na primeira divisão se as receitas correntes são muito inferiores às despesas correntes e as dívidas são enormes.

Quer fique na primeira divisão ou desça à liga de honra o Vitória tem é que esclarecer com a Administração actual do BPN o que se passa com o Vale das Rosas e com o estádio do Bonfim. É esta questão que ninguém fala e é ai que está o esclarecimento de toda a vida actual do Vitória.

Os dirigentes do Vitória de Setúbal e a Câmara de Setúbal há anos que sonham com o negócio Pluripar ,Vale das Rosas/Bonfim para salvar o clube. Até aqui o assunto não se resolvia por questões ambientais no Vale das Rosas, agora tudo se complicou com o desastre do BPN um dos sócios da Pluripar.

O Jornal “Correio da Manhã” do dia 18 de Maio trazia mais uma notícia preocupante para o Vitória, uma trapalhada de 53 milhões de euros, envolvendo um dos sócios da Pluripar.

O modelo dos nossos clubes está de facto esgotado, mas o futebol não, por isso é absolutamente necessário que as autarquias e a sociedade civil em cada concelho, encontrem um novo modelo de gestão/organização, a partir da formação e das camadas jovens que traga novamente o interesse local por este popular desporto de massas.

O futebol é um desporto de massas, interessa muitos milhões de pessoas em todo o mundo, é o mais popular e aquele que quase toda gente sabe as regras. É o mais democrático. É discutido por todas as classes sociais e os melhores jogadores vêm quase sempre das classes mais desfavorecidas.

José Bastos

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