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Quotidianos

Três blocos, nenhum central.Por José Assis

Com os partidos representativos da extrema esquerda impreparados para assumir a responsabilidade governativa, em especial com o BE a poder crescer, mas a revelar que a esse eventual crescimento corresponderá o aumento da sua irresponsabilidade, o cenário de escolha útil e eficaz é de fácil leitura. O bloco dos partidos da extrema esquerda, com o seu bota-abaixismo, em nada acrescenta à construção de uma sociedade mais livre e mais democrática.

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Três blocos, nenhum central. Por José Assis

Por Jornal Rostos

Na política, como na vida, torna-se, cada vez mais, dificil prever o que nos reserva o futuro. A incerteza e o ritmo com que as transformações operam não permite perspectivar, a médio prazo ou, por vezes, mesmo a curto, as circuntâncias históricas que nos esperam. O mundo feito de mudança não é somente uma expressão poética, que recordará, em especial, os bons tempos de intensa mudança no após 25 de Abril, que abriu as portas ao regime democrático. Contudo, a incerteza não é sinónimo de instabilidade, pelo menos necessáriamente e deve ser um estímulo à condição humana e à saida democrática da crise.

A minha opinião é a de que, com a vitória socialista nas próximas eleições, a começar já com as que se vão realizar para o Parlamento Europeu, fosse essa vitória de maioria relativa, em especial nas legislativas, o desafio do regime democrático seria um desafio tremendo ao seu bom funcionamento, mas não será nenhum drama. Eu bem sei que com a maioria absoluta a tarefa de governação estável, com vista à plena aplicação do programa eleitoral, fica mais próxima, mais exequível e mais segura. No entanto, a democracia não está concebida e muito menos imediatamente arquitectada, para governos de maioria absoluta, pelo menos é essa a minha interpretação, já que pressupõe que seja desenvolvida por pessoas com boa vontade e bom senso. Assenta, assim, a força do regime democrático, na maioria, em respeito pelas minorias, num quadro de que cada um deve assumir as suas responsabilidades, seja a força maioritária, sejam as demais forças representadas.

Este teste de governo, de maioria relativa, não seria um teste à força que ganhasse as eleições. Não. Seria um teste à maturidade democrática.

Por isso sou dos que pensa que o PS - partido político onde sou militante e através do qual fui eleito, já por duas vezes, Autarca - se ganhar as eleições, sem maioria absoluta, não deve fazer qualquer tipo de acordo de governo, nem aliança de mandato com o PSD.

Desde logo, porque o PSD actual nada tem a ver com os ideais da social democracia moderna e progressista. É um partido refugiado na sua história, com uma direcção cuja marca não pode estar desacompanhada de um registo cinzento, triste e pouco esprançoso, à imagem do seu cartaz onde, inclusivamente, faz um apelo ao uso de uma linha telefónica, dramatizando de morte a vida dos Portugueses,comportamento só entendível num país onde as suas gentes, destinatárias dessa mensagem,não são maduras e inteligentes, o que não é, obviamente, o caso dos nossos concidadãos.

O PSD vê neste momento as pessoas como sendo um problema, e mesmo em cada uma das soluções encontradas, pelo governo ou pelos próprios Portugueses, continua a ver um problema, e, por isso, destina aos seus concidadãos uma linha telefónica, desmobilizando-os e apelando a um "sem futuro" pretensamente manipulador das potencialidades de todos.

As pessoas são a solução para este país, apesar da crise e das dificuldades e, para isso, cabe aos partidos incentivar o seu trabalho, a sua auto estima e à sua afirmação, em Portugal, na Europa e no mundo, como factor de mudança positiva. Acreditar nas pessoas é, mais que nunca, importante, numa sociedade que se quer efectivamente inclusiva e solidária.

O denominado bloco central, nos termos em que está o PSD e na conjuntura actual seria um erro, não iria ao encontro de uma respiração saudável do regime democrático e tornaria a democracia "pouco democrática". Ao alegado princípio da estabilidade, em caso de maioria simples, devem sobrepor-se os princípios da genuinidade democrática e da responsabilidade nacional, inspirados na vontade popular que quer a democracia a funcionar.

Com os partidos representativos da extrema esquerda impreparados para assumir a responsabilidade governativa, em especial com o BE a poder crescer, mas a revelar que a esse eventual crescimento corresponderá o aumento da sua irresponsabilidade, o cenário de escolha útil e eficaz é de fácil leitura. O bloco dos partidos da extrema esquerda, com o seu bota-abaixismo, em nada acrescenta à construção de uma sociedade mais livre e mais democrática.

Não será pelo método da exclusão de partes que a governação irá prosseguir o seu rumo, mas sim com a inclusão de todos, cada um assumindo a sua responsabilidade. O bloco que se quer é o bloco dos Portugueses que sempre souberam o melhor para o seu país. Não tenho dúvidas que esse bloco de pessoas será o verdadeiro ganhador neste ano de 2009, triplamente eleitoral. Ao contrário do que alguns aparentam crer, os Portugueses dão grandes lições de democracia.

José Assis

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