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Os biliões do BPN e o PSDPor José Bastos

A política é uma actividade nobre, da maior importância para nossa vida colectiva, os partidos políticos são indispensáveis à democracia. Por isso todos temos que estar atentos à vida dos partidos.

A quase totalidade das pessoas que aderem aos partidos são pessoas honestas e tomam essa decisão para servirem e não para se servirem dos partidos, existem também pessoas com grandes ambições políticas na procura de lugares e ainda outros que entram nos partidos e na política para se governarem de forma ilícita.

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Os biliões do BPN e o PSD Por José Bastos

Por Jornal Rostos

O que se passou no BPN é uma fraude que vai custar ao país biliões de euros. A nova administração já apurou as contas e o buraco anda perto dos 2,5 mil milhões de euros.

Temos que saber onde foi parar tanto dinheiro. Tinha um velho e experiente amigo que me dizia “ o dinheiro é sempre o mesmo muda é de mão”. Os investigadores e a nova administração têm obrigação de nos informar quem foram os administradores responsáveis por esta gestão danosa e se têm bens patrimoniais para serem entregues ao estado.

A mim pouco me interessa se os ladrões pertencem a este ou aquele partido. São ladrões ,ponto final.

E nenhuma instituição ou família está livre de que apareçam “ovelhas ranhosas no seu rebanho”.

Sou pela ética republicana, antes da primeira república e sempre me insurgi contra a forma como alguns militantes do PS estavam na política.

Em tempos diferentes o PS/Montijo na minha presidência da concelhia, tirou a confiança política a dois importantes autarcas que não estavam a proceder bem. Saímos por cima como partido porque fomos nós a denunciar o problema.

Reconheço a coragem do Dr. Marques Mendes ao não consentir que o Dr. Isaltino Morais e o major Valentim Loureiro se recandidatassem em nome do PSD. As populações de Oeiras e Gondomar não mereceram a coragem do então líder do PSD.

Não é fácil resolvermos estas situações e somos muitas vezes mal compreendidos dentro do próprio partido e também pelo eleitorado.

Assim, como considero que o PS/Montijo, saiu reforçado com as posições que tomou ,acho que o PSD, sai de rastos com o que se passou no BPN.

É evidente que a actual direcção do PSD não tem culpa do que se passou, mas esta situação é muito grave tanto para este partido como para a política em geral.

O conjunto de pessoas sem escrúpulos, militantes do partido, ex- dirigentes nacionais, ex-governantes do período do cavaquismo, arrastaram muitos empresários para accionistas, todos militantes ou simpatizantes do PSD, tornaram este caso do BPN muito melindroso para a história do Partido.

É de facto o cavaquismo no seu pior. Ex-dirigentes logo a seguir ao congresso da Figueira da Foz, governantes mais conhecidos e accionistas entusiastas daquele período de governação, juntaram-se num banco e causaram enormes prejuízos ao país e à imagem do PSD. Disso não tenho nenhumas dúvidas.

Os comentadores políticos dizem que isto não se deve discutir em termos políticos porque os outros partidos também têm telhados de vidro. Não penso nada assim, se for tudo discutido e transparente mais credibilidade terá a política.

Temos que separar o trigo do joio e expurgar as ervas daninhas.

A política é uma actividade nobre, da maior importância para nossa vida colectiva, os partidos políticos são indispensáveis à democracia. Por isso todos temos que estar atentos à vida dos partidos.

A quase totalidade das pessoas que aderem aos partidos são pessoas honestas e tomam essa decisão para servirem e não para se servirem dos partidos, existem também pessoas com grandes ambições políticas na procura de lugares e ainda outros que entram nos partidos e na política para se governarem de forma ilícita.

Tudo isto melhora se os partidos se auto-regularem e as comissões jurídicas dos partidos funcionarem a sério para os casos graves e não só para a pequena intriga.

José Bastos

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