Cairo ApaixonantePor José Assis

Por Jornal Rostos
Continuando na sua atitude de restituição da paz ao médio oriente, Obama não se ficou só pela descrição do problema naquela zona do globo. Nem podia. A deslocação à Arabia Saudita e a sua intervenção no Cairo não deixou margem para dúvidas do que Obama quer. Ele quer que o principio da coexistência de dois Estados na zona Palestina/Israelita seja a solução de paz e uma realidade a concretizar em breve. Ele não quer que haja condições prévias para que essa realidade se concretize, senão a condição única e fundamental, a da paz.
Os Israelitas já entenderam isso. O mundo islâmico já entendeu isso. Resta saber se os europeus entenderão isso. A resposta está também nas eleições para o Parlamento da União Europeia. Os sinais de um eventual crescimento da extrema-direita, são sinais, a concretizarem-se, muitissimo preocupantes. Quer dizer, então o mundo civilizado europeu, numa conjuntura de retoma e de boa vontade para a solução de problemas ir-se-à, ir-se-ia digo eu, meter em problemas?
No Cairo, Obama disse sim a uma diplomacia suave à qual não se estava habituado nos últimos anos. Historiou a importância Islâmica no mundo, não esqueceu de recordar os Palestinianos cristãos e salientou o que representa essa cultura, com todo esse caldo e a sua história.Falou em cooperação e boa vontade e disse que vai começar uma nova era de relacionamento entre os povos. Falou de paz . Falou abertamente, com franqueza, sem preconceitos em dizer as palavras e com um coração americano de gente que quer a prosperidade. Recordou o papel histórico de Marrocos como nação que primeiro reconheceu os EUA, oportunamente lembrando um país Islâmico próximo da Europa e dos próprios EUA e quis fazer a memória das civilizações que ajudaram a mudar o mundo, deixando claro que só será profícua a cooperação entre os EUA e o mundo islâmico- entre o Ocidente e o Oriente,acrescento eu- quando essa cooperação assentar na afirmação do mundo Islâmico naquilo que é, e não naquilo que não é, valorizando a sua contribuiição positiva para a evolução civilizacional à escala global.
Após o encontro entre Netanyahu e Obama, com Lieberman- curioso ser o ministro dos estrangeiros e não o da defesa- a insistir que Israel não bombarderá o Irão, mas a recordar a necessidade da verificação e do controlo do urânio enriquecido naquele país e do perigo nuclear que poderá representar o Irão, Israel parece estar atento à diplomacia americana, mas ao mesmo tempo procurando aliados para "o que der e vier".
Putin nao abdica da factura energética que tem para apresentar e não se demoverá de usar essa factura como argumento de peso para a obtenção contrapartidas e a ocupação de uma posição de vantagem perante os seus vizinhos mais próximos até à Peninsula Ibérica. Não é só a Ucrânia que terá de pagar essa factura. Barroso não tem sido muito bem sucedido quanto ao desenvolvimento de um plano energético europeu e a eficiência energética que garanta a autonomia dos paises da UE. Deverá ser uma das questões a colocar ao futuro Presidente da Comissão Europeia. Se for indicado pela bancada socialista no PE, com toda a certeza que a resposta será para um caminho bem diferente do actual.
Os tempos estão a mudar. Para aqueles que apelam a um novo paradigma sugiro que façam a leitura do discurso do Cairo e olhem para os comentários do outro lado do Atlântico, em especial para os produzidos por quem já não estava habituado a isto, bem como para os que não estavam habituados a isto.
José Assis














