A importância da Comarca de Aldeia Galega no século XIXPor José Bastos
Era a primeira grande obra em todo o país, após a instituição do novo mapa judiciário.

Por Jornal Rostos
Estiveram presentes na inauguração o Presidente do Concelho de Ministros Fontes Pereira de Melo, Ministro dos Negócios estrangeiros João Andrade Corvo, Ministro da Justiça António Monteiro, presidentes das Câmaras de Alcochete, Barreiro e outras entidades convidadas, o que mostra bem o significado que esta obra tinha para o governo.
O Presidente da Câmara de Aldeia Galega, Domingos Tavares, fez nesta inauguração um importante discurso, marcante das vivências da nossa comunidade, do qual transcrevo algumas partes:
“Há vida nestas localidades, porque a vida das populações atesta-se assim!
Este povo, embora nascido em berço de junco e rosmaninho, tem o coração a pulsar no peito, e tem-se notabilizado pela sua dedicação e pelo seu trabalho esclarecido e honrado e não nega a humildade da sua origem.
Aproveito, por isso, no dia desta inauguração, para me congratular com a presença do nosso povo, que engrandeceu e se nobilitou, não com insígnias de nobreza, mas pela honradez do seu trabalho.
Hoje, a nossa Vila despovoou-se para aqui estar, vindo ao encontro dos nossos ilustres hóspedes e desta forma podermos partilhar esta alegria tão louvável e tão justificável.
Este povo, com um passo, tomou a frente de todas as cidades do reino, sobre esta magnífica obra que é a primeira em todo o país, após a instituição do novo mapa judiciário.
Como em toda a parte, há aqui ricos e pobres, independentes e agrilhoados pelas realidades quotidianas. Podemos afirmar, todavia, que nesta Aldeia Galega do Ribatejo, não se encontra essa nota triste de miséria, tão frequente nas populações rurais.”
O discurso do presidente da Câmara de Aldeia Galega foi ao mais profundo das nossas raízes. Povo nascido do nada, a partir de uma grave crise, no inicio da segunda metade do século XIX, percorreu uma caminhada de empreendorismo que chegou ao fim do século a Vila mais importante de toda a margem Sul do Tejo.
Fala também do facto dos pobres do concelho serem menos pobres que os das outras localidades e ao facto da população ser honrada e trabalhadora.
Já nesta altura era uma sociedade interclassista, onde empresários e trabalhadores conviviam sem preconceitos no mesmo território, sem existência de guettos.
Quando defendo que no nosso concelho não devem existir condomínios privados, nem atirar com os pobres para a periferia é para mim uma questão ideológica de fundo, mas também tem a ver com a história das nossas vivências colectivas nos últimos cento e cinquenta anos.
José Bastos














