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Quotidianos

Princípios da Claridade que TransbordaPor Pedro Graça Lopes

Desta narrativa decorre, sem maior esforço, a nossa quase incapacidade de perceber, então, a necessidade de alguns de tentar tirar proveito dessa nossa característica a título pessoal, percorrendo na sua carreira política. É normal, penso, a necessidade de afirmação do Eu, de diferenciação e individualização da nossa Pessoa. Não é comum, agora, assumir um mimetismo focado na memória recente, ou na sua formatação, para com atitudes forjadas para o enaltecimento de um brilhantismo que não motiva, de uma clareza que não nos toca, de um branqueamento de imagem que espero não sair muito dispendioso aos cofres do Estado.

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Princípios da Claridade que Transborda Por Pedro Graça Lopes

Por Jornal Rostos

O antónio da luz…

E eis que o Povo vota… portugueses e portuguesas unidos na declaração de fé traduzida na abstenção e nos votos brancos e cujo total se aproxima dos 63% dos eleitores inscritos. Como é possível tão brando costume? Não será, certamente, pela perspectiva da habitual petiscada de Domingo de Verão… Cá, acreditamos com tanta veemência nas nossas capacidades, das quais já temos 900 anos de provas dadas, que tendemos a transferi-las, por crer ou sem crer, nas pessoas em quais anteriormente nos levaram a depositar a nossa confiança. É mais do que um dado adquirido. Não nos peçam para passar “cheques em branco” que mais tarde ou mais cedo nos havemos de reencontrar. É um País pequeno e muito tradicionalista… de outros tempos… Não duvido que tenhamos todos essa consciência bem definida e caracterizada desde a mais precoce idade, transpondo todos os estratos sociais. Alguém, algures, terá pelo menos um primo afastado que tenha participado de forma activa num dos grandes momentos ou trabalhos da nossa História comum. É quase inevitável.
Desta narrativa decorre, sem maior esforço, a nossa quase incapacidade de perceber, então, a necessidade de alguns de tentar tirar proveito dessa nossa característica a título pessoal, percorrendo na sua carreira política. É normal, penso, a necessidade de afirmação do Eu, de diferenciação e individualização da nossa Pessoa. Não é comum, agora, assumir um mimetismo focado na memória recente, ou na sua formatação, para com atitudes forjadas para o enaltecimento de um brilhantismo que não motiva, de uma clareza que não nos toca, de um branqueamento de imagem que espero não sair muito dispendioso aos cofres do Estado. Não se respeita a Pessoa, criando uma desculpa para a declarada tentação, esquece-se o Eu em horas do dia em que o expediente seja público. O ingrediente final. O Sacrifício do Eu, sob o Sol de um Junho abrasador (querendo que não haja muitos incêndios florestais este ano). O que muitos esperavam nunca mais ter de assistir, em democracia torna-se, mais que um mea culpa após o rastreio das responsabilidades (próprias ou, se possível, não próprias), um “desculpem lá qualquer coisinha” vencedor num escrutínio popular na Velha Europa.
Alguma coisa vai mal. Quando se propõe a dar mais de si do que o que seria expectável se lhe exigir. Poucos o admitem, ninguém o assume como um longo caminho pela vida. Religião, Monarquia, talvez… em Democracia e no Governo do País… É no mínimo duvidoso, alguém com responsabilidade politica percorrer no caminho escuro quando necessita de aparecer publicamente todos os dias para suportar o seu trabalho, trilhar no lado oposto da luz para que as suas ideias sejam dissociadas da forte imagem que de si emana, que a todos encantou. Na volta de um Tempo, na esquina para um Mundo melhor. Esquecer não é lembrar, nem recordar. Do Esquecer, restarão apenas os piores factos, os mais lamentáveis episódios. Lembrar, Aprender, sim, o último Sacrifício na preservação do que se É realmente.

O Fernando da loja…

Chegamos a um ponto onde se impõe perguntar, à laia de um revivalismo nostálgico, “Ó Evaristo, tens cá disto…?”… Há muitos anos, o personagem em questão, aproximava-se de um estabelecimento onde tudo se vendia e questionava-se acerca de um produto da prateleira… era o insurgir contra o que apenas se expõe, contra o que vem eternamente embalado em pequenos pacotes e é distribuído apenas a quem se predispuser a alcançar… um dia… se tudo a si lhe correr bem… falar quando deve, calar quando isso é necessário e ouvir apenas quem realmente isso lho pode proporcionar.
Falava-se, então, de um Bem maior. Falava-se de Valores reais. Coisas que toda a gente reconhece, quando vê. O que se dizia que todos tinham… Dignidade, Humildade, Liberdade… mas que ninguém conseguia deixar de ambicionar. Dignidade como pessoa, ao longo do seu trajecto de vida, Humildade perante um semelhante, Liberdade perante si próprio… O que se pretendia vender, na altura, na forma de pacotes pré-aquecidos e expostos nas prateleiras poeirentas dos regimes de então… todos compostos, todos dispostos a partilhar até, um Silêncio que, para uma pessoa apenas, sufocava com a palavra, tremia com o aceno… o paradigma do isqueiro.
Nós, humanos, temos a tendência para tudo empacotar. Empacotamo-nos a nós próprios, se tal exemplo servir. Rodeamo-nos de preceitos, tendências, citações elegantes e sapatos italianos. Não é assim tão mau, eles lá os fazem, com muita parcimónia e dedicação. Esquerdo e direito. Não confundir. Nós por cá baralhamos, como de costume. Ao que devia ser uma Lei-projecto, chamamos Projecto-lei, ao que devia ser um estudo, chamamos realização (tal como finalidade e final), ao que devia ser conteúdo, chamamos o nome de quem o apregoar… é pelo que melhor soar e isso, felizmente, nunca é desmedido. Sistema se for erudito ou académico, Pacote se for opressivo… De alguma forma, é só juntar um nome. Eu por mim até prefiro que, para haver opressão, que seja aos bocadinhos, passo a passo, devagar para que melhor me vá habituando… Pacotes, Compensações, Equilíbrio, Honra… que da Dignidade já ninguém fala…

Pedro Graça Lopes

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