Os cidadãos têm que viver nas cidadesPor José Bastos
A insegurança aumenta nas zonas velhas das cidades, porque não estão habitadas e nas zonas das periferias porque as populações estão nelas desenraizadas.

Por Jornal Rostos
Há de facto na Área Metropolitana de Lisboa centenas de milhares de cidadãos que não vivem em cidades, mesmo estando geograficamente instalados nelas. Mas vivem sim em aglomerados urbanos, que não têm nenhuma vivência colectiva, em que os munícipes não sentem qualquer afectividade pelo local onde vivem.
Lisboa, a capital do país, é uma das cidades mais bonitas do Mundo. Continua a despovoar – se porque as pessoas se deslocam para esses aglomerados urbanos onde as habitações são oferecidas a preços mais reduzidos e compatíveis com os rendimentos da classe média baixa.
Será justo que as pessoas abandonem as suas cidades onde viveram os seus ascendentes, para irem viver para a periferia?
Há ou não espaços na cidade de Lisboa para alojar os milhares de pessoas que saem da cidade? É claro que há! Só que a politica para habitação, nas últimas décadas, conduziu a uma verdadeira catástrofe nas zonas antigas da maioria esmagadora das cidades do País.
Ninguém até hoje apresentou uma política de fundo para acabar com o flagelo que obriga as pessoas a abandonarem as suas cidades.
São milhares e milhares de habitações degradadas, sem quaisquer condições de habitabilidade, devolutas e lotes sem construção situadas nas cidades em todo o país.
A insegurança aumenta nas zonas velhas das cidades, porque não estão habitadas e nas zonas das periferias porque as populações estão nelas desenraizadas.
É urgente que o poder político defina estratégias para acabar com este estado de coisas, que só é possível resolver financiando as câmaras com muitos milhões de euros para adquirirem as casas velhas e os terrenos sem construção para lhes darem um destino correcto, habitação dos citadinos a preços compatíveis com os seus rendimentos.
Para tal, as câmaras têm possibilidade de alojar os moradores porque normalmente têm parques habitacionais e certamente os proprietários estavam disponíveis para amigavelmente, resolverem muitos dos problemas que se vierem a colocar.
Com políticas consertadas e flexíveis é sempre possível reaver o dinheiro investindo.
Sem a intervenção coordenada entre as câmaras e o governo da república tudo continuará na mesma e tenderá mesmo a piorar.
Numa altura em que o crescimento populacional é estacionário, cresce o número de casas velhas a cair e existem milhares de fogos novos e usados para venda é tempo para o poder político parar para pensar e resolver.
A actual crise tem conduzido a uma desvalorização das casas velhas e dos lotes devolutos dos centros das cidades, pelo que era agora o momento oportuno para resolver um problema muito grave na nossa vivencia colectiva que se arrasta há décadas.
José Bastos














