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Quotidianos

O que os outros pensam!Por Daniel Bernardino

O António Chora sabe perfeitamente que agiu de consciência tranquila quando aceitou o convite, e é assim que se prova que as ideias podem ser diferentes e os homens também, ou não fosse diferente aquilo que tem feito de positivo pelos trabalhadores de todo o parque da Autoeuropa.

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O que os outros pensam! Por Daniel Bernardino

Por Jornal Rostos

Nos últimos dias têm havido algum mau estar por parte de algumas pessoas, militantes do Bloco de Esquerda e não só, que criticam a participação do Coordenador da Comissão de Trabalhadores, António Chora, no jantar de despedida do Ex Ministro da Economia Manuel Pinho.
Não consigo compreender o que há de errado por tal presença, dado que o BE é um partido plural de liberdade de pensamento e expressão e não de sectarismo, e o jantar em que António Chora esteve nada é mais do que uma formalidade pelo desempenho que resultou de ambas as partes, uma pessoa enquanto Ministro da Economia e outra enquanto Coordenador da CT da Autoeuropa.
Estas práticas que são normais em países como a Alemanha, por exemplo, onde até membros de Comissões de Trabalhadores fazem carreira como responsáveis de Recursos Humanos (dentro do grupo VW existem exemplos) quando apresentam capacidade para tal. Imagine-se o que seria, se um dia um membro de uma CT exercesse esse tipo de cargo em Portugal, para aquelas pessoas que criticam uma presença num jantar de reconhecimento pelo trabalho realizado.
Não será aceitável condenar publicamente estes actos, que em nada dignificam os que contestam. Porque uma pessoa que pertence a um partido não pode estar presente num jantar quando não está na condição de membro desse partido? Onde apenas se pretendeu reconhecer o trabalho realizado em conjunto na melhoria das condições de trabalho e garantias de postos de trabalho dos trabalhadores da Autoeuropa. Não será correcto criticar destrutivamente só porque duas pessoas que são de partidos com ideologias opostas, mas que em posições diferentes tenham apresentado sinergias semelhates na defesa dos trabalhadores da Autoeuropa, e foi isso e apenas isso que esteve em causa.
O António Chora sabe perfeitamente que agiu de consciência tranquila quando aceitou o convite, e é assim que se prova que as ideias podem ser diferentes e os homens também, ou não fosse diferente aquilo que tem feito de positivo pelos trabalhadores de todo o parque da Autoeuropa.
Por esta postura é que temos em Portugal dificuldades de diálogo social e estamos longe de alcançar os países mais evoluídos.
Será correcto criticar o Secretário da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, por ter estado presente no Congresso do PCP e do Bloco de Esquerda? Não me parece que seja correcto! Então porque se deve criticar o Coordenador da CT da Autoeuropa quando aceitou estar presente com uma pessoa que fez parte de um grupo de trabalho na defesa dos interesses daqueles trabalhadores. A evolução das sociedades faz-se com os homens e mulheres que inovam e dialogam, independentemente das suas ideologias, e os que assim não entendem são de ideias fixas e mentes fechadas que lhes encerra o caminho da evolução, e é com este pensamento que devemos romper para que não estejamos formatados a uma única linha de pensamento.
Não pretendo aqui estar a defender o acto praticado pelo António Chora, mas sim tentar fazer passar a mensagem que os homens são pelo que assumem sem receio do que outros possam pensar, e parece-me que o Chora teve na sua consciência a tranquilidade suficiente para não se deixar intimidar pelo que outros possam pensar ou julgar, e certamente não será por ter estado no referido jantar que fará com que os seus princípios e ideologias mudem pelo facto de o criticarem.

Daniel Bernardino

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