O Concelho de Montijo, vai transformar-se na zona Este, com a construção do novo aeroporto na freguesia de CanhaPor José Bastos
A população deve ser exigente com os partidos políticos, para que estes recrutem candidatos a autarcas competentes, honestos e defensores da causa pública.

Por Jornal Rostos
Nos anos cinquenta do século passado a maioria das pessoas vivia em meio rural, nos últimos cinquenta anos, a situação inverteu-se e a grande maioria das pessoas vivem em zonas urbanas na periferia das grandes cidades.
O êxodo dos campos para as cidades, provocou o caos urbanístico em grande parte dos concelhos situados perto de Lisboa. A urbanidade e a cidadania ligadas à cidade quase desapareceram nas novas urbanizações. O gosto pelas coisas da nossa Terra ,deixou de fazer qualquer sentido para quem vive nestes locais.
O concelho de Montijo, porém, dada a sua situação geográfica e a dificuldades de transportes rápidos para Lisboa, não sofreu aumento de habitantes, isto é, manteve um número de habitantes quase igual ao que tinha há trinta anos.
Com a construção da ponte Vasco da Gama, ligando Lisboa a Montijo, a cidade vem aumentando alguns milhares de habitantes, mas não tantos, como prevíamos inicialmente.
O Governo Central decidiu que o novo aeroporto internacional de Lisboa, fosse construído na freguesia de Canha, concelho de Montijo.
As três freguesias na zona Este do concelho de Montijo; Canha, S.Isidro e Pegões, vão sofrer uma grande transformação, contrária ao êxodo das últimas décadas, habitantes das zonas urbanas da AML vão instalar-se em freguesias genuinamente rurais.
É preciso um discurso e uma prática política que convença os proprietários de terrenos daquela zona, que a quase totalidade dos terrenos vão continuar a ter uso agrícola, segundo os planos de ordenamento do território e só alguns terrenos junto aos aglomerados urbanos existentes mudarão o seu uso.
A freguesia de Canha é um território enorme, tem 207 Km2, se uma grande parte dos actuais proprietários dos terrenos ali existentes e de outros que os adquiram para especular, deixarem de os cultivar por terem expectativas de um uso diferente por causa do aeroporto, então os prejuízos económicos são enormes e é preciso legislar do sentido de defender o bem comum. Uma espécie de lei das sesmarias.
Só um poder político autárquico forte, actuando por convicções, independente do poder económico, interessado na defesa da causa pública, poderá defender os interesses de todos os que vivem na região.
A população deve ser exigente com os partidos políticos, para que estes recrutem candidatos a autarcas competentes, honestos e defensores da causa pública.
Fiz este artigo na convicção de que o PS vai ganhar as próximas eleições legislativas. Se assim não acontecer e o PSD ganhar, não haverá aeroporto tão cedo e o artigo é para rasgar.
José Bastos














