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Quotidianos

A história do Barreiro não pode ser contada por um comunista?Por Armando Sousa Teixeira

A propósito do livro, “Barreiro, Roteiro das Memórias da Resistência, do Trabalho e da Luta”, de Armando Sousa Teixeira, e da memorável sessão de lançamento no AMAC, no Dia da Cidade, em 28 de Junho de 2009, o jornal “Rostos”, e o seu director senhor António Sousa Pereira, insistem na mistificação, na falsificação, na detracção e no embuste.

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A história do Barreiro não pode ser contada por um comunista? Por Armando Sousa Teixeira

Por Jornal Rostos

A. Mistificação

Da realidade multifacetada e complexa donde se constrói a história da resistência antifascista e anticapitalista no Barreiro (e no País), existem naturalmente diversas interpretações, motivadas por diferentes graus de informação ou conhecimento, ou sustentadas por contraditórias visões ideológicas ou de classe social.
A questão é quando surgem perspectivas mistificadoras, falseadoras, confusionistas ou branqueadoras, motivadas por interesses inconfessáveis, que não raro se prendem com compromissos outros. Com essas queremos batalhar, por isso decidimos fazer esta tréplica.
O senhor director do jornal “Rostos”, ex-chefe de redacção do “Jornal do Barreiro”, repete melancolicamente há doze anos, os mesmos argumentos e as mesmas distorções falsificadoras. Já em 1997, a propósito da igualmente memorável sessão de lançamento do 1º livro, na Biblioteca Municipal, escreveu ex-cátedra, no “JB”: “Não me levam por esse caminho, por aí não vou!” (citação de memória).
O senhor director sabe há muito tempo, porque lhe disseram “à esquina”, que o projecto do autor, que entretanto tem cinco livros e mais de 1200 páginas sobre o “Barreiro, uma História de Trabalho, Resistência e Luta”, não é, nem nunca foi, um projecto partidário, com matriz ou sem matriz!

B. Falsificação e Detracção

Num claro ajuste táctico entre o primeiro e os comentários seguintes, o senhor director do “Rostos”, muito dado a taticismos, passa de uma tenebrosa “matriz poltico-partidária”, a soldo do PCP, para uma condescendente…”visão de comunista sobre as memórias da sua terra”.
Mas então os comunistas são menos capazes, menos rigorosos, menos isentos a contar (fazer) a história da sua terra (ou do seu País!), que significativamente protagonizaram, que os não comunistas, os ex-comunistas ou os anticomunistas?!
O “Roteiro das Memórias”, não é evidentemente um repositório de memórias do autor, desde logo porque abrange um longo período que vai de 1910 a 1974. É verdadeiramente apesar da detracção do senhor ASP, a História da gesta colectiva protagonizada por milhares de homens e mulheres, operários, intelectuais, jovens, pequenos comerciantes e industriais, gente com ou sem partido, que lutaram unidos pelo pão, combateram pela liberdade e ajudaram a construir a revolução de Abril.

C. Opção ideológica e branqueamento

Dir-se-à tratar-se de mera opinião de direito próprio do senhor director. Quer-nos parecer que o problema aqui é outro e o gato continua escondido com o rabo de fora (sem culpas para o bichano, claro está!).
Aproximamo-nos da história da velha raposa que não chegando às uvas apetitosas, arroga: “Estão verdes, não prestam!”.
Em última análise trata-se de uma questão (opção) ideológica, de decidir quem são os fautores, os protagonistas fundamentais, dos factos, episódios, acontecimentos documentados, quem é o verdadeiro motor da História da Resistência, do trabalho e da luta no Barreiro. Se os trabalhadores, sobretudo os operários e operárias, gente de honrada coragem e dignidade, de antes quebrar que torcer, se os que “se sentavam à mesa do café com os doutores do regime ou com os do reviralho”.

D. Confusão e embuste

Porque carga de água não podia (devia) a CMB apoiar o lançamento de uma obra histórica sobre o Barreiro, feita por um autor barreirense, no dia 25º aniversário da Cidade, que como autarca, ajudou a construir?!
Parola é a intenção de dividir os comunistas do Barreiro, colocando-os uns contra os outros, a propósito de uma delirante e inventada dupla orientação. De um lado os comunistas “bons”, que seguem a orientação da CDU, do outro os “maus”, “cegos politicamente”, “dando tiros nos pés”, que são os “puristas”. O senhor António Sousa Pereira conhece bem o PCP, andou por lá muitos anos! Sabe, como toda a gente, que os comunistas têm uma direcção centralizada, não vale a pena andar a atirar poeira para os olhos.
Seja lá isso o que for de “purista”, afirmo a condição de militante comunista há 41 anos, lutando desde a juventude pelo ideal de transformação do Mundo e de maior dignificação do Homem e da Humanidade. Há doze anos procuro registar a História desta terra ímpar, sem cedências ou tibiezas, sem afagos de ego ou ambições materiais ou de poder, sem truques nem embustes, com rigor, muito trabalho e almejada honestidade e integridade.
Sobretudo, como canta o distinto trovador e barreirense de coração, Francisco Naia, nunca traí os amigos!

Armando Sousa Teixeira
20-7-2009

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