Se o PS ganhar as eleições avançam os grandes investimentos púbicos na região. Se for o PSD a ganhar pára tudo.Por José Bastos

Por Jornal Rostos
O distrito de Setúbal tem passado por momentos muito difíceis nas últimas décadas, empresas instáveis, crises em sectores muito importantes como a indústria naval, a Quimigal, Siderurgia e outras grandes empresas, causaram uma grave crise com consequências no emprego e na vida do conjunto das pessoas que aqui vivem.
Ainda está na memória dos que têm mais de 35 anos, as bandeiras negras, sinónimo de fome e a indignação do bispo de Setúbal à época, denunciando a pobreza existente no distrito.
Todos sabemos que o PCP desde o 25 Abril governa a quase totalidade das Câmaras do distrito e mesmo muito antes do 25 de Abril, os militantes deste partido que defendem a ideologia de partido único e capitalismo de estado, que não propicia vivências que justifiquem uma grande interesse empreendedor nos residentes para assumirem riscos.
Os pequenos e médios empresários gravitam em volta das grandes empresas e dos seus trabalhadores, os agricultores e os construtores civis, preferem que os seus filhos estudem e vão trabalhar para o estado ou para as grandes empresas, mas nunca por conta própria.
A luta de classes que aqui se desenvolveu durante dezenas anos, contrariou uma cultura de empreendorismo e como vivemos numa economia de mercado em que os empresários são tão necessários como os trabalhadores para o desenvolvimento económico, hoje estamos a pagar pelo “sonho” de muitos que desejavam uma sociedade sem patrões.
Na última década o investimento à custa do capital de multinacionais estrangeiras conseguiu muito emprego, em especial na indústria automóvel, com realce para a Auto-Europa, uma empresa que emprega directa e indirectamente mais de 10.000 pessoas e é hoje a primeira empresa exportadora de Portugal.
Com a grave crise económica que afecta com enorme gravidade o sector automóvel por falta de encomendas, os trabalhadores da Auto-Europa e das outras empresas que lhes fornecem peças, ficam aflitos só de pensarem que a empresa possa fechar. Só aqueles que defendem uma política do quanto pior, melhor, não se incomodam com uma situação destas.
Se por infelicidade dos trabalhadores da Auto-Europa e do país em geral, esta empresa fechar, lá vêm outra vez as bandeiras negras atrás de José Sócrates ou de Manuela Ferreira Leite, empunhadas por pequenos grupos de agitadores profissionais. É sempre assim há trinta anos e não muda.
E a estratégia para o futuro? Não podemos ficar dependentes do que se passar na Auto-Europa e noutras grandes empresas, mas também não contamos com o investimento dos pequenos e médios empresários, como pretende o PSD, porque aqui não existe essa tradição. As mjcro, pequenas e médias empresas gravitam em volta das grandes empresas e dos seus trabalhadores. Actuam na agricultura, pescas e construção civil.
A actividade da construção civil que emprega muita gente está também a atravessar uma grave crise e não é tão cedo que volta a ser o que era. Existem hoje muitos milhares de fogos novos e usados no distrito para venda. Se não forem feitos aqui no distrito os grandes investimentos públicos previstos pelo governo, já temos casas construídas para os nossos bisnetos.
A agricultura emprega hoje menos pessoas e nas pescas são poucos os trabalhadores.
O comércio local não é competitivo com as grandes superfícies que nos últimos anos se instalaram por todo o lado e por isso está a desaparecer. As grandes superfícies pagam baixos salários e oferecem trabalho precário. Ser caixa de supermercado é duro, com responsabilidade e mal pago.
O sector da cortiça que empregava uns milhares de trabalhadores do distrito com fábricas em Alcochete, Alhos Vedros, Amora, Cova da Piedade, Grândola, Montijo, Santiago de Cacém e Seixal. Estas empresas foram constituídas por empreendores, que vieram de fora, a maior parte do Algarve e os seus descendentes procuraram outras actividades. A indústria não acabou, antes pelo contrário evoluiu, mas transferiu-se para o Norte do país, porque não existe aqui na região vocação para o empreendorismo em pequenas e médias empresas.
Uma boa parte da população activa parte todos os dias em automóveis, barcos, comboios e autocarros, para Lisboa, para trabalhar, com as despesas e os inconvenientes do tempo gasto nos transportes que isso acarreta.
O governo actual, tem preparado um plano de investimentos públicos, estratégicos de infra-estruturas, para modernização do país, com um grande impacte no distrito de Setúbal, que resolvem a médio prazo o problema estrutural para o desenvolvimento e modernização da economia, com e criação de muito emprego, sem estarmos sempre dependentes do investimento estrangeiro e de atravessar o rio para ir trabalhar para Lisboa.
A construção do Aeroporto, ponte Chelas- Barreiro, TGV , Plataforma Logística do Poceirão e PEAR para os concelhos do arco ribeirinho Sul vão beneficiar todo o distrito de Setúbal e até concelhos lmitrofes do Ribatejo e do Alentejo, com um forte investimento em infra-estruturas, para transformar para melhor toda a região.
O PCP e o Bloco de Esquerda com forte implantação no distrito, vão dizer que o PS é igual ao PSD, como já se tornou um hábito, mas agora é fácil de perceber que os dois partidos não são iguais e que estes projectos só irão para a frente se o PS ganhar as próximas eleições legislativas. Se for o PSD ganhar ,continuamos com uma situação indefinida por muitos anos. Muitas vezes com bandeiras negras nas mãos de agitadores e a indignação do Bispo de Setúbal.
José Bastos














