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Quotidianos

O Barreiro – um caso de emergência urbana (ou porque é que, nestas coisas, somos todos tão “liberais”)Por António José Ferreira

E sem querer apurar “culpados” é preciso perguntar a todas as forças políticas concorrentes às próximas eleições de Setembro e de Outubro quais são as suas propostas concretas de intervenção nesta matéria, tendo em conta que as áreas de quase calamidade urbana não se limitam ao Bairro das Palmeiras, onde nasci, na Rua 1º de Maio, há 53 anos, que costuma ser e infelizmente confirma-o, apresentado como paradigma.

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O Barreiro – um caso de emergência urbana (ou porque é que, nestas coisas, somos todos tão “liberais”) Por António José Ferreira

Por Jornal Rostos

Sem querer ser alarmista ou “ensombrar” este Verão, já de si tão pouco soalheiro, de pré-campanhas eleitorais e precisamente a propósito desses actos a que em breve seremos chamados, não posso deixar de, enquanto cidadão, perguntar às forças políticas concorrentes quais as suas propostas de acção no concreto e no imediato para obviar à situação de autêntica emergência urbana e por isso social, de degradação do edificado em muitas zonas do Concelho, mormente no Barreiro Velho que podia e devia ser a nossa “sala de visitas”.
É por demais evidente o estado de acelerada degradação do casario desta zona nobre e histórica da cidade, pese embora esses sinais de degradação urbana visíveis em imóveis devolutos, entaipados ou abandonados em obra, existam um pouco por todo o Concelho, a verdade é que em “concentrado” apresenta se há décadas no Barreiro Velho como uma ruína global eminente a despeito de alguns esforços pontuais de recuperação e de edificação, nem sempre muito bem conseguidos por, aparentemente, não haver um Plano Integrado e nada ou ninguém que o faça respeitar.
De tempos a tempos fala-se no problema, mas logo um imenso torpor volta a produzir os seus letárgicos efeitos perante os tímidos protestos dos moradores, dos empresários da zona, ou dos seus amantes entristecidos pela situação de aparente não retorno.
É evidente que estas coisas não se resolvem a falar, nem tão pouco a escrever e não serão de fácil superação dadas as questões jurídicas e burocráticas que envolvem, para além das avultadas somas que implicam. Mas é nestas situações que urge perguntar para que serve o poder político local e central?!
Um pouco por todo o concelho se vêem, a meias com ruínas ou semi-ruínas, edifícios por acabar e obras por concluir e também extensos terrenos imobilizados (e um terreno urbano não é assim como um carro que esteja parado na garagem). Poder-me-ão objectar que são sinais da crise económica e financeira que estamos a atravessar, também o serão sim senhor, mas muitos destes exemplos vêm de há décadas numa “crise” permanente anterior a esta actual conjuntura e que deriva de uma ausência de planeamento e, sobretudo, de uma certa complacência e laxismo, quando não conúbio, dos poderes públicos perante interesses que geram situações de facto muito pouco compatíveis com o bem comum que deveriam servir.
A degradação urbana, não é preciso ser especialista na matéria, acarreta a degradação social, potencia a insegurança e mina a qualidade da oferta de serviços e negócios e a nossa “vila velha” que poderia ser um alfobre (mesmo assim ainda há alguns felizes casos de sucesso que, no entanto, poderiam ter outra dimensão) de empreendimentos na área da restauração, lazer e comércio tradicional de qualidade e na área da criação artística (artes plásticas, artesanato) está transformada numa zona inerte apenas sacudida por alguns “nostálgicos” nos quais este vosso amigo se inclui e uns mais numerosos e barulhentos grupos de jovens amantes do “botellón” que deixam vestígios bem evidentes, quer no sossego das populações residentes, quer no “day after” dos cacos e dejectos.
E sem querer apurar “culpados” é preciso perguntar a todas as forças políticas concorrentes às próximas eleições de Setembro e de Outubro quais são as suas propostas concretas de intervenção nesta matéria, tendo em conta que as áreas de quase calamidade urbana não se limitam ao Bairro das Palmeiras, onde nasci, na Rua 1º de Maio, há 53 anos, que costuma ser e infelizmente confirma-o, apresentado como paradigma.
Bem sei que foi aprovado um Plano para o Arco Ribeirinho, bem sei que há com esse ou outro nome, um “Masterplan” para a Quimiparque, bem sei que está a correr, muito devagar, o Polis, bem sei a CMB tem um estudo de intervenção nos espaços públicos, não no edificado, do Barreiro Velho.
Mas se nos limitarmos a continuar à espera da concretização de toda essa miríade de Planos, Projectos e Estudos correremos o risco da história do corte de fato do Bocage, nada se fará à espera da última moda.

António José Carvalho Ferreira

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