Se o crescimento global anual for de 6% o consumo de energia em 12 anos duplicaPor José Bastos

Por Jornal Rostos
Os comentadores de economia, muitos deles professores, criticam os políticos porque estes não conseguem encontrar soluções para resolverem a actual crise.
Falam como se eles próprios tivessem a solução para os problemas de Portugal, da Europa e do Mundo.
Nunca discutem o “beco sem saída” que é a falta de energia no mundo para sustentar o crescimento económico, mantendo ou melhorando as condições de vida do mundo ocidental e proporcionando às populações dos países emergentes os níveis de bem estar dos E.U.A. e da Europa.
Nem sou político profissional, nem estudei economia, mas acompanho o que se está a passar em Portugal e na Europa em matérias de grande importância para a nossa vida colectiva.
Foi assim, que com interesse fui assistir a uma conferência organizada pelo Partido Socialista de Montijo, em Santo Isidro de Pegões, sobre a construção do novo aeroporto e as suas implicações na região, umas positivas e outras negativas.
Neste debate participaram pessoas qualificadas, desconhecidas do grande público, mas pela actividade profissional que desempenharam têm grandes conhecimentos do que se passa com a energia a nível mundial.
Foi um debate, quanto a mim, muito interessante, porque os intervenientes não estavam à espera de ser ouvidos pela comunicação social e procuraram analisar estes problemas de uma forma muito diferente do que fazem os comentadores que querem fazer crer que estão sempre dentro de todos os assuntos.
Para que haja muito mais emprego é preciso que Portugal cresça acima dos 3%. Para os países emergentes atingirem os níveis de vida comparáveis aos E.U.A. e da Europa é preciso crescerem acima dos 8/10%.
Todos sabemos que o nosso bem estar no Ocidentes tem dependido de energias baratas, com realce para os combustíveis fosseis. O petróleo de que tanto se fala.
A pergunta que ficou no ar nesta conferência é como se irá conseguir energia para um crescimento global anual de 6%, se ao fim de 10/12 anos as necessidades de energia duplicam e qual o preço da energia quando a procura for muito superior à oferta.
É importante que se discuta também se sob o ponto de vista humano é possível que as populações dos países emergentes consigam melhorar as suas condições de vida à custa do nível de vida dos Ocidentais ou se é possível um crescimento global em que todos melhorem a qualidade de vida.
Toda a gente que faz política, tem um discurso de resolução de forma simples dos problemas. É uma tentativa de iludir os eleitores para lhes conseguirem os votos. A situação económica e financeira do globo é muito complicada.
É claro que ninguém vai dizer aos eleitores que o mundo está muito complicado com o crescimento económico para a criação de emprego e a necessidade de energia para sustentar esse crescimento.
Ninguém diz que estamos num “beco sem saída” que pode acabar numa guerra, nem isso foi discutido na conferência, mas lá que pode acontecer pode. Lembram-se da paragem (greve)dos camionistas que quase paralisou o país.
José Bastos














