Tręs verdades asfixiantes de Manuela, numa folha A4Por José Assis
Hoje, em 2009, Manuela Ferreira Leite diz que há uma asfixia democrática. Vá-se lá saber o que a senhora doutora quererá dizer com isso.

Por Jornal Rostos
O programa eleitoral do PSD, para as eleições legislativas, é a cara do próprio partido neste momento. Desanimado, conformista, amorfo.
No entanto, há marcas que ficam. Assim como a ausência de propostas mobilizadoras é uma marca deste programa eleitoral do PSD, também o seu slogan VERDADE, marca a falta de ambição nas hostes social democratas. O regresso ao paradigma da politica: nós os bons vocês os maus, não era expectável para esta campanha, por parte do PSD, em especial porque nas listas estão candidatos que contrariaram essa lógica, nomeadamente no tempo do "menino guerreiro" de Santana Lopes. Claro está que me refiro em especial a Pacheco Pereira, que, nas vestes de pensador da politica , que é, e que dizia querer um PSD, social democrata profundo,acabou por estar nesta campanha com a mesma lógica de então, com a superficialidade inerente a um programa a que só se escapa porque não irá para o governo.
Mas há verdades que são realmente marcantes e, numa folha A4, enumero três verdades de Manuela Ferreira Leite que, por serem factos históricos, não podem ser desmentidas.Para mim são verdades marcantes e asfixiantes.
1- Ano de 1993, os alunos do ensino superior estavam contra as propinas. Em Março desse ano manifestaram-se à porta do Ministério da Educação e foram presenteados com repressão policial.Em Novembro manifestaram-se à porta do Parlamento e foram destinatários de uma forte carga policial. O governo tinha como Primeiro Ministro Aníbal Cavaco Silva, a secretária de Estado do Tesouro era Manuela Ferreira Leite. Em Dezembro desse ano Ferreira Leite toma posse como Ministra da Educação. O PSD apelida de desordeiros os manifestantes e elogia a carga policial. Mário Soares, então Presidente da República, tece considerações criticas sobre a carga policial.
2- Ano de 1994, 24 de Junho, uma manifestação de camionistas na ponte 25 de Abril. Uma carga policial violenta, por ordem do governo, dissolve a manifestação com dezenas de feridos e excesso no uso da força em directo na TV. Manuela Ferreira Leite era então Ministra da Educação, Dias Loureiro Ministro da Administração Interna e Cavaco Silva Primeiro Ministro. Não conheço opinião que tivesse sido manifestada pela actual candidata a Primeiro Ministro, divergente do que ocorreu.
3- Ano de 2003, 15/16 Março. Aterra nos Açores a rota da Guerra. Bush, Aznar, Blair e Barroso realizam uma denominada cimeira, à revelia das normas internacionais, para declarar guerra ao Iraque. Apesar dos apelos de outros países Europeus e do Papa, no dia 20 de Março ( quatro dias depois) o Iraque é invadido pelos Estados Unidos. O falcões tinham o seu abrigo em solo de um governo que os apoiou, cujo Primeiro Ministro era Durão Barroso e a Ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite.
Independentemente de politicas, legitimas que se tomem e do seu resultado, há momentos que marcam a história. Estes momentos são verdadeiros, oficiais e, no meu entender, asfixiantes.
Hoje, em 2009, Manuela Ferreira Leite diz que há uma asfixia democrática. Vá-se lá saber o que a senhora doutora quererá dizer com isso.
José Assis














