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Investimento Público - Uma questăo de prioridades!Por Manuel Fernandes

Eu assumo a defesa do Investimento Público. Mas Investimento Público prioritário e de qualidade, que resolva situaçőes, que induza desenvolvimento a jusante e a montante, que sirva para criar emprego, riqueza e oportunidades como é o caso da Terceira Travessia do Tejo. Que adicione qualidade de vida aos cidadăos, quer seja em saúde pública, na segurança, no ambiente ou na mobilidade.

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Investimento Público - Uma questăo de prioridades! Por Manuel Fernandes

Por Jornal Rostos

Muito se tem falado ultimamente sobre Investimento Público. O tema tem dividido os politólogos e tecnocratas nacionais, principalmente os que têm passado pelo poder nos últimos 35 anos.
Aparecem normalmente em grupo, o grupo dos 55, o grupo dos 28 ou o grupo dos 31.
Há os que, depois de terem esbanjado milhões em estádios de futebol, em obras de fachada e outras de prioridade mais que duvidosa, estão agora contra o investimento público.
E há os que defendem o investimento público a qualquer preço, principalmente aquele que pode beneficiar determinados grupos de interesses.
Eu assumo a defesa do Investimento Público. Mas Investimento Público prioritário e de qualidade, que resolva situações, que induza desenvolvimento a jusante e a montante, que sirva para criar emprego, riqueza e oportunidades como é o caso da Terceira Travessia do Tejo. Que adicione qualidade de vida aos cidadãos, quer seja em saúde pública, na segurança, no ambiente ou na mobilidade.

Para permitir uma melhor percepção do que classifico por Investimento Público Prioritário e de Qualidade e por Investimento Não Prioritário não há nada melhor que exemplificar com situações concretas localizadas no nosso espaço próximo.

• Alargamento da A2, ente Coina e Setúbal, para 6 faixas de rodagem

O tráfego actual neste percurso não exigia, para já, este investimento. Podia aguardar até 2014, depois da construção da Terceira Travessia do Tejo, altura em que poderia justificar-se. É o exemplo de um investimento de prioridade duvidosa.

• Remodelação das estações de comboio do Lavradio e Barreiro A

Este, para além de supérfluo é notoriamente um investimento perdido. Com a construção da nova Ponte e da Gare Sul no Lavradio com funções multimodais, estas estações vão desaparecer. Porquê gastar então rios de dinheiro em estações a desmantelar a curto prazo? Não bastaria remodelar as existentes?
A situação é tanto mais caricata quando constatamos que a REFER, responsável por este investimento é tutelada pelo mesmo Ministro que tutela a RAVE responsável pelo estudo da Terceira Travessia. Grande descoordenação.
Para cúmulo, a construção destas estações arrasta-se no tempo, sem previsões para a sua conclusão, mais parecendo as obras de Santa Engrácia e a REFER não atendeu uma petição de utentes da Linha do Sado que pretendia a construção de um pequeno acesso pedonal à passagem desnivelada da Av.Miguel Bombarda que facilitaria o acesso àquela estação. Lamentável!

Vejamos agora exemplos de investimentos prioritários que poderiam ter sido realizados com os dinheiros gastos nos exemplos atrás citados:

• Nó de Acesso à A2 nos Foros da Amora

Há mais de 40 anos que os moradores do Laranjeiro, Amora, Verdizela, etc, aguardam a construção de um nó de acesso à A2 de modo a facilitar as acessibilidades à Ponte 25 de Abril.
É um investimento a custos moderados com forte impacto na qualidade de vida dos moradores de toda esta vasta área, que, para apanhar ou deixar a A2, têm de recuar até ao Fogueteiro ou vencer as permanentes bichas até ao nó de Almada.
O que impedirá esta obra? Já assistimos à construção de uma Área de Serviço no local do Nó, mas investir nas acessibilidades, na mobilidade e na melhoria ambiental, nada! Que interesses se esconderão por trás desta evidente inércia?

• Variante da EN10-3 em Palhais

Os moradores de Palhais esperam à 20 anos pela construção desta variante que resolveria de uma só vez três problemas.
Retiraria o tráfego regional do núcleo histórico da freguesia, onde ocorrem frequentes acidentes e onde já existem 4 semáforos em menos de 200m.
Acabaria com os constrangimentos de tráfego junto à firma Covelo e Pinto no entroncamento da EN10-3 com a EN11-2, onde são frequentes as bichas e as demoras.
Resolveria as dificuldades de acesso ao Quartel dos Fuzileiros e à Mata da Machada.
Consta do PDM! Então porque se espera?

• Rotunda no entroncamento da EN10 com a EN10-2

Esperámos dezenas de anos pela construção da Rotunda de Coina e outras ao longo da EN10 de modo a facilitar o acesso e circulação nesta Via.
Finalmente a EP, Estradas de Portugal lá se resolveu pela sua construção.
Mas, estranhamente deixaram para trás o entroncamento da EN10 com a EN10-2, também conhecida por estrada da Siderurgia.
A urgência deste nó era tão importante como a Rotunda de Coina.
As Estradas de Portugal devem desconhecer que, neste entroncamento, perderam a vida alguns barreirenses quando, após um turno de trabalho na Siderurgia, regressavam ao lar.
…..

Aqui ficam alguns exemplos que provam que, em matéria de investimentos, há quem tenha realmente razões para reclamar.
Que provam que as decisões tomadas pelos tecnocratas e centralistas nem sempre são as mais ajustadas, invertendo frequentemente as prioridades.
Que provam quão urgente é avançar com a Regionalização e ouvir os autarcas e dirigentes regionais para definir as prioridades do investimento.
Que provam como o poder central, ao longo dos anos têm sacrificado as populações e os interesses locais em benefício de outros.
Nas próximas eleições, podemos contribuir para corrigir esta situação. Votando em pessoas honestas, competentes e coerentes.
Assim farei!

Manuel Fernandes

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