Reflexão pessoal sobre a Autoeuropa, no Presente e no FuturoPor Antonio Chora

Por Jornal Rostos
No final de Janeiro deste ano a empresa dispensou o serviço de 254 trabalhadores de agências de trabalho temporário. Foi possível depois de varias reuniões com a empresa e de contactos com o Governo encontrar uma solução de certa forma inovadora que levou estes à formação e a um compromisso da Empresa de no final da formação que coincidirá muito provavelmente com o lançamento do sucessor da actual Sharan à sua admissão.
Com o agravar da crise, no final do primeiro trimestre a empresa volta à carga e convocou a CT para preparar um pré-acordo que prevenisse o despedimento de 250 trabalhadores contratados, a possibilidade de lay off e a fixação de todos a um turno com a retirada do respectivo subsidio.
A CT e a maioria que a sustenta fez o que lhe competia, negociar para garantir o afastamento do lay off, manter os turnos, o respectivo subsidio e principalmente garantir que não haveria despedimentos.
Realizamos Plenários gerais de trabalhadores, ouvimos os mesmos e tentámos encontrar uma solução negociada, solução que tivesse o menor impacto possível nos bolsos dos trabalhadores no que diz respeito, não ao seu salário, mas sim a trabalho extraordinário, que seria feito por duas ordens de razões e condições:
1º- Para períodos de lançamento ou picos de encomendas
2º Num máximo de 2 Sábados em 2009 e de 6 Sábados em cada um dos dois anos seguintes.
O pagamento destes Sábados, seriam, recordamos, para os trabalhadores com saldos negativos, de 8 horas em dinheiro e de 6 a abater nos saldos negativos na conta de tempo de cada um.
Quanto mais depressa a conta estivesse saldada, mais depressa receberiam os 22 Down Days (22 dias) ano a que tem direito.
Para os que tinham saldos positivos ou nulos, 8 horas em dinheiro e 6 a acumular e a receber caso não tivessem utilizado os Down Days.
Este pré-acordo, como era de esperar, não foi pacifico no mundo sindical nem nas vanguardas do costume, o que teve influencia na discussão em Plenário, chegando ao ponto de dramatizações.
Alegaram alguns que o acordo não era bom, não era mau, mas tinha um problema, a obrigatoriedade (dentro dos limites da Lei) de trabalhar nesses Sábados. Ou seja “eu quero fazer um acordo com uma pessoa, quero que essa pessoa cumpra a sua parte do acordo, (no caso não despedir manter os turnos, etc.) mas da minha parte não quero ser obrigado a cumpri-lo. Como sonho, é óptimo, mas infelizmente não vivemos no pais dos sonhos, vivemos num regime capitalista, onde só empresas saudáveis e lucrativas mantêm ou criam empregos.
Podemos, como é o meu caso e o de milhares de trabalhadores e de cidad@os, querer outro tipo de regime, um regime onde a distribuição seja mais justa, a justiça funcione e o acesso à mesma seja gratuito, os corruptos sejam fortemente condenados, os bens essenciais cheguem a todos, o trabalho seja mesmo um direito, as reformas permitam viver com dignidade, todas as formas de liberdade sejam respeitadas e incentivadas e a democracia seja um facto, esse, é um regime Socialista, mas mesmo nesse e para que tudo isto seja possível, é necessário que as empresas sejam lucrativas, pois só com os impostos sobre os seus lucros se pode garantir o bem estar da população em geral.
Mas voltando ao que interessa, ao pré-acordo na Autoeuropa, o mesmo foi rejeitado por 51% dos trabalhadores.
De imediato, reunimos com a Administração para relembrar que os trabalhadores desta empresa, fruto de tudo o que tem dado à mesma, mereciam um compasso de espera para ver se haveria melhorias económicas a nível mundial. A nossa argumentação foi a de que fossem salvaguardados em primeiro lugar os postos de trabalho dos 250 trabalhadores a contrato, em segundo lugar os turnos e o respectivo subsidio, tal argumentação vingou, tendo a Administração no entanto anunciado 10 dias de Lay Off para todos, o que corresponderia a cerca de 4,6% de perca do rendimento de um ano de salário, o que corresponderia a que num mês, cada trabalhador tivesse recebido menos 46% do salário.
Recordámos que não era por este motivo que levaríamos o mesmo acordo a votos.
Ganhámos tempo e as compras de carros novos estão a subir ligeiramente, em minha opinião, muito fruto da antecipação de compras para aproveitamento dos subsídios dos governos europeus, que variam entre os 1500€ e os 3000€, nos Estado Unidos são de 4500 dólares (3150€), a que se estão a juntar descontos de concessionários e das marcas, estes subidos são para abate de carros com mais de 8 anos e tem uma função económica mas também ecológica.
A verdade, é que fruto disso já estão afastados para parte dos trabalhadores da empresa, a totalidade dos 10 dias e para a esmagadora maioria, 4 desses dias.
Agora, compete à CT e tudo faremos para isso, afastar os restantes 6 dias de Lay Off.
Já se procede mesmo a algum trabalho extraordinário, por enquanto ainda não fruto de um aumento de encomendas, mas da recuperação de produção perdida, devido a alterações técnicas feitas durante as férias nas linhas de montagem.
Podem alguns dizer, tinha razão a maioria que chumbou o acordo, pessoalmente não penso assim, pois se o actual aumento de encomendas for fruto do anuncio do fim dos subsídios no final deste ano, o primeiro semestre do próximo pode ser muito complicado, pois as mais de 14 semanas que vão entre o fim da produção da actual Sharan e o inicio da produção do sucessor, uma possível quebra de compras na Europa de carros novos, fruto da antecipação dos consumidores, é um somatório de factos, que pode obrigar à necessidade de ser encontrada uma solução, que de uma vez por todas afaste a redução de trabalhadores e ou a perca de salários fruto do Lays Offs.
Cá estaremos, com os trabalhadores na primeira fila, para encontrar essas soluções, não temos que inventar nada, apenas adaptá-las, pois elas existem em todas as fábricas da VW no mundo e foram frutos de acordos feitos em momentos difíceis mas com bons resultados no que diz respeito a garantias de emprego.
Mas também a VW e o Governo, seja ele qual for, a exemplo do que foi feito noutros países, tem que rapidamente encontrar para esta empresa um carro de produção em massa, pois só isto garantirá a manutenção da empresa para além do final da vida dos actuais modelos de nicho (EOS e SCIROCCO).
Antonio Chora














