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"Deslarguem-me". Cavaco em Campanha.Por José Assis
Seixal

A declaração de Cavaco Silva foi confusa porque meteu tudo no mesmo saco: campanha eleitoral, partido socialista, ultimatos invocados, e-mails incompreensíveis, indecências e imoralidades por explicar; assessor por esclarecer e mensagens codificadas que, por isso mesmo, não se entendem. Uma autêntica declaração em nome pessoal porque, segundo a declaração evidência, é uma interpretação pessoal de factos que... afinal não diz quais são.

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"Deslarguem-me". Cavaco em Campanha. Por José Assis Seixal

Por Jornal Rostos

O "nim" da Presidência da República quanto ao denominado caso das escutas veio introduzir um elemento de confusão indesejável e preocupante na vida politica. Para além da imperceptibilidade do que foi dito e do registo agressivo do Presidente da República fica uma autêntica declaração de hostilidade, pouco usual no Chefe de Estado e nada adequada ao momento que se vive de crise, com um período politico de transição, até à tomada de posse do novo governo que resulta das eleições legislativas de 27 de Setembro último. O Presidente veio "apagar um fogo com gasolina " empolando um caso que não devia sequer chegar a ser caso,porque não foram demonstrados factos que permitissem concluir das violações graves alegadas durante o mês de Agosto, nomeadamente quanto às comunicações da casa civil presidencial.

A declaração de Cavaco Silva foi confusa porque meteu tudo no mesmo saco: campanha eleitoral, partido socialista, ultimatos invocados, e-mails incompreensíveis, indecências e imoralidades por explicar; assessor por esclarecer e mensagens codificadas que, por isso mesmo, não se entendem. Uma autêntica declaração em nome pessoal porque, segundo a declaração evidência, é uma interpretação pessoal de factos que... afinal não diz quais são.

Em Portugal, porventura pela natureza do regime democrático semipresidencial e por força interínseca do carácter das individualidades que ocuparam o alto cargo de Presidente da República, em especial depois do 25 de Abril, actividade quotidiana no âmbito desse cargo politico não é visto, à luz da opinião pública, como um espaço de luta politica, mas sim como um exercício mediador e de árbitro ,acima do expediente considerado normal para a conquista do poder politico. Por outras palavras. dificilmente se encara o exercício politico do Presidente como uma actividade que vise a manutenção do seu próprio poder, actividade essa que, a ser também com esse aspecto, consideraria perfeitamente legitima, dentro dos parâmetros normais democráticos. Nós entendemos, em regra, a presidência da república fora da querela politica ou politiqueira.Mas o que acontece é que é um cargo de eleição universal e directa acrescendo que é ocupado por uma só pessoa. Ora a questão é esta : se estão todos em campanha, incluindo Manuel Alegre, porque é que Cavaco Silva não pode estar também em campanha? É legitimo a Cavaco querer renovar o seu mandato presidencial. Absolutamente legitimo.

Esta declaração prestada por Cavaco Silva, aos portugueses através dos jornalistas que convocou e portanto não é uma declaração solene directa e exclusivamente dirigida aos portugueses,pareceu-me mais uma declaração politica de campanha de Cavaco do que outra coisa. Tenho dúvidas que tenha sido escolhida a melhor forma mas isso é outra conversa.

O que Cavaco quis dizer foi : quiseram-me colar ao PSD que perdeu as eleições legislativas mais eu não me deixo colar a quem perde porque não quero perder o capital eleitoral que fui adquirindo.Ou seja, numa expressão de liceu: "deslarguem-me"

José Assis

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