Um amigo na PresidênciaUma maioria para continuar
Por José Encarnação
Barreiro

Por Jornal Rostos
Já faltam poucos dias para se conhecer o desfecho das próximas eleições autárquicas e terminar com algum azedume e mesmo algum desnorte de alguns responsáveis políticos locais.
O facto de se terem realizado eleições legislativas há quase duas semanas e perante os resultados das mesmas, é de supor que existam algumas expectativas quanto aos resultados do próximo dia 11.
É natural que o PSD pretenda “reconquistar” o seu lugar de 3ª força partidária ao nível do Barreiro. É natural que o BE esteja expectante quanto à possibilidade de aumentar o número de eleitos e de poder vir a eleger, pela primeira vez, um vereador.
É igualmente natural que o CDS/PP queira reforçar as suas posições assim como é quase certo que não irá conseguir eleger nenhum autarca.
Tudo isto é legítimo salutar. Faz parte da luta democrática e é um bom sintoma de quanto é importante a diversidade de escolha.
Contudo para muitas pessoas o que irá estar em causa, no essencial, é saber se Carlos Humberto continua como presidente da Câmara ou se o “destino” do voto irá recair sobre o candidato do PS.
Mas, para além disso, outras expectativas estão criadas. Conseguirá a CDU obter maioria absoluta elegendo 5 vereadores? Perderá o PS o seu 4º vereador a favor do BE ou será o PSD a perder o único vereador que sempre elegeu?
Às vezes em política acontece o mesmo que no futebol. Nem sempre o resultado é justo ou corresponde à exibição. E, por falar em justeza do resultado, nada me impede de considerar que seria injusto que o Nuno Banza não fosse eleito como vereador. Goste-se ou não das ideias e projectos do PSD, a verdade é que na história da vida local autárquica este partido tem tido uma atitude séria e responsável através da acção dos diferentes vereadores em diversos mandatos. O regime democrático, o poder local democrático só beneficiam com a participação e a acção de adversários leais. Admito mesmo, e por isso sei que irei ser criticado e quiçá mal compreendido, que o Barreiro, pela composição sócio económica da sua população, não ganharia com a perda do vereador do PSD e a sua eventual substituição por um vereador do BE.
Em política como na vida não devemos ter receio de dizer o que pensamos. Assim os outros ficam a saber e não apanham nenhuma surpresa.
Ficamos assim confrontados com a escolha PCP/CDU versus PS.
Se o que disse atrás sobre a justeza dos resultados é o que penso, não poderia renegar esta consideração no caso presente.
Seria demasiado injusto que o PS pudesse vir a conseguir a maioria dos votos apesar da aparente bondade da figura de Nuno Santa Clara Gomes, enfaticamente apresentado como militar de Abril.
O PS Barreiro durante os últimos 4 anos comportou-se como uma mera correia de transmissão do governo central tendo, inclusive, rejeitado qualquer pelouro na vereação que agora termina mandato.
Por outro lado o PS Barreiro é um partido dilacerado por constantes guerras intestinas a que o Sousa Pereira se refere, e a meu ver bem, como sendo um partido balcanizado. Não seria pois de admirar que, num eventual cenário de maioria PS, o presidente da Câmara não fosse, efectivamente, o “independente” Coronel Santa Clara mas sim o seu número dois da lista, Amílcar Romano. E mesmo que assim não fosse seria por quanto tempo?
Depois o PS no Barreiro não dá garantias suficientes de saber viver e conviver com as diferenças. Repare-se no actual estilo de linguagem usada, nomeadamente pelo presidente da Comissão Politica Concelhia e nº dois da lista, que recupera dos velhos baús o anti-comunismo mais boçal e mais primário ao usar expressões do tipo “ o Barreiro não pode ser uma ilha Soviética no século XXI” ou que “ o Partido Comunista Português no Barreiro não é democrático”
Até o próprio candidato a presidente pelo PS se deixou contaminar ao considerar Há dias que, “não é uma coisa má ser atacado pelos inimigos” ao referir-se a alegados actos de vandalismo sobre a propaganda do PS no concelho.
Meu caro Coronel Santa Clara, eu sei que o Sr. É um militar íntegro mas por favor. Em Democracia não temos inimigos quando nos referimos às pessoas ou aos partidos. Em regime democrático e plural como o nosso temos sim adversários.
Resta-me considerar que a escolha certa é em Carlos Humberto para continuar como presidente da Câmara por mais 4 anos e, se possível, com maioria absoluta.
Dia 11 de Outubro vamos julgar a sua obra e o seu programa mas uma coisa é certa: Além de amigo pessoal, Carlos Humberto é um presidente Amigo do Barreiro.
O passado mostra que nunca houve que ter medo da maioria absoluta do PCP/CDU. No Barreiro respira-se Democracia e Cidadania.
Não corremos o risco de morrer asfixiados.
José Encarnação














