EM JEITO DE BALANÇO …Por Rosário Vaz
Barreiro

Por Jornal Rostos
A ideia que tinha, e tenho, de que, de todos os órgãos autárquicos, a Junta e a Assembleia de Freguesia são os que mais condições têm para o exercício da proximidade, no sentido da tentativa de resolução dos problemas da população, não correspondeu ao que foi acontecendo ao longo destes quatro anos, na Assembleia de Freguesia do Barreiro.
Na verdade, muitas foram as Moções, Saudações, Votos relativos a este ou aquele facto e/ou personalidade, mas muito poucas foram as Propostas concretas de resposta às situações reais da comunidade. Outras Juntas e Assembleias de Freguesia o fizeram, como tive, aliás, ocasião de, publicamente, em artigo escrito, fazer realçar.
Fi-lo, aliás, sem quaisquer peias de ordem partidária, referindo-me a mandatos autárquicos da CDU. Quando a população é beneficiada, não importa quem proporcionou o dito benefício.
Por outro lado, a participação dos fregueses nas reuniões da Assembleia de Freguesia foi nula, não tendo havido preocupação alguma em alterar a referida situação. Trazer a população às reuniões ou levar as reuniões até à população, foi algo que não aconteceu, em quatro anos de mandato deste órgão autárquico, apesar de ter sido aprovada uma proposta de descentralização das reuniões, apresentada pelo Bloco de Esquerda.
Pelo exposto, concluo que foi frustrante a experiência vivida, pois a ideia do Bloco de Esquerda era, e é, contribuir para a melhoria e/ou inovação relativamente às necessidades da Freguesia.
Passar alguns (bastantes) serões apenas em discussões proporcionadas por documentos que, na maior parte das vezes, nada tinham a ver com a realidade da Freguesia não nos parece ter sido o mais produtivo para quem tem expectativas face a estes órgãos autárquicos.
Acresce que, na última reunião da Assembleia de Freguesia, no passado dia 25 de Setembro, o Bloco de Esquerda apresentou uma Saudação ao Grupo dos Amigos do Barreiro Velho. Trata-se de um grupo que, desde há três anos e meio, algumas vezes com o apoio da Junta e da CMB, tem vindo a mostrar que é possível desenvolver dinâmicas que mexam com as pessoas e os espaços em abandono no Barreiro Velho, contando para isso com a disponibilidade de muitos voluntários, pessoas que comungam dos mesmos interesses, relativamente a um espaço que é o último reduto de costumes e tradições do Barreiro histórico.
Este mesmo Grupo integra, actualmente, por eleição da Assembleia de Escola, o Conselho Geral Transitório da Escola Secundária dos Casquilhos, enquanto representante da Comunidade, assim como faz parte do Conselho para a Reabilitação e Desenvolvimento do Barreiro Antigo, por convite da Câmara Municipal do Barreiro.
Acontece que a Saudação foi rejeitada com os votos contra de toda a bancada CDU e a abstenção do único representante do PSD presente, já que nesse dia toda a bancada do PS esteve ausente, sem qualquer justificação, segundo informação do presidente da Mesa da Assembleia.
A justificação para rejeitar a Saudação foi de que, “não está em causa o reconhecimento do trabalho do Grupo referenciado”, mas a última reunião do mandato “é sempre especial e é prática que nela não haja documentos”; por outro lado, aceitar a Saudação, significaria que “tudo o que foi feito de bom, veio da Rosário Vaz”, diga-se do Bloco de Esquerda.
Justificações estranhas estas!
Onde está oficialmente dito ou sequer indicado, no Regimento da Assembleia de Freguesia, que a última reunião de um mandato é especial?
O que tem a ver a Saudação apresentada com a bondade, ou não, do que a Rosário Vaz fez durante o mandato para que foi eleita?
É, pois, bom de ver que, no meio de procedimentos deste tipo, a partidarite se impôs à resolução dos reais problemas da Freguesia.
O Bloco de Esquerda insiste e denuncia estes procedimentos porque defende e defenderá sempre que a participação e a transparência são valores imprescindíveis à vida democrática e a razão de ser de órgãos autárquicos de proximidade como o são a Junta e a Assembleia de Freguesia. Não sendo assim, a uma Junta de Freguesia, resta gerir um corpo de funcionários que desempenham funções meramente administrativas, o que é muito pobre para um órgão de poder local!
Vale a pena participar nas reuniões dos órgãos autárquicos porque, de contrário, que responsabilidades se podem pedir às autarquias?
No caso da Freguesia do Barreiro ainda mais, pois as suas funções autárquicos deixam-se sempre confundir com as da Câmara Municipal, como é bom de ver no conteúdo do Boletim Informativo da Junta de Freguesia e nas declarações prestadas pelo Sr. Presidente da Junta à Imprensa local, por ocasião do balanço feito ao mandato de 2005/2009.
Rosário Vaz – Bloco de Esquerda
Eleita da Assembleia de Freguesia do Barreiro em 2005/2009
Candidata à Assembleia Municipal do Barreiro em 2009














