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Quotidianos

Razões porque a Razão foi vencidaPor António Duro
Moita

João Lobo, que é a única figura “simpática” e popular do executivo, mostrou que é mais forte do que o PCP/CDU local mais uma vez. Dou-lhe os meus parabéns, ganhou e manteve uma impensável, até para eles, maioria absoluta, injusta, incrível, péssima para os interesses da maioria absoluta da população.

O PCP/CDU assustou-se com os resultados de 27 de Setembro e usou todos os meios ao seu dispor para não perder a câmara. A elevada abstenção ajudou-os sobremaneira. É pena, não para mim ou para o PS, mas sim para a população deste concelho em geral, que lhe vai sair muito cara a manutenção desta política por mais 4 anos.

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Razões porque a Razão foi vencida Por António Duro Moita

Por Jornal Rostos

O que faltou para que não tenha ganho as eleições para a presidência da câmara ou, o atingido o objectivo nº 1, retirar a maioria absoluta ao PCP/CDU neste concelho? Faltou maior participação dos eleitores na vida democrática local, na defesa dos seus interesses para uma vida melhor. A abstenção nacional foi de 40,99%, no concelho da Moita foi de 53,12%. Isto foi penalizante para nós, mas devia constituir preocupação para todos. A descrença apoderou-se de tal ordem nas pessoas que já não acreditam, como alguns dizem, ser possível retirar do poder quem tão mal nos tem governado localmente e por isso não votam, é a sua forma de protesto. Assim 21% de votos no PCP/CDU dá-lhes direito a maioria absoluta, contra 79% de descrentes e opositores conscientes. O PS teve uma inexpressiva subida para a câmara de 42 votos, mas é importante realçar que o PCP/CDU teve uma descida de 1.509 votos o que representou uma significativa descida de 10,8% sobre os resultados que obteve em 2005.

Faltou também da nossa parte maior visibilidade, trabalho visível de 4 anos e não apenas de 6 meses, aqui também o nosso grande pecado. O poder protege quem lá está, quem tem os meios de se mostrar e propagandear. A câmara usou os dinheiros públicos para se promover de forma sistemática e escandalosa nos últimos dias, tal como com uma nova publicação paga com o dinheiro de todos, o InforMunicipal, bem como com o apoderar das comemorações do 4 de Outubro na Moita ou o lançamento incrível da apresentação à pressa de uma pseudo-universidade sénior a 4 dias das eleições, nunca dantes ouvida falar se não pelas nossas propostas. João Lobo, que é a única figura “simpática” e popular do executivo, mostrou que é mais forte do que o PCP/CDU local mais uma vez. Dou-lhe os meus parabéns, ganhou e manteve uma impensável, até para eles, maioria absoluta, injusta, incrível, péssima para os interesses da maioria absoluta da população. O PCP/CDU assustou-se com os resultados de 27 de Setembro e usou todos os meios ao seu dispor para não perder a câmara. A elevada abstenção ajudou-os sobremaneira. É pena, não para mim ou para o PS, mas sim para a população deste concelho em geral, que lhe vai sair muito cara a manutenção desta política por mais 4 anos. Só neste distrito e um ou outro município avulso o partido comunista convence infelizmente alguém, através de clientelismos dúbios, de interesses algo obscuros de especuladores e oportunistas. Até em Beja perderam e aqui bem ao lado, no Montijo, que dominaram e arruinaram durante alguns anos, quase deixaram de existir, e vê-se a diferença de qualidade de vida entre estes 2 municípios e a evolução desde que passou de gestão comunista para gestão socialista. Mas a luta pela libertação do concelho da Moita continua, não nos calaremos nunca.

Por tudo o que atrás disse, não foi nenhuma vitória ter elegido mais 1 vereador e mais 2 mandatos nas assembleias de freguesia, estes retirados ao PCP/CDU. Foi uma derrota, uma terrível derrota para o povo do concelho da Moita. Este vereador mais, não evitou a maioria absoluta dos interesses de alguns sobre os interesses de todos. Manterá assim, legalmente, uma espécie de ditadura surda. O 25 de Abril não chegou ainda ao concelho da Moita, por isso assumimos tal como uma derrota e não como nenhuma vitória. Era mais importante o PCP/CDU perder a maioria absoluta do que nós elegermos mais um vereador. Mas será mais uma voz discordante e denunciadora dos atropelos aos verdadeiros interesses da população, como tem sido a ocupação errada do território, do concelho dormitório sem infra-estruturas colectivas de apoio à população, das intenções incorrectas de alteração ao Plano Director Municipal, que protege poucos e ricos em desfavor da esmagadora maioria e pobres. Promoveremos uma oposição forte, interventora, sem dar tréguas, e apelamos ao Bloco de Esquerda, com quem partilhamos muitas das ideias para o concelho, para que na câmara, na assembleia municipal ou nas assembleias de freguesia, a oposição se una e mostre que há quem não concorda, que há quem resista. Como dizia um grande poeta anti-fascista, a razão mesmo vencida não deixa de ser razão.

António Duro
1º vereador eleito pelo PS à Câmara Municipal da Moita nas autárquicas 2009

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