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Quotidianos

O Povo é quem mais ordenaPor Rui Garcia

Não é raro que alguns caiam no erro de atribuir aos outros a sua própria escala de valores e comportamentos. Mas que ninguém se iluda: não somos mesmo “farinha do mesmo saco”.
Dos eleitos do PCP; dos Verdes e independentes que vão integrar os órgãos autárquicos nos próximos quatro anos, o que a população e as instituições do Concelho da Moita podem esperar e vão obter é o empenho, a coragem e a seriedade para continuar a trabalhar em prol de Um Concelho Melhor Para Viver e Trabalhar.

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O Povo é quem mais ordena Por Rui Garcia

Por Jornal Rostos

Encerrou no passado Domingo um ciclo de três eleições em meio ano, duas delas separadas duas semanas. O balanço é inequívoco – os resultados obtidos pela CDU no concelho são muito bons.

1. Neste longo período eleitoral não foram poucos os malabarismos publicados em torno dos resultados eleitorais, de concorrentes ou de “analistas”, visando criar o clima propício à concretização do objectivo supremo, que a todos uniu – a derrota da CDU nas eleições autárquicas. Vale a pena por isso recordar alguns números, factuais, sobre os resultados eleitorais no Concelho:
- A CDU venceu as Europeias, invertendo o resultado de 2004, voltando a ser a força mais votada no Concelho. O PS perdeu 3600 votos relativamente a 2004.
- A CDU obteve um bom resultado nas Legislativas, com uma clara aproximação ao PS e voltando a ser a força mais votada em três freguesias, com especial realce para a Baixa da Banheira. A diferença da CDU para o PS, que perdeu 3507 votos (25% do seu eleitorado), reduziu-se para 953 votos. A abstenção aumentou (menos 1460 votantes) com a CDU a recolher menos 756 votos. São expressivas as subidas do CDS e do BE.
- A CDU venceu claramente as Autárquicas. Mantendo a presidência de cinco das seis juntas e sendo a força mais votada para a Câmara em todas as freguesias, a CDU viu de novo confirmada a confiança dos eleitores e renova a maioria absoluta na Câmara e Assembleia Municipais. É oportuno recordar que o PS teve o seu melhor resultado eleitoral para a Câmara em 1997, com 9053 votos. De então para cá aumentou o número de eleitores (mais 2259), aumentou o número de votantes (mais 476); o que voou qual gaivota foram os votos no PS – menos 1689 votos. No mesmo período, a CDU teve mais 127 votos, depois de obter o seu pior resultado em 2001 (10751 votos) e o melhor resultado em 2005 (13930 votos) obteve agora 12421.
Os outros partidos com representação municipal registaram tendências opostas: uma descida, ainda que ligeira, do PSD que foi no entanto suficiente para a perda do seu vereador, enquanto o BE obteve um crescimento, mas a anos-luz das “profecias”. Partido que vive, no contexto nacional, da promoção mediática e do messianismo do líder, vê reduzida a sua expressão quando a disputa se desloca para longe dos holofotes.

2. O PCP encara estes resultados com a satisfação de quem vê reconhecido o trabalho feito. Nas Autarquias, onde a CDU tem um percurso feito de obra e de trabalho sério ao serviço do Concelho e da sua população. Mas igualmente na intervenção política e social, nas pequenas e grandes lutas onde os comunistas estão sempre presentes: na defesa dos direitos dos trabalhadores e dos postos de trabalho, dos serviços públicos, do aparelho produtivo nacional e das pequenas e médias empresas, pela garantia dos direitos cívicos e políticos e pelo respeito da Constituição, enfim, na luta pelos valores de Abril – o Abril pelo qual gerações de comunistas lutaram. É nessa ligação aos trabalhadores e à população, aos seus interesses e aspirações, que reside a fonte dos resultados eleitorais da CDU no Concelho e na região.

3. Os resultados do passado Domingo reduziram ao ridículo a presunção e o triunfalismo a que mais uma vez se entregaram diversos candidatos e apoiantes do PS e do BE. Não espanta por isso o azedume que ressuma das suas reacções aos resultados eleitorais. Sem mais para oferecer que o triste e habitual banho de lama de que tanto parecem gostar, ainda as urnas não estavam guardadas e já nem disfarçavam o anticomunismo boçal, as insinuações soezes, mil vezes repetidas e nem por uma vez demonstradas, a despudorada desfaçatez de reclamar para si ideias que não têm, propostas que não fizeram, valores que não respeitam. Enquanto ocultam as suas efectivas responsabilidades na situação económica e social do Concelho. Responsabilidades enquanto representantes locais dos partidos que no Governo desde 1976 conduziram o país ao estado actual. Mas mais ainda, responsabilidades pela política de objectiva obstrução e boicote ao desenvolvimento do Concelho: pelos investimentos não feitos, pelas responsabilidades não assumidas e pelos entraves que colocam às iniciativas locais. Numa cada vez mais evidente fusão ideológica e operacional, PS e BE deram já continuidade à sua concertação e prometem prosseguir este rumo.

4. Não é raro que alguns caiam no erro de atribuir aos outros a sua própria escala de valores e comportamentos. Mas que ninguém se iluda: não somos mesmo “farinha do mesmo saco”.
Dos eleitos do PCP; dos Verdes e independentes que vão integrar os órgãos autárquicos nos próximos quatro anos, o que a população e as instituições do Concelho da Moita podem esperar e vão obter é o empenho, a coragem e a seriedade para continuar a trabalhar em prol de Um Concelho Melhor Para Viver e Trabalhar. Com todos os que quiserem lutar ao nosso lado. Contra todos os que quiserem colocar-se do outro lado desta barricada.
Com esta vitória da CDU foi o Povo que ganhou.

Rui Garcia, membro da Comissão Concelhia da Moita do PCP

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