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Quotidianos

Combater urgentemente a precariedade!Por Daniel Bernardino
BARREIRO

Não podemos viver neste tipo de sociedades modernas com pobres trabalhadores, com uma exclusão social permitida em silêncio. Respeite-se a Declaração Universal dos Direitos do Homem, pois é urgente que se afirme o direito ao trabalho tal como consta da declaração.
Não podemos viver numa incerteza e numa intermitência que nos ofusca a esperança para uma vida melhor

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Combater urgentemente a precariedade! Por Daniel Bernardino BARREIRO

Por Jornal Rostos

Os trabalhadores precários estão desesperados para que exista uma mudança na sociedade em relação à sua condição de trabalhadores descartáveis, sem direitos e regalias que lhe possibilitem ter uma vida digna, tenham tempo para viver com qualidade de vida contando com o dia certo para receber o seu salário ou mesmo se terão trabalho no dia seguinte.
As entidades patronais têm de ser fiscalizadas, as denúncias têm de ser feitas!
Os sindicatos têm de estar mais próximos destes trabalhadores. Muitos deles não têm condições humanas para trabalhar e têm medo de falar para não perderem o emprego. Promovam-se manifestações junto das empresas que proliferam nesta tendência de vínculo laboral, para aumentar os seus rendimentos sem praticarem uma responsabilidade social que lhes cabe, sacrificando o ser humano na sua mais fundamental e essencial necessidade, a de um emprego digno.
O problema mais importante do país é o desemprego, mas a precariedade torna que aqueles que fiquem desempregados numa situação de precariedade ainda tenham mais dificuldades, até porque muitos não conseguem aceder a um subsídio de desemprego, são para as entidades patronais trabalhadores que facilmente deixam de fazer parte das suas contas. Serão trabalhadores de segunda? Não! Serão desempregados de segunda? Não! São seres humanos que necessitam de estabilidade emocional, financeira e que também querem dar o seu contributo para a economia que se torna menos eficaz se estes trabalhadores não virem satisfeitos as suas regalias, como descontos para a Segurança Social ou para IRS.
Não podemos viver neste tipo de sociedades modernas com pobres trabalhadores, com uma exclusão social permitida em silêncio. Respeite-se a Declaração Universal dos Direitos do Homem, pois é urgente que se afirme o direito ao trabalho tal como consta da declaração.
Não podemos viver numa incerteza e numa intermitência que nos ofusca a esperança para uma vida melhor.
Portugal é um dos países onde a precariedade mais tem crescido, e esta questão não deixa de ser mais grave quando associada à baixa qualificação que temos. Mas, quando aqueles que são precários pretendem melhorar as suas qualificações deparam-se com imensas barreiras, que não lhes permitem estar em igualdade, quando comparados com outros trabalhadores com diferentes tipo de vínculos laborais, será esta a forma de apostar numa geração que se pretende que seja uma alavanca para melhorar o nosso país? Não me parece!
Os argumentos, as justificações estão gastas, primeiro porque se é jovem, depois porque o seu ingresso no mercado de trabalho está no início, depois porque já não se é jovem. As empresas dizem necessitar do trabalhador mas não o pode ter num contrato permanente, e continua-se em contratos sobre contratos, de recibos verdes em recibos verdes, adiam-se projectos de vida familiar, o filho(a) que gostaríamos de ter, a casa que queríamos comprar, ou as férias que gostaríamos de fazer.
Podemos também ser mais qualificados, ter uma licenciatura, mestrado ou doutoramento que não muda as expectativas de vida, que imaginámos vir um dia a ter, podemos andar neste circulo vicioso, que quando nos apercebemos a vida activa está próxima do seu final, e contamos com os descontos que não se fizeram para a
Segurança Social e a consequente reforma que não permitirá ter uma vida digna.

Daniel Bernardino

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