Um momentâneo lapso de razão do Saldanha.Por José Assis
SEIXAL

Por Jornal Rostos
A nova obra de José Saramago causou impacto social, não só pelo seu conteúdo, ainda e fase de mastigação , mas pelas declarações do Nobel no lançamento( primeiro) do livro, onde produziu uma síntese acerca do que pensa sobre a Bíblia. Muito já se escreveu e disse sobre o assunto. Foram declarações simples,disseram uns, alguns apelidaram de simplistas e outros de simplórias. Saramago é um homem simples, que pela sua simplicidade foi destacado universalmente com o prémio maior da literatura uma vez e com as mais diversas homenagens justas, por mais do que uma vez.
Assistindo ao Frente a Frente da SIC Noticias de Sexta Feira antepassada fiquei chocado com a reacção de Saldanha Sanches a este assunto, que, comentando uma intervenção esclarecedora produzida em directo minutos antes, nessa antena televisiva, pelo próprio Saramago num debate com um representante da Igreja, afirmou, completamente fora de contexto, que Saramago escolheu Lanzarote, para seu domicilio, beneficiando, assim, intencionalmente de um regime especial fiscal, mais vantajoso e que isso não se coaduna com a sua ( dele Saramago) condição de comunista. Foi isso que se ofereceu dizer ao Prof, face às declarações do escritor. Fiquei boquiaberto. Em primeiro lugar porque demonstra uma rigidez de raciocínio própria de um positivista que vê o mundo exclusivamente à luz da dimensão fiscal. Depois, porque a sua análise é notoriamente desagradável. A seguir porque aprofunda aquela mágoa e hostilidade própria e imortal de um ex MRPP para com um comunista. Ainda, porque sublinha uma atitude contrária ao seu descrito passado antifascista, que respeito, limitadora da liberdade de cada um e imprópria para um livre pensador que vive em democracia. Mas tudo isto é pouco. Saldanha Sanches revelou-se, de resto apocalipticamente, um guardião dos domicílios fiscais e atento sabedor dos sítios onde moramos.
Poderíamos nós imaginar o que seria se um outro cidadão, que não fosse sequer Nobel, dissesse por exemplo que o Prof fiscalista casou, ou é de facto unido, com a Procuradora Maria José Morgado para ficar imune ou sujeito a um regime especial no que tange ao processo penal ou a um processo em concreto e consequente investigação que o integra ou integraria. Ou que, nos doutos pareceres que dá em razão da matéria.. fiscal, Saldanha se estriba em critérios de exclusão quanto a clientela de origem duvidosa, ou não.Ou que, quando participa em campanhas politicas, o faz com interesse indirecto ou directo. É claro que ninguém tem a ver com a clientela de Saldanha ou as motivações que o levaram a casar com uma das Magistradas do MP mais poderosas do país. E é certo que cada um participa nas campanhas que entende.Não poderia aliás Saldanha visionar o futuro notável do seu cônjuge, antes de o ser, na carreira da magistratura, antes de o ser. O que é certo é que Saldanha Sanches, qual fiscal fiscalista, logo avançou com um comentário sobre as motivações do domicilio de Saramago. A sua matriz Trotskista revelou-se e manifestou-se com acidez.Tem liberdade para o fazer.Deve ter tolerância para ouvir a critica.
Saramago continua lúcido. Tem tido a coragem de romper no interior do PCP com questões como o apoio dos comunistas portugueses a movimentos terroristas como as FARC. José Saramago é Nobel.Carlos Lopes ou Rosa Mota são Olímpicos. Sanches é Professor e fiscalista. Corações ao Alto.
José Assis














