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Quotidianos

HALLOWEENPor Jorge Teixeira
Barreiro

Entendo cada Indivíduo como uma Unidade em Si mesmo, resultado de condicionantes específicas que fazem d’Ele um Ser único e diferente de todos os outros: por isso mesmo, um Indivíduo! Mas, cada Indivíduo só se poderá manifestar, enquanto estiver em relação com aquilo que o rodeia: de outra forma é estéril, isto é, não existe!

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HALLOWEEN Por Jorge Teixeira Barreiro

Por Jornal Rostos

Não há muito tempo, assistiu-se um pouco por todo o lado, e em particular, em todas as Escolas, à comemoração do Halloween. O que muitos de nós, provavelmente, ignora é que o “Halloween” é um ritual que remonta às tradições dos povos que habitaram a Gália e as ilhas da Grã-Bretanha entre os anos 600 a.C. e 800 d.C., Eventualmente, porque os Estados Unidos popularizaram a comemoração, e de alguma forma o comercializaram, hoje em dia, as celebrações, em Portugal, resumem-se a um desfile de adolescentes mascarados de bruxas ou feitiçeiros, de forma mais ou menos ridícula; pois se, originalmente, o Halloween não tinha relação com bruxas, mas sim, era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, celebrado entre 30 de Outubro e 2 de Novembro e marcava o fim do verão (samhain significa literalmente "fim do verão" ), a actual praxis, pouco ou nada tem a ver com a base do ritual que lhe deu origem.

Não discuto o valor de tais rituais ou, muito menos, o sistema gnoseológico que o sustenta! Aliás, enquanto europeu, sinto uma curiosidade natural em relação às origens da nossa forma comum de pensar – decerto, e de qualquer forma, não dissociável da forma de sentir do Todo mais abrangente em que nos integramos, a que é uso denominar por Europa!

Mas, e porque portugueses somos nós, também registo, com tristeza, que ao invés do Halloween – comemoração de origem “desconhecida”, popularizada pelo marketing americano – nada há no presente currículo escolar que perpetue os usos e costumes que fazem parte da herança próxima de todos e de cada um de nós, portugueses! Bem antes pelo contrário: quem anda nas Escolas facilmente observa o sentimento generalizado de desdém e de adulteração dos valores portugueses. Podemos, nomeadamente, registar entre os alunos, uma completa ignorância em relação às nossas tradições, quer, por exemplo, falemos de danças tradicionais – facilmente preteridas em relação aos batuques que buscam inspiração em realidades alienígenas –, ou, inclusivamente, nos refiramos ao linguajar corrente entre os adolescentes, em que o “k”, substituiu definitivamente o “q”. Então, e será que estamos em presença de uma geração traidora da nossa herança cultural, enquanto portugueses, podemos nós perguntar! ... Decerto que não: apenas ecoam os valores que lhes são transmitidos pelos media, valores esses tantas vezes ao serviço de interesses económicos bem identificados!

Entendo cada Indivíduo como uma Unidade em Si mesmo, resultado de condicionantes específicas que fazem d’Ele um Ser único e diferente de todos os outros: por isso mesmo, um Indivíduo! Mas, cada Indivíduo só se poderá manifestar, enquanto estiver em relação com aquilo que o rodeia: de outra forma é estéril, isto é, não existe! Como tal, a manifestação do Ser só fará sentido se também fôr um eco do que o rodeia, isto é, dos usos e costumes da particular civilização, na qual ele tem existência. Assim, só poderemos actualizar, no sentido aristotélico do termo, apenas o que a nossa Tradição nos potencia. Dito de outra forma: só poderemos ser portugueses, e enquanto tal, europeus, se defendermos o que nos é particular, enfim: as nossas raízes!!!

Urge, pois, a criação ao nível dos ensinos básico e secundário – e, muito em particular, ao nível do ensino básico – de uma disciplina de “Cultura Portuguesa”, que substituiria, com todas as vantagens as actuais disciplinas de “Área de Projecto”, “Formação Cívica” ou “Estudo Acompanhado”, que são vazias de conteúdo, e por isso, completamente obsoletas. Aliás, já a anterior responsável pelo Ministério da Educação reconheceu implicitamente esse facto ao aconselhar que nas aulas de “Estudo Acompanhado” se ministrassem conteúdos de Matemática ou Português. Poder-se-ia perguntar, quem poderia ser responsável por ministrar essa disciplina de “Cultura Portuguesa”. A resposta é fácil: os mesmos que, pressupostamente, “leccionam” quaisquer das outras três; com uma vantagem: como se trataria de costumes da nossa terra, talvez até gostassem!

Jorge Teixeira

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