A (a)trapalhada da asfixia.Por José Assis
SEIXAL

Por Jornal Rostos
Volvido algum tempo da campanha eleitoral para as eleições legislativas, parece que ainda não é o suficiente para que o PSD conclua que só as perdeu por culpa própria. Isto não quer dizer que o PS ganhou por demérito dos adversários.Quer dizer o que todos viram: o PSD claramente enveredou por um caminho eleitoral, de campanha, que deitou tudo a perder.
A asfixia democrática como o centro da mensagem politica, da qual emergiram depois outros fenómenos como o rasgar das medidas tomadas com o próprio sacrifício dos portugueses, medidas aliás notoriamente indispensáveis, foram opções deste PSD que não mobilizou os portugueses.
Mas agora tudo indica que o PSD quer continuar nesse registo. Desespero? Desnorte?
A chamada, pelo PSD, de Vieira da Silva ao Parlamento por causa dos comentários do ministro a propósito de intercepções telefónicas que foram realizadas ao primeiro ministro, sem a autorização legalmente prevista ( conclusões que se podem extrair de acordo com decisões, aliás, já transitadas, quais sejam a do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça e a do Procurador Geral da República) e a recomposição na casa civil presidencial que aumentou a visibilidade de Lima, fazendo regressar ao domínio da opinião pública o caso das alegadas escutas ao presidente, passado em campanha eleitoral, precisamente - e que afinal , não passaram de receios do Presidente de que estaria a ser vigiado, provocando um comunicado presidencial que ficará na história pela sua originalidade e desadequação - contribuíram para que os portugueses continuem a olhar para o PSD como o partido obcecado por ajustar contas pessoais com os seus adversários, denegando, desse modo, a sua natural vocação.
Mas parece, ainda, que o ajuste de contas, para além de não ser um ajuste leal de contas politicas, nem sequer é um verdadeiro ajuste porque nada há que possam os dirigentes deste PSD invocar contra os dirigentes do PS. Não. O PSD claramente foge da agenda politica. Não discute o orçamento rectificativo. Não discute o modelo de desenvolvimento que entende melhor para o país. Discute e teima em continuar a discutir a asfixia e a especulação em volta de casos, que a atrapalhada campanha evidenciou serem tiros de pólvora seca.
Mas, sem bem notarmos é o PSD que, com a adopção dessa estratégia ( se é que a podemos assim designar ) quer a asfixia e vai ao seu encontro.
José Sócrates tem discutido os problemas do país e não se tem debruçado sobre processos judiciais, mas tem sido o visado de autêntica devassa, contida numa ostensiva tentativa de eliminar a sua credibilidade atacando-se o seu carácter, em torno de especulações sobre conversas privadas do primeiro ministro.Tudo já se disse ou se insinuou. Sócrates manteve a atitude de Estado que lhe é devida.
A asfixia como arma politica falhou. Atrapalhou. Tropeçou em si mesmo e nos seus autores ficcionistas : Pacheco Pereira assumidamente a comandar essa ofensiva fica sentado na última fila do seu grupo parlamentar. Ferreira Leite prepara-se para o seu canto do cisne no PSD. Ao menos que se retire com dignidade e não avolume o coro à sua volta, sob pena de avolumar a preocupação dos social democratas e não só. O país merece uma oposição melhor.
José Assis














