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Quotidianos

O Novo Mundo,ainda bem, Utópico. Reflexões de Fim de Semana.Por José Assis
SEIXAL

A globalização social com justiça social e equidade nas relações entre os povos, estarão no espírito da maioria dos participantes, disso não tenho a menor dúvida. Afinal, esta geração de lideres o que quer ? Coisas simples: um mundo melhor, onde se viva melhor, para todos e, se for caso disso, com uma utopia inicial para ser executada na prática.

Os povos não devem temer a utopia, devem sim defende-la e obrigar os seus representantes políticos a executar politicas que aproximem a realidade o ideal.

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O Novo Mundo,ainda bem, Utópico. Reflexões de Fim de Semana. Por José Assis SEIXAL

Por Jornal Rostos

Em dia de inicio da cimeira Ibero- Americana, realizada em Portugal, não se deve deixar escapar o sublinhado forte da oportunidade para um mundo diferente.

Esta cimeira, integrada na regularidade da sua realização, ocorre numa altura em que efectivamente o mundo está a mudar. Digo efectivamente porquanto desde há anos que analistas das mais diversas áreas assumem a mudança contínua e permanente do mundo. Hoje essa mudança é efectiva. A propalada nova ordem mundial, resultante da queda simbólica, mas muito realista nos seus efeitos, do muro de Berlim cujo vigésimo aniversario recentemente se comemorou, está num curso acelerado e estamos a chegar ao tal novo paradigma para uma nova ordem.

As instituições de direito internacional estão ultrapassadas - não significa isto dizer que para o mal- pela reorganização natural que as nações tentam fixar através de encontros que, de informais que são, produzem efeitos quanto às relações diplomáticas e internacionais.

Sem bem notarmos quase nenhum, ou mesmo nenhum, desses encontros, do passado recente ou do presente, são realizados sob a égide das instituições internacionais. O encontro dos países da comonwealth, a cimeira do grupos do G ou dos G`s são realidades de facto mas que visam - bem na minha opinião - construir um novo mundo. É nesse quadro que se devem posicionar os países de Língua Oficial Portuguesa, sem qualquer tipo de complexo ou exigência acrescida que não seja a da afirmação cultural em conjunto com o desenvolvimento de uma diplomacia económica.

O privilégio de historicamente estarmos desses países próximos, com laços fraternos, não pode ser desaproveitado e deve ser cimentado, na multiplicação diplomática evidentemente, mas também em encontros conjuntos, com uma agenda de questões concretas, não só na medida da necessidade e do interesse conjuntural, mas com uma visão para os próximos cem anos. As pontes necessárias para os países como o Brasil ou a India podem ser edificadas a partir do mundo lusófono no seu conjunto.

O encontro de Copenhaga para as alterações climáticas, que já suscitou o entusiasmo em Obama, nos lideres Chineses, nos países da Comomwealth- que já anteciparam a agenda com propostas que incluem a criação de um fundo- na UE- com Barroso a aceitar o ponto de encontro para as metas de emissão já assinaladas pelos EUA - é um encontro histórico.

Um ponto está ganho : os Estados Unidos da América, liderados pelo prémio Nobel e seu Presidente, vão estar presentes e ser parte activa na reflexão, no encontrar da solução para um problema cuja solução coordenada e global é vital para o mundo. Os países compreenderam que as alterações climáticas são a agenda do presente. Todos nos recordamos do que foi Quioto e a resistência de alguns países em ratificar o acordo que desse encontro resultou, incluindo os EUA que nunca o ratificou. Hoje é diferente. Falhar nesta matéria implica falhar no essencial.

Mas já se percebeu que a cimeira de Copenhaga não será somente um simples exercício de afirmação mundial de países ou grupos de países. É uma Cimeira de trabalho real, para a discussão das matérias concretas e da qual sairão resultados, com eficácia jurídica e politica. E não se confinará ao modelo pequenino e mesquinho de analisar as alterações climáticas e a emissão de gases que as provocam, em função do que cada um emite, medindo essas emissões a olhar estritamente para o seu quintal. As questões em volta da eficiência energética, onde a factura energética e a capacidade tecnológica de alternativas energéticas estarão em cima da mesa, com a necessidade de se alcançar plataformas de entendimento quanto a uma acção comum mundial e envolvem este encontro num contexto mais alargado e profundo, conferindo-lhe uma dimensão ética que obriga os países a agirem em consciência e com a noção das suas responsabilidade. Mas a criação de emprego e de oportunidades, em torno da energia, não ficarão num patamar inferior da discussão. Não a criação de emprego em razão da emissão de gases e do designado efeito de estufa, mas sim, o emprego a criar em resultado na aposta nas energias renováveis, na inovação e na tecnologia.

A globalização social com justiça social e equidade nas relações entre os povos, estarão no espírito da maioria dos participantes, disso não tenho a menor dúvida. Afinal, esta geração de lideres o que quer ? Coisas simples: um mundo melhor, onde se viva melhor, para todos e, se for caso disso, com uma utopia inicial para ser executada na prática.Os povos não devem temer a utopia, devem sim defende-la e obrigar os seus representantes políticos a executar politicas que aproximem a realidade o ideal.

É, pois, com o mundo assim que iniciamos a cimeira Ibero- Americana, em Portugal. Oportuno, o momento, para dar o pontapé de saída para Copenhaga, numa agenda internacional que ultrapassou a lenta e clássica agenda institucional.

Não acredito que o mundo possa redefinir-se sem que o papel das instituições seja recolocado no seu lugar devido. As instituições de direito internacional, máquinas por definição pesadas e lentas, acompanham, neste momento os movimentos das relações internacionais informais, limitando-se a observa-los, mas devem passar para o papel activo. Se não forem os actuais responsáveis por essas instituições a ter a iniciativa de as reformar, modernizar e coloca-las à frente marcando a agenda, quem será? Os líderes dos países não terão tempo para isso. Os povos, que devem ser os destinatários e beneficiários do trabalho dessas instituições, não estão em condições de o fazer.

José Assis

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