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Quotidianos

Já existem habitações construídas para todos os portugueses? Ninguém se interessa em saber.Por José Bastos
MONTIJO

Ter uma casa própria para residência foi sempre a ambição de qualquer família portuguesa. Justa ambição! A vida, porém ensinou-me que com salários reduzidos é impossível comprar uma casa e os bancos foram criados para obter grandes lucros e não para ajudar seja quem for, normalmente são uns gananciosos. Uma família que recebe mensalmente 1.000 euros não tem rendimentos para adquirir uma casa por 75.000 euros.

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Já existem habitações construídas para todos os portugueses? Ninguém se interessa em saber. Por José Bastos MONTIJO

Por Jornal Rostos

Em1999, escrevi um artigo de opinião que está publicado em livro, que entre muitas coisas, dizia o seguinte:

“As baixas taxas de juro, em muitos casos ainda bonificadas, e as facilidades concedidas por todos os bancos, deram origem a uma grande procura de habitações que conduziu ao crescimento dos preços em percentagem muito superiores à inflação o que originou, por sua vez , uma procura de terrenos para construção a preços de tal maneira especulativos que faz lembrar o que eu ouvia dizer em criança sobre a procura do volfrâmio no tempo da guerra.
A situação que se vive no mundo da construção é de grande euforia. Tudo quanto se constrói está vendido e com grande lucro. Será que esta situação poderá manter-se por muitos anos? Eu não acredito. A especulação e o mercado, seja qual for tem os seus limites. Uma crise num sector económico com a importância da construção civil, poderá trazer graves consequências sociais na área do emprego. Portanto, é necessário que o poder político preste atenção para o que se está a passar, de modo que as consequências não sejam tão gravosas. “É melhor prevenir do que remediar”. “

Passados dez anos aí está a crise da construção a bater às nossas portas com uma força que atinge uma boa parte das famílias portuguesas e até as câmaras municipais que viram diminuir drasticamente as suas receitas.

Ter uma casa própria para residência foi sempre a ambição de qualquer família portuguesa. Justa ambição1 A vida, porém ensinou-me que com salários reduzidos é impossível comprar uma casa e os bancos foram criados para obter grandes lucros e não para ajudar seja quem for, normalmente são uns gananciosos. Uma família que recebe mensalmente 1.000 euros não tem rendimentos para adquirir uma casa por 75.000 euros.

No último ano, centenas de milhar de famílias, foram beneficiadas no pagamento da prestação da casa, porque o juro baixou extraordinariamente, mas, “é sol de pouca dura”, quando a economia recomeçar a crescer e o petróleo a subir os juros crescem novamente e muitas famílias terão dificuldade em pagar as prestações. As entidades bancárias acabam por ficar com uma boa parte das habitações e as pessoas passam a pagar uma renda. Não vejo outra forma de sair desta situação, que acaba por contribuir para o tão apregoado dinamismo do mercado de arrendamento que nunca mais acontece.

Apesar deste beco sem saída em que nos encontramos, na área da construção está tudo à espera que a economia cresça para se iniciarem novas construções, sem sabermos se já existem habitações para todos.

A experiência vivida numa Terra de negócios, comércio e indústria, diz-me que dentro de dois ou três anos vai haver outra vez muita construção mesmo que já não seja necessária. Não é produto que se exporte e a propriedade urbana vai ser muito desvalorizada, com casas desocupadas por todo o país.

A esperança dos homens nos lucros por especulação é muito grande. O valor da propriedade subiu sempre por haver muita procura e pouco oferta. Os construtores não vão resistir à tentação de continuarem a investir sempre com intenção de serem os primeiros a estarem no mercado, quando as coisas começarem e melhorar. Foi sempre assim nas outras actividades e a construção não foge à regra.

José Bastos

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