«O Natal é quando o homem quiser»Por Carlos Alberto (Carló)
BARREIRO
O Governo português pendurou na árvore deste Natal, uma linda prenda para os reformados, um aumento “extraordinário” de 1% a 1,5%, quatro euros e meio por mês ou seja quinze cêntimos por dia, fantástico. A fartura irá empanturrar os idosos que comem pouco, porque eles comem tudo.

Por Jornal Rostos
Disse o trovador num dia de inspiração poética, «o Natal é quando o homem quiser», mas corruptos, banqueiros, governantes e a chusma de sanguessugas do capitalismo neoliberal impedem, que o Natal seja festa para todos. Empobrecem o poder de compra das famílias, e os brinquedos não chegam aos filhos de tantos trabalhadores sem emprego ou com salários enfezados. As oferendas não se cumprem, o pinheiro tradicional fica vazio de prendas e a infelicidade bate à porta, em especial das crianças que ainda vivem a ilusão de um mundo solidário.
O Natal, afinal, em Portugal é feito de figuras que conhecemos pela TV, pela rádio e jornais, gente que lemos, ouvimos e vemos de mãos vazias para o sapato dos portugueses mas, pedincham e prometem melhores dias aos pobres que ajudaram a empobrecer.
Para o sapato dos trabalhadores portugueses, Van Zeller, presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, (CIP), pede: «contenção salarial para o ano de 2010, porque há milhares de pequenas e médias empresas que dependem de salários baixos», como se os salários rasteiros e o desemprego não fossem precisamente o factor principal para o reduzido consumo, descendo as quotas de vendas e respectivos lucros, com a perda de consumidores. Desemprego e salários diminuídos não dá para comprar o que as empresas produzem.
No sapato dos especuladores, aí as coisas são diferentes, permanecem os offshores, esconderijos monetários, zonas francas de trânsito e contrabando monetário e nenhum governo lhes toca.
O sapato dos portugueses acalcanhado pela corrupção que alastra e alimenta o suborno, fraudes em rede tentacular, escândalos políticos, justiça manietada por fortificações criminosas, conluios politizados, necessita de concerto para travar a rapinagem do colarinho engomado e que a justiça caia no imaculado pano Branco.
O sapato gasto dos portugueses mais idosos subjugado por um poder manhoso, pejado de artimanhas políticas e económicas, aufere falsificações como em Feira Franca de incongruências.
As escolhas políticas dos portugueses falham, como quando se vai à procura de saldos e se compra barato mas acaba-se enganado e descontente com a baixa qualidade.
O sapato dos portugueses tem, todos os dias via TV e à disposição, as tricas e perversões das comadres que descobrem as verdades, mas logo se encobrem para que tudo fique na mesma.
No sapatinho dos portugueses caiu de chofre o aviso do Banco Central de que a dívida externa portuguesa, contraída pelos Governos desde que foi instituída a Democracia, ultrapassa já os cem por cento, tendo acelerado nos últimos anos, pesando como terrível pesadelo que Portugal vive no presente.
Na árvore de Natal dos portugueses está pendurada uma justiça que não funciona. Como pode haver justiça se ela própria não se entende. É confrangedor assistir-se a um debate entre causídicos que interpretam à letra, as mesmas leis, de forma enviesada uns dos outros.
Para o sapato do povo, em antecipado evento, a crise montada em todos os pormenores, desferida como lança-chamas, abre caminho para os ideólogos neoliberais chegarem ao coração dos governantes e de novo plantarem lucros escandalosos.
Vem aí o Natal, que rima com pantanal, com um número de desempregados que se aproxima do milhão. E quantos sobrevivem com recibo verde? E quantos comem da caridade?
O Governo português pendurou na árvore deste Natal, uma linda prenda para os reformados, um aumento “extraordinário” de 1% a 1,5%, quatro euros e meio por mês ou seja quinze cêntimos por dia, fantástico. A fartura irá empanturrar os idosos que comem pouco, porque eles comem tudo.
Não estamos no fim da história de Portugal, mas o “Tratado de Lisboa” pode empurrá-lo para lá se os portugueses não estiverem atentos.
Prenda colocada no sapato dos portugueses que arrasta consigo mais política de direita, que o mesmo é dizer, regabofe para os ricos e contenção para os pobres, mais desemprego, mais desigualdades, mais pobreza, mais doutrina neoliberal na economia, estrutura social bicéfala, o grande capital e os que o servem de um lado e no outro os que são atirados para longe.
E a verdade é que para o sapatinho dos portugueses o Fundo Monetário Internacional, (FMI), mandou recado de que o défice português tem de reduzir, e as suas propostas são de que «os vencimentos da Função Pública e as contribuições para Segurança Social têm que reduzir». Gente que ganha milhões a ordenar miséria para o povo português e o Governo não se revolta, tem de ser o povo a fazê-lo.
Carlos Alberto (Carló)














