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Quotidianos

Campos “amalelos” ?Por Joaquim Escoval
BARREIRO

Agora máquinas modernas a todos parecem substituir. Alguns poucos detentores das capacidades financeiras para a sua aquisição, alugam-nas a outros que com elas substituem os ranchos de homens e mulheres que outrora enchiam os campos enchendo com eles os centros de emprego e de formação em matérias que lhes são culturalmente alheias.

A necessidade de competir com outros fornecedores que por razões várias são mais competitivos mas também e principalmente a ânsia de ganhar mais e sempre mais sem olhar para o lado trazem agora para os campos outros certamente a quem a vida ainda foi mais madrasta.

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Campos “amalelos” ? Por Joaquim Escoval BARREIRO

Por Jornal Rostos

Tailandeses a apanhar azeitona no Alentejo? Pode lá ser? Pode!
A palavra “globa”l entra-nos pelos olhos dentro em todo o lado e de todas as maneiras.
Algumas são difíceis, mesmo muito difíceis de engolir, de entender e ainda mais de aceitar, ao menos para mim.
Meio século já passou desde que os trabalhadores agrícolas alentejanos tudo enfrentaram para conseguir que as suas jornadas de trabalho não fossem de sol a sol mas sim de 8 horas diárias e melhor retribuídas.
Tempos e condições bem mais árduas que as de hoje mas aqueles homens e mulheres endurecidos pelos calores abrasadores do verão e pelas gélidas madrugadas de inverno souberam tudo ultrapassar e conseguiram os seus intentos.
Pelo caminho ficaram ficaram anos de vida comunitária e familiar ,infâncias e juventudes vividas não brincar e a estudar mas vergados em direcção á terra viscosa de barro ou cobertas de xisto colhendo o trigo ou a azeitona que alimentavam o país.
Por esses caminhos até vidas ficaram.
Ranchos de homens e mulheres trazidos de regiões mais a norte do país foram sendo trazidos para fazer os trabalhos que os alentejanos todos os dias pediam nas famosas praças de jorna. Tu , tu e tu vêem e ,finda a escolha do capataz todo poderoso continuava a praça cheia de homens a quem não era dada sequer a oportunidade de vender a sua força de trabalho para alimentar os familiares.
Restava-lhes voltar e esperar que o amanhã fosse melhor ou tudo fazer para que assim fosse.

Muitos seguiram estes perigosos trilhos nos campos, vilas e aldeias, traçados pelas rudes botas de homens Homens. E por mulheres Mulheres.
A chegada de outros que na sua terra faziam o trabalho que podia ser seu dificultava-lhes a vida e a possibilidade de conquistar mais rápidamente os salários e as condições de trabalho merecidos por tanto sacrificar o corpo a tão penosos trabalhos.
Tudo ultrapassaram, mas como se de maldição se tratasse os campos que tanto a todos dão continuaram a ver o progresso e o desenvolvimento ficarem pelas regiões á beira mar plantadas obrigando os que nele nasceram a procurar sustento noutras bandas num movimento migratório que pelo amor que os une á terra forma dos últimos a encetar.
Ao Alentejo, com o advento da CEE chegaram mais recentemente outras gentes de tez mais e cabelo mais claro .Do longuinquo leste chegaram os russo, os moldavos, os romenos, os ucranianos e tantos outros que encheram os montes e cobraram pelo trabalho valores que não garantiam aos alentejanos as condições de vida que há muito lhes é devida. Aguentaram mais esta repetição da história.
Mas o desemprego ganhou terreno e com ele todo o cortejo de situações que a ninguém se desejam.

Agora máquinas modernas a todos parecem substituir. Alguns poucos detentores das capacidades financeiras para a sua aquisição, alugam-nas a outros que com elas substituem os ranchos de homens e mulheres que outrora enchiam os campos enchendo com eles os centros de emprego e de formação em matérias que lhes são culturalmente alheias.
A necessidade de competir com outros fornecedores que por razões várias são mais competitivos mas também e principalmente a ânsia de ganhar mais e sempre mais sem olhar para o lado trazem agora para os campos outros certamente a quem a vida ainda foi mais madrasta.
Os serviços da segurança social do Alentejo começam a chegar inscrições de trabalhadores tailandeses trazidos para a apanha da azeitona.Os ucranianos e romenos já foram dizem-nos.A moda agora são tailandeses.
São homens tem tanto direito á vida como quaisquer outros direito á vida mas continuam a adiar a almejada vida dos alentejanos na terra que tanto amam e preservam.
Não custa a adivinhar em que condições vivem por esses montes , já mais difícil fica saber o quanto vão ganhar, mas sem qualquer dificuldade podemos imaginar que será bem menos que o que qualquer português venceria embora muito mais do que o que ganhavam na sua longínqua terra natal.

Que me explicassem como conseguem agricultores alentejanos conseguir trabalhadores nessas paragens é o que eu gostava. Quem lhes propôs o negócio, como chegaram à conclusão que era um bom negócio, como os trouxeram para cá, quem os escolheu, quem os encaminhou etc., etc.
Afinal e numa pergunta apenas : que rede ( uma palavra talvez demasiado branda para esta situação) está montada para que esta migração seja possível?
Mas já que cá chegaram então que sejam tratados como trabalhadores e como homens ,que se rejam pelas leis nacionais e que se respeitem as directivas há muito reivindicadas pelos sindicatos portugueses: os trabalhadores emigrantes devem ter as mesmas condições que os trabalhadores nacionais.
Se assim for o Alentejo continuará a se rum terra verde de esperança e não “amalela” de tanto maltratar os seus filhos e aqueles que a demandam.

Joaquim Escoval

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