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Quotidianos

É Natal, ou já foi?Por António Duro
MOITA

Este modelo político e de sociedade está esgotado, estes políticos estão cegos, e a cegueira não tem cura. A verdadeira crise é a dos homens e a dos valores e da solidariedade. Natal, dizem, é quando um homem quiser. Que homem, o pobre, o desempregado, o reformado e pensionista com reformas de miséria e medicamentos de sobrevivência que não podem pagar? Não, destes nunca será? O rico, o político influente, os poucos que condicionam e manipulam a vida de todos, esses sim.

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É Natal, ou já foi? Por António Duro MOITA

Por Jornal Rostos

Neste Natal mais do mesmo, para variar. A solidariedade é quase sempre dos mesmos e entre os mesmos, mas cada vez mais pessoas, mais seres humanos estão carenciados e esquecidos. O homem continua fiel à teoria e à prática de sempre, na esmagadora maioria das vezes contraditórias entre si.
Não quero aproveitar este artigo de opinião, este estado de alma, para acusar ninguém em particular, nenhuma força política em especial, isso são juízos que muitos farão, consoante o seu posicionamento e sectarismo. Mas uma introspecção, uma autocrítica e uma vontade de ajudar o próximo, isso já é mais difícil. Mais fácil é apontar a culpa sempre para os outros. Sabe bem ao ego, sempre dá menos trabalho, e fica mais barato.

Vemos uma crise que só dá sinais de retoma nos média da informação económica especialista (com que interesses?), em alguns políticos também, agarrados a trabalhar os números ao seu jeito, fazendo malabarismos e actos de ilusionismo que ninguém do povo vê, com aumento galopante do desemprego e da miséria. Até onde isto vai parar?

Os empresários ricos, aqueles que fizeram fortunas pela sua habilidade negocial (com que ajudas e truques?) e aproveitar das oportunidades, aqueles que já nasceram em berço de oiro, esses ameaçam e fazem, despedem e não querem aumentar o já parco salário mínimo, esquecendo-se que sem os seus trabalhadores nada tinham. Tal como os bancos, que têm cada vez menos empregados e sempre buscam novas formas de explorar quem lhes dá os lucros, como é a pretensa intenção de taxar a utilização dos cartões Multibanco pelos utilizadores. “Coitados”, em vez de ganhar muitos milhares de milhões, agora “só” ganham alguns milhares de milhões, e isso é um “drama” para eles, o “fim do mundo”, e os mesmos, sempre os mesmos, vão ter que pagar isso, é a crise… a deles, que comparada com a das famílias no desemprego, as de salários baixos e os idosos reformados, nada é. Para uns é o Nasdaq a descer ou a subir, para os outros é o nada há que descer mais.

Por fim os políticos, os profissionais da política, nacional, regional e local, em escalas diferentes mas com responsabilidades cúmplices.
Para os da cor dos que mandam a culpa é dos de cores diferentes, para estes a culpa é dos que mandam. Mas nem uns nem outros fazem a tal introspecção, que objectivo principal é o seu, para que estão na vida pública política, para servir quem? Aqui sim reside a diferença, ou seja o que os devia unir. Todos dizem que é para servir o povo, o país, a região, o local, mas porque não os servem, pois estes são acima de tudo o seu povo, e este vive mal a todos os níveis?
Todos, à escala, têm os seus muito razoáveis ordenados (alguns ainda se compensam e de que maneira, como se houve dizer), os seus carros de serviço, os seus gabinetes de luxo, com os ares condicionados que lhes dão calor no inverno e fresco no verão, entre muitas outras mordomias. Daí desse conforto, a crise e os problemas sociais, vê-se algo distorcida, algo desfocada, “não é assim tão com a pintam” dizem alguns, “é uma moda” chegam a dizer outros, isto em mais ou menos privado, pois no discurso a crise social é a moda para apontar o dedo aos outros e esquecer as suas responsabilidades, espreitando os lugares que possam vagar. E virá mais do mesmo, com outros “artistas”.

Este modelo político e de sociedade está esgotado, estes políticos estão cegos, e a cegueira não tem cura. A verdadeira crise é a dos homens e a dos valores e da solidariedade. Natal, dizem, é quando um homem quiser. Que homem, o pobre, o desempregado, o reformado e pensionista com reformas de miséria e medicamentos de sobrevivência que não podem pagar? Não, destes nunca será? O rico, o político influente, os poucos que condicionam e manipulam a vida de todos, esses sim.
Até quando? Que a solidariedade não seja só lembrada no Natal, mas seja neste bem repensada. Basta de hipocrisia.

António Duro

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